Há cada vez mais mais festivais de música em Portugal: este ano serão quase 300

22 jul, 22:00
NOS Alive

Mais do que ver concertos, os festivais tornaram-se também uma "experiência" e um destino de férias. Todos os fins de semana há festivais, para todas as pessoas - para as que gostam mais de pop ou mais de indie, de rock, heavy metal, jazz, música portuguesa ou até música clássica. Os festivais entraram definitivamente nos hábitos culturais dos portugueses. Só no Rock in Rio, no Nos Alive e no Nos Primavera estiveram este ano 600 mil pessoas.

"Finalmente!" Esta terá sido a palavra que Álvaro Covões mais ouviu durante os quatro dias em que se realizou o festival Nos Alive, no início deste mês. "As pessoas interpelavam-me no meio do festival e via-se que estavam verdadeiramente felizes por estarem de volta", depois de dois anos de cancelamento por causa da pandemia de covid-19, conta o promotor. "Era notório o sentimento de felicidade, no público, nos artistas e em todos nós, que durante praticamente três anos estivemos impedidos de trabalhar, e que pudemos, finalmente, fazer aquilo que gostamos de fazer." No Nos Primavera Sound,  no Rock in Rio e nos outros festivais que já retomaram a "normalidade" a experiência foi semelhante. 

Este ano, em Portugal, já se realizaram 188 festivais de música. Ricardo Bramão, diretor da Aporfest -  Associação Portuguesa de Festivais de Música acredita que "vamos chegar ao final com um número semelhante ou até mesmo superior ao de 2019, ou seja perto dos 300 eventos". E a grande maioria acontece nos meses de verão. Praticamente todos os fins de semana há algum festival a acontecer, movimentando milhares de pessoas que aproveitam as férias para conjugar viagens e concertos. Apesar da paragem forçada, em 2020 e 2021, os festivais voltaram em força para mostrar que entraram, definitivamente, na agenda e nos hábitos culturais dos portugueses.

O início da "era moderna" dos festivais

Em 1993, João Carvalho estava, com um grupo de amigos, todos adolescentes, a assistir a um concerto de fado na inauguração do novo relvado em Paredes de Coura, quando tiveram a ideia de realizar um festival naquele local. "Não havia ali nada para se fazer e nós pensámos que seria engraçado fazer naquele espaço um concerto para os mais jovens", recorda. Falaram com o presidente da Câmara nessa mesma noite e, nove dias depois, realizava-se a "exageradamente chamada primeira edição" do festival Paredes de Coura. "O que nós gastámos nessa edição não dava para pagar as bebidas num festival hoje", conta a rir. Se esse primeiro Festival de Música Moderna Portuguesa de Paredes de Coura (era assim que se chamava) custou 2 mil euros, a edição deste ano irá custar mais de 5 milhões.

As primeiras três edições foram gratuitas e tinham ambições muito limitadas. "Era preciso explicar a toda a gente onde é que era Paredes de Coura", recorda João Carvalho, que se opôs bastante à ideia de cobrar bilhetes: "Esta é uma terra onde, ainda hoje, é difícil chegar. Tinha medo que as pessoas deixassem de vir". Mas esse foi um passo necessário, que levou à profissionalização do festival e permitiu, em 1996, trazer à praia do Taboão os primeiros artistas internacionais. "Naquela altura, não havia Spotify e era difícil comprar CDs em Paredes de Coura, só conhecíamos os músicos da MTV. Ter ali aqueles músicos foi um marco. Lembro-me de estar a ver os concertos e chorar de emoção."

Festival Rock in Rio

Para Álvaro Covões o futuro começou nos dias 8 e 9 de julho de 1995, com o primeiro Festival Super Bock Super Rock. "Não havia nada assim em Portugal", recorda o promotor, que na altura estava na Música no Coração. "Só havia uns eventos pequenos, intermitentes, coisas muito soltas. A coisa mais parecida que havia com os festivais de música era a Festa do Avante", conta. Em dois dias, passaram pelo Passeio Marítimo de Alcântara, músicos nacionais e internacionais como Jesus and Mary Chain, The Cure e Faith No More, e o balanço foi tão positivo que logo ali se decidiu repetir no ano seguinte.

