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"Triste" com Villas-Boas e com "medo" do que pode acontecer a Pinto da Costa. Fernando Póvoas abre o jogo sobre a crise no FC Porto

5 jun, 22:00

Médico admite empréstimo milionário, mas não sabe para que serviu o dinheiro, cujo prazo de devolução termina em breve

Foi um empréstimo milionário contratualizado ainda com a administração gerida por Jorge Nuno Pinto da Costa, mas só agora se soube dos mais de dois milhões de euros que Fernando Póvoas emprestou ao clube, e que são parte da explicação para a falta de dinheiro em caixa.

É que André Villas-Boas encontrou apenas oito mil euros em caixa, mesmo que sejam necessários 15 milhões de euros para fazer face a despesas imediatas. Para isso podia ajudar o prémio de entrada na Liga Europa, mas até esse dinheiro já tem destino, servindo para pagar a dívida ao médico.

Em entrevista à CNN Portugal, Fernando Póvoas confirmou que o empréstimo é superior a dois milhões de euros, garantindo que deu o dinheiro ao clube sem qualquer tipo de juros, admitindo mesmo que está a perder dinheiro, uma vez que no banco a quantia podia valorizar.

Apesar disso, não é a demora no pagamento que incomoda o médico, mