Ligação entre Porto e Lisboa vai demorar 1:15, mas só depois de 2030: tudo o que se sabe sobre a nova linha de alta velocidade

28 set, 10:59

A construção da nova linha far-se-á a partir do Porto, onde está em cima da mesa a construção de uma ponte rodoviária e ferroviária sobre o Douro

​​​​O Governo acaba de lançar o projeto da nova linha de alta velocidade Porto-Lisboa, que pretende ligar as duas principais cidades do país em apenas 1:15 no serviço direto, sem paragens.

A primeira fase do projeto, prevista até 2028, passa pela construção do troço entre Porto e Soure, "o troço mais congestionado da linha do norte", segundo Carlos Fernandes, membro do conselho de administração de Infraestruturas de Portugal. O tempo de percurso estimado para esta fase é de 1:59.

Segue-se o segundo troço entre Soure e Carregado, que deve estar concluído até 2030, e que diminuirá substancialmente o tempo de percurso para 1:19. Já a terceira fase, entre Carregado e Lisboa, prevê-se que seja construída mais tarde e permitirá atingir a duração final de 1:15.

"Esta linha estará totalmente integrada com o resto da rede ferroviária nacional", afirmou Carlos Fernandes, adiantando que estão previstas "múltiplas ligações" entre a linha de alta velocidade e o resto da rede ferroviária.

Além da criação de uma estação em Vila Nova de Gaia, a Infraestruturas de Portugal admitiu estar a estudar uma nova travessia do Douro, na zona do Porto. "Aqui estamos particularmente condicionados porque temos uma estação em Santo Ovídio e outra em Campanhã, portanto as alternativas obviamente como imaginam são muito poucas".

"Estudámos uma solução que depois veio a calhar mais ou menos no alinhamento de uma ponte à cota baixa que está também estudada pela Câmara do Porto e pela de Gaia", indicou ainda Carlos Fernandes, adiantando que foi também feita a avaliação técnica da possibilidade de fundir estas duas pontes. "A viabilidade técnica da fusão técnica destas duas pontes está perfeitamente demonstrada e do ponto de vista financeiro é muito interessante", concluiu.

O arranque do projeto na estação de Campanhã contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. Também o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, esteve presente.

"Este é um grande dia em que vamos ver nascer aquilo que, para a minha geração, é uma esperança sempre adiada", afirmou o autarca do Porto, na abertura da cerimónia.

"É uma revolução", diz Pedro Nuno Santos

O ministro da Infraestruturas congratulou-se pelo projeto da nova linha de alta velocidade, considerando-a como "uma base para o desenvolvimento da sociedade": "A vida do país e a de quem nele vive será melhor", afirmou.

"O país precisa de investir para recuperar as décadas de atraso que tem", apontou Pedro Nuno Santos, reiterando que "não podemos hesitar mais, nem adiar mais".

Costa defende que país tem condições para avançar sem sobressaltos

O primeiro-ministro afirmou que o país tem "condições financeiras" para assumir o projeto da alta velocidade Lisboa-Porto-Vigo "com tranquilidade" e sem "sobressaltos que o ponham em causa", sublinhando que reuniu uma "larguíssima maioria".

"O país tem hoje condições financeiras para poder assumir este projeto com a tranquilidade" que não haverá "sobressaltos que o ponham em causa", declarou o primeiro-ministro, António Costa. 

O governante salientou que infraestruturas como esta "transcendem qualquer maioria": "Os grandes projetos estruturantes, a rodovia, ferrovia e aeroportuária têm de ser objeto de grande consenso nacional, validados na Assembleia da República e ter, pelo menos, o apoio de dois terços", disse, sublinhando que o projeto reuniu uma "larguíssima maioria" na AR.

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