"Foi o início dos festivais da era moderna em Portugal", diz Covões. No ano seguinte, realiza-se a primeira edição do Boom Festival, o festival de Vilar de Mouros, que tinha tidos duas edições em 1971 e 1982, "renasce", e Paredes de Coura assume a sua ambição de se tornar um grande evento. Em 1997 surge o Sudoeste, na Zambujeira, em 2004 o Rock in Rio atravessa o Atlântico para chegar a Lisboa, em 2007 acontece o primeiro Nos Alive.

"Foi um crescendo. Foi um longo caminho para chegarmos aqui", afirma Álvaro Covões, que hoje, com a sua promotora Everything Is New, é responsável pela organização do Nos Alive. E nem sempre foi um caminho fácil. Na segunda edição do Super Bock Super Rock, por exemplo, sobraram tantos bilhetes para o último dia que a organização decidiu abrir as portas do recinto a custo zero aos estudantes universitários e, depois, ao público em geral. Apesar disso, o concerto de David Bowie foi um fiasco: com a seleção a jogar para o Europeu de futebol, houve quem preferisse a bola à música. "No início tínhamos 15 a 20 mil pessoas num festival e todos os anos lutávamos para ter mais 500 pessoas, era uma vitória para nós", recorda , entre gargalhadas.

Cada vez mais para o grande público: os festivais tornam-se populares

"Esses primeiros festivais eram feitos para um público mais melómano, os nomes que vemos nos cartazes são aqueles de que se falava na imprensa mais especializada, mais alternativa até", recorda Nuno Galopim, diretor da Antena 1, RDP África e RDP Internacional, que acompanhou (e ainda acompanha) de perto todo o fenómeno como jornalista e que se lembra de ver nas primeiras edições do Sudoeste artistas como Suede, Blur, PJ Harvey, Portishead ou Sonic Youth. 

Era um corte com toda a lógica das "festas de verão" que havia na altura e, também por isso, os festivais atraíram desde logo muitos jovens: eram, de facto, uma grande novidade e na televisão, até mais do que a música, as reportagens passavam pelos parques de campismo e procuravam saber o que levava aqueles jovens a estar ali. "Desde muito cedo, esse lado vivencial foi muito importante", conta Galopim, "e a imprensa fez um enorme trabalho em mostrar ao país inteiro o que era aquilo, mesmo àqueles que não iam a concertos nem sabiam o que era um festival". Buzinava-se e acenava-se aos carros cobertos de pó que vinham do Sudoeste e, em Lisboa ou no Algarve, no meio do nada, alguém gritava "Ò Elsa!", como se ainda estivesse na Zambujeira do Mar.

Coincidiu isto com um período de grande abertura do país ao mundo (com a Expo'98), de desenvolvimento económico e de afirmação do país como destino turístico. Coincidiu também com a massificação dos eventos culturais e a cada vez maior utilização da internet. Tudo isso contribui para o desenvolvimento dos festivais, que se tornam cada vez mais profissionais, conseguem o patrocínio de grandes marcas (que permitem manter os bilhetes a preços considerados acessíveis) e o apoio das autarquias que rapidamente percebem o potencial económico destes eventos. Em 1998 havia 28 festivais de música em Portugal. Em 2002 já eram 69, pouco depois, em 2005 o número passou para 115 e em 2015 chegou aos 210.

Aos poucos, "houve uma multiplicação de propostas e uma fragmentação de públicos", explica Nuno Galopim. Com a internet, o consumo de música tornou-se muito mais "pulverizado", cada pessoa pode procurar os artistas de que mais gosta. "E os festivais acompanharam esse movimento. Neste momento, há festivais para todas as pessoas" - para as que gostam mais de pop ou mais de indie, de rock, heavy metal, jazz, música portuguesa ou até música clássica. "E tornaram-se um destino nestes meses de verão", conclui.

Festival Sudoeste

"Os festivais entraram para o calendário do verão, muitas pessoas marcam as suas férias já a contar com este ou outro festival a que não querem faltar", diz também Covões, que vai ainda mais longe: "Os festivais mudaram a maneira  como ouvimos música e tornaram a música acessível a muitas pessoas que não tinham o hábito de irem a concertos". E mudaram também o modo como vivemos a juventude: "Para muitos jovens, a ida ao festival é também a primeira vez que dormem fora de casa ou que fazem férias com amigos. A geração que cresceu com os primeiros festivais nos anos 90, que tem agora 40 e tal anos, ou seja, a geração que está hoje nos lugares de poder, cresceu com esta liberdade", diz. Os festivais de música, com a sua variedade de géneros musicais e de tribos, proporcionam uma aprendizagem da liberdade e da tolerância que, com o tempo, se reflete na sociedade, acredita.

