MUNDIAL 2026

Saiba tudo aqui
Mais sobre o Mundial 2026

"Corremos o risco de destruir uma lenda": primeiro elétrico da Ferrari gera reações negativas (até do governo italiano) e faz cair ações da marca

27 mai, 13:03
20260526 Ferrari Luce 5
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Apresentação do Luce, o primeiro Ferrari totalmente elétrico, desencadeou uma onda de críticas de investidores, especialistas e antigos responsáveis da marca

A estreia do primeiro Ferrari totalmente elétrico está a gerar forte contestação entre investidores e críticos, com o novo Luce a provocar uma reação negativa no mercado e a levantar dúvidas sobre a fidelidade da marca à sua identidade histórica.

As ações da fabricante italiana caíram mais de 8% em Milão, segundo a Reuters, enquanto em Nova Iorque recuaram mais de 5%, refletindo a desconfiança em torno do novo modelo. O Luce, um familiar de quatro portas e cinco lugares, com preço base de 550 mil euros, representa uma mudança radical para a marca.

Desenvolvido com o contributo de Jony Ive, antigo responsável de design da Apple, o modelo assinala a entrada da Ferrari no segmento 100% elétrico, uma mudança estratégica para uma marca tradicionalmente associada a motores de combustão de elevado desempenho e ao som característico que sempre definiu os seus automóveis.

A reação nas redes sociais foi maioritariamente negativa, com vários comentários a criticarem a estética do veículo (com dezenas de memes) e a questionarem a sua ligação ao ADN da Ferrari. Mas também figuras públicas se juntaram às críticas.

O vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, foi uma das vozes mais sonantes, ao afirmar que o modelo “não parece um Ferrari”. “Não se parece nada com um (Ferrari). É isto que se chama “inovação”? Quem sabe o que diria (o fundador da empresa) Enzo Ferrari”, escreveu Salvini, no X.

Enquanto isso, Luca Cordero di Montezemolo, antigo presidente da marca, classificou o lançamento como uma rutura com a história da fabricante.

“Espero que retirem o cavalo empinado (logótipo) daquele carro”, afirmou à margem de uma conferência empresarial em Roma, ele que ocupou vários cargos de liderança na Ferrari durante mais de 20 anos antes de uma saída conturbada em 2014.

“Corremos o risco de destruir uma lenda, e lamento muito por isso”, acrescentou, visivelmente emocionado.

Na mesma linha, Flavio Briatore, empresário amplamente reconhecido pela sua ligação à Fórmula 1, também reagiu ao lançamento e deixou críticas ao novo modelo elétrico da Ferrari. O italiano afirmou que o carro tem apenas uma vantagem: “não vai ser copiado pelos chineses”, numa declaração interpretada como uma crítica ao design e à qualidade do novo veículo.

Apesar da reação, a Ferrari mantém a aposta. O modelo, cujo nome remete para a palavra italiana “luz”, deverá começar a ser entregue no último trimestre e foi pensado para conquistar novos mercados, em particular a China, onde os elétricos têm um peso crescente no segmento premium.

A marca pretende ainda captar uma nova geração de compradores de elevado poder financeiro, incluindo empresários do setor tecnológico em polos como Silicon Valley, alargando assim o seu alcance para lá da base tradicional de colecionadores.

Ferrari Luce. Foto Ferrari

Um caminho de desafios

O desenvolvimento de um desportivo elétrico representa um desafio acrescido, sobretudo pela dificuldade em recriar a emoção associada aos motores de combustão, tanto pela ausência do som característico como pelo peso adicional das baterias.

Apesar das reservas, algumas marcas mantêm o investimento. A Jaguar avançou com a transformação da marca numa insígnia totalmente elétrica e prepara o lançamento de um novo modelo acima das 100 mil libras (mais de 115 mil euros). Enquanto isso, a Rolls-Royce está a desenvolver um veículo elétrico exclusivo para um grupo restrito de colecionadores.

Outras fabricantes, no entanto, optaram por travar ou rever os seus planos. A Porsche reduziu a aposta depois de perdas associadas à transição elétrica, redirecionando investimento para motores a combustão e híbridos.

Já a Lamborghini cancelou o lançamento do seu primeiro modelo totalmente elétrico até 2030, preferindo avançar com um híbrido plug-in. Também a Lotus, a Aston Martin, a McLaren e a Bentley ajustaram estratégias, privilegiando soluções híbridas.

A própria Ferrari procura responder a este desafio com o Luce, o seu primeiro modelo totalmente elétrico, desenhado para reduzir o peso da bateria e equipado com motores e componentes que produzem um som inspirado numa guitarra elétrica.

"Investimos muito dinheiro nisso, mas também trabalhámos para tornar este carro lucrativo", defendeu o presidente executivo da marca, Benedetto Vigna, defendendo ainda o projeto como uma forma de “levar mais longe a bandeira da inovação” e sublinhando que o investimento foi pensado para garantir rentabilidade.

Segundo o Financial Times, o fabricante não divulgou metas concretas de vendas, mas mantém a intenção de que 20% da sua gama seja totalmente elétrica até 2030, ainda que esse objetivo represente metade da meta inicialmente traçada.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Automóvel

Mais Automóvel

Na SELFIE