REVISTA DE IMPRENSA | Em 2025, foram aplicados à ferrovia 412 milhões de euros, menos 200 milhões do que em 2024
Em ano de recorde de passageiros na ferrovia, o serviço ferroviário em Portugal regista uma deterioração significativa. Segundo dados da Infraestruturas de Portugal (IP), plasmados no mais recente relatório e contas, o índice de pontualidade tem vindo a piorar e pelo menos um em cada cinco comboios circulam com atraso. Em 2025, segundo o Jornal de Notícias, 22,8% dos comboios da CP - Comboios de Portugal e da Fertagus não cumpriram os horários definidos.
A tendência de degradação do serviço já se prolonga há três anos consecutivos, atingindo o pior resultado desde a fusão da Refer com a Estradas de Portugal, em 2014, que deu origem à IP. O documento aponta como causas para os atrasos os “trabalhos de modernização”, que condicionam a velocidade nas linhas, bem como avarias nas infraestruturas, acidentes, incidentes com passageiros, condições meteorológicas adversas e ainda tempos de paragem excedidos, formação ou manobras de comboios.
Estes fatores são atribuídos tanto aos operadores ferroviários como à própria Infraestruturas de Portugal. Especialistas ouvidos pelo Jornal de Notícias apontam ainda o congestionamento da linha do Norte e a “má qualidade” dos investimentos como elementos que agravam a situação operacional da rede ferroviária.
Paralelamente, o investimento na ferrovia recuou de forma significativa. Em 2025, foram aplicados 412 milhões de euros, menos 200 milhões do que em 2024, o que representa uma quebra de 34%. Em sentido inverso, a rodovia viu o investimento aumentar 98%, para 213 milhões de euros, impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Do total investido na ferrovia, quase 100 milhões de euros foram destinados à modernização da linha da Beira Alta.