A aprendizagem, aliás, acontece de muitas formas. João Carvalho recorda a surpresa de muitos dos habitantes de Paredes de Coura com a chegada dos primeiros festivaleiros vindos de fora: "Esta é uma terra conservadora e ao início havia algum cepticismo, é verdade. Mas as pessoas perceberam que era tudo gente boa. E hoje fico muito feliz por ver este público tão heterogéneo, onde temos jovens de cabelo pintado de azul ao lado do agricultor sentado na sua cadeira de praia". Ao fim de 28 edições, João Carvalho não tem dúvidas de que este é um festival "da paz e da ternura". 

70% dos festivais realizam-se no verão

No ano de 2019 - último ano antes da pandemia em que a atividade económica e cultural não esteve sujeita a restrições - realizaram-se 287 festivais de música em Portugal - um decréscimo em relação ao ano anterior, quando se tinham realizado 311, contrariando a tendência de aumento dos últimos anos, segundo a Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest). De sublinhar que apenas 7% destes festivais tem mais de 10 mil espectadores por dia, os restantes são eventos de pequena ou média dimensão, financiados por organismos públicos e/ou associações, que poderão "não ter conseguido suportar os custos perante um menor apoio financeiro proporcionado e pelo menos número de novos festivais".

Por isso, Ricardo Bramão deixa um alerta: "Existem muitos eventos concentrados num curto período de tempo". Mais de 70% ocorrem, geralmente, de 15 de junho a 15 de setembro. Este ano, essa tendência irá certamente acentuar-se por dois motivos: primeiro, porque nos três primeiros meses do ano, praticamente não se realizaram eventos devido ainda às restrições da covid-19; depois, porque após dois anos de pandemia e de cancelamentos, este foi o ano de todos os regressos. Isto cria uma situação de concorrência entre eventos que se realizam na mesma altura ou são muito próximos. "Só no final é que poderemos avaliar as consequências disto", diz este responsável.

Festival Rock in Rio

Para já, parece que "os eventos mais mediáticos estão claramente todos a ter resultados bastante positivos". Festivais como o Nos Alive (210 mil pessoas) e o Rock in Rio (287 mil espectadores) anunciaram vendas de bilhetes comparáveis às edições pré-pandemia. Em junho, o Nos Primavera Sound bateu o seu recorde de público, recebendo mais de 100 mil festivaleiros. A um mês de abrir as portas, já quase não há bilhetes para o Vodafone Paredes de Coura. 

"Estes eventos já tinham parte do seu trabalho de comunicação feito e já tinham muitos bilhetes vendidos, não partiram do zero". As dificuldades poderão surgir para os novos eventos ou para os festivais mais pequenos, que poderão ter mais dificuldade em conquistar o seu espaço.

A importância do "turismo de festival"

"Os números de público que temos agora são muito superiores à dimensão do país, isto só é possível graças ao turismo cultural, que existe em toda a Europa", explica Ávaro Covões. O promotor percebeu muito cedo que os festivais de música poderiam atrair estrangeiros. "Um dia, logo na segunda edição do Super Bock, cheguei às Docas de Alcântara e encontrei um grupo de espanhóis a dormir à porta do festival", recorda. Hoje, cerca de 25 mil dos 210 mil espectadores do Alive vêm de 98 países. Também entre os 287 mil espectadores da última edição do Rock In Rio, 20 mil vieram de fora de Portugal com Reino Unido, Espanha e Brasil a liderarem a tabela de venda internacional.

"Os festivais que se realizam em zonas de baixa intensidade populacional, com pouca oferta hoteleira, como Vilar de Mouros e Paredes de Coura, proporcionam uma experiência de turismo de natureza. Para irem lá, as pessoas têm de acampar e fazem férias. Nos festivais urbanos, como o Alive ou o Rock in Rio, a experiência é diferente mas também há esse lado do turismo de cidade", sublinha Álvaro Covões.

De acordo com um estudo realizado pelo festival Alive há sete anos, 80% dos festivaleiros que vêm de fora ficam em Portugal cinco dias ou mais, "o que é muito bom para o turismo", diz. "Vêm não só pelo festival mas também para visitar o país". Os hotéis e os alojamentos locais na região de Oeiras também ficam esgotados antecipadamente para estes dias. Segundo Covões, o festival Alive teve nos últimos anos um impacto de 60 milhões de euros durante os três dias em que se realizou no Passeio Marítimod e Algés. Este ano, com quatro dias de concertos, as expectativas eram que chegasse aos 75-80 milhões de euros de impacto económico.

O impacto económico destes eventos é "enorme"

Em 2019, os festivais de música em Portugal originaram uma receita estimada de 2 mil milhões de euros, segundo o relatório anual da Aporfest. Desses, 200 milhões são lucros com os bilhetes, 5,5  milhões são consumo (sobretudo com alimentação), 3,04 milhões são gastos em alojamento próximo do local dos festivais e 1,72 milhões em transportes.

Além disso, é preciso contar com a criação de postos de trabalho durante a montagem e realização dos festivais, e com os fornecedores (muitas vezes locais) envolvidos em toda a produção.

Ricardo Bramão explica à CNN Portugal que no caso de eventos realizados em pequenas localidades o impacto económico não pode ser medido só em números brutos: “O impacto naquelas localidades e nas suas populações é enorme pois naquelas semanas realizam uma grande parte da sua faturação anual", diz.

Na Zambujeira do Mar, os primeiros anos de Sudoeste foram de caos, uma vez que o comércio local não estava preparado para tamanha invasão de festivaleiros. Mas as respostas acabaram por surgir e é inegável que o evento contribuiu para o desenvolvimento do turismo local. Num concelho, Odemira, que tem pouco mais de 25 mil habitantes, o festival chega a trazer 150 mil pessoas numa semana. 

Festival Paredes de Coura

"O impacto económico do festival em Paredes de Coura é grande", admite João Carvalho. "Toda a oferta hoteleira na região esgota com meses de antecedência. Nós criamos condições de luxo no acampamento mas não é suficiente." Além dos dias do festival, existe um pré-evento, "O Festival Sobe à Vila", com programação gratuita e que, durante cinco dias, traz antecipadamente para Paredes de Coura cerca 15 mil pessoas "que fazem os seus consumos no comércio local e estabelecem uma grande cumplicidade com a população", estendendo o evento. E também há quem aproveite e fique mais tempo na região. Por tudo isto, João Carvalho não tem dúvidas de que "há estabelecimentos comerciais que só conseguem manter as portas abertas durante todo o ano porque existe o festival em agosto". 

"Uma das coisas que aconteceu durante a pandemia, e que foi muito bonita, foi que muitas pessoas mantiveram as suas reservas e vieram para Paredes de Coura nas datas do festival e foram comer ao restaurante Miquelina e à pastelaria Conselheiro, dando um apoio enorme à população", conta.

No caso do Bons Sons, festival de música portuguesa que se realiza desde 2006 na aldeia de Cem Soldos, Tomar, o impacto na economia local chegou aos 3,5 milhões de euros em 2019. Mas o seu diretor, Miguel Atalaia, tem noção de que aquele evento, que reúne cerca de 33.500 espectadores, se tornou essencial não só na economia como na sobrevivência da própria localidade: "Esse sempre foi um dos objetivos do festival: queríamos ter um festival de música portuguesa, com uma programação arrojada, mas queríamos fazê-lo com a aldeia, e desde o início houve essa ideia juntar as pessoas da aldeia com os turistas que vêm de fora, mas também de lutar contra o envelhecimento e dar vida a esta aldeia".

Trazer jovens de volta para a região, ver que alguns estão ali a construir as suas casas e querem que os seus filhos cresçam em Cem Soldos é uma das grandes alegrias de Miguel Atalaia. Mas isso só é possível porque o festival é organizado por uma associação local cujo trabalho se estende para além dos dia do festival, a meio de agosto, com projetos na área da educação, cultura e sustentabilidade: "Houve uma altura em que a escola primária esteve quase a fechar, não havia alunos, e foi possível, com algum trabalho, abrir mais uma turma e manter a escola aberta, o que é essencial para fixar a população."

Quanto ao Boom Festival, festival que se realiza em Idanha-a-Nova de dois em dois anos (e que arranca esta sexta-feira), um estudo da Ernst & Young garante que o evento tem um impacto económico total no país de 55,3 milhões de euros. Segundo o documento apresentado em 2020, no sector do turismo, o impacto é de 6,9 milhões de euros, sendo que o documento explica que 47% dos boomers aproveitam a vinda ao festival para estadias mais prolongadas em Portugal.

O número de pessoas envolvidas no evento, entre boomers, artistas e outros profissionais, fixa-se nos 41 mil, “valor que representa 4,9 vezes a população de Idanha-a-Nova e equivale a cerca do dobro dos turistas que visitam o município por ano”. O Boom Festival cria ainda 549 postos de trabalho diretos.

Boom Festival

Já este ano, o Nos Primavera Sound - que se realizou no Parque da Cidade, no Porto, no início de junho - terá tido um impacto de 36,1 milhões de euros na economia local, sobretudo através de gastos em alojamento, transportes, refeições. "Só no recinto, os festivaleiros gastaram em média 136,41 euros nos três dias", divulgou o evento, citando um estudo realizado no recinto  pelo ISAG – European Business School e pelo Centro de Investigação em Ciências Empresarias e Turismo da Fundação Consuelo Vieira da Costa, segundo o qual 37% dos festivaleiros eram de nacionalidade estrangeira.

Entre os estrangeiros e residentes fora da Área Metrolopolitana do Porto, 87% indicaram deslocar-se ao Porto propositadamente para o NOS Primavera Sound. Porém, 46% queriam aproveitar a visita para conhecer o património da cidade, a animação noturna (41%) e as caves de Vinho do Porto (32%).

O diretor da Aporfest considera que é difícil prever como vão ser as contas deste ano porque há que contar com a inflação e com uma certa retração por parte do público. "A crise económica é real", diz. No entanto, "sabemos que este ano existe uma grande adesão por parte do público. Estivemos dois anos fechados em casa e há uma necessidade de estar presente, de participar, de tentar recuperar o tempo perdido" - é normal, portanto, que os números relativos ao público e aos seus consumos subam em 2022.

Mais do que música - uma experiência

Hoje, os nomes que estão no cartaz continuam a ser a principal atração, mas o público está cada vez mais exigente e já não quer só ter um bom alinhamento, quer algo mais, e os promotores sabem disso. "É um fenómeno que não se limita à música mas que está presente um pouco em tudo", explica Nuno Galopim. "No turismo, por exemplo, as pessoas já não querem ir só visitar os monumentos, mas querem também ter experiências gastronómicas ou outras." 

A experiência pode ser desfrutar da natureza e do "Couraíso" (em Paredes de Coura) ou "viver a aldeia" (como anuncia o Bons Sons). Mas também pode ser fazer coroas de flores no cabelo e tirar fotografias por entre as árvores para publicar no Instagram (no Primavera Sound). A experiência pode ser deslizar num slide sobre o Palco Mundo, jantar uma refeição cozinhada por um chef famoso, andar numa roda gigante ou passear pela Rock Street (no Rock in Rio). Ou pode ser acampar com amigos e passar uns dias na praia enquanto à noite se ouve música (no Sudoeste).

Festival Primavera Sound

"Os promotores estão cada vez mais preocupados com o público e sabem que é preciso oferecer mais do que música, organizam outras atividades paralelas e têm espaços diferentes. Estão a fazer um excelente trabalho para que as pessoas permaneçam mais tempo tempo no recinto e não se limitem a ir lá só para ver um concerto", explica Ricardo Bramão, da Aporfest.

Apesar de tudo, os promotores acreditam que a música é o principal motor dos festivaleiros. A música e, como diz Covões, aquela "sensação fantástica de estar num concerto com outras pessoas, a partilhar aquelas emoções todas." "O ser humano é um animal do relacionamento. Fomos feitos para estarmos juntos, para nos tocarmos, para convivermos. E os festivais são isso. É uma oportunidade para ver bons concertos mas também é um momento de partilha", diz o promotor da Everything Is New. Essa é "a verdadeira experiência".

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Ainda há muitos festivais de música este verão. Estes são apenas alguns:

Festival Nos Alive

 

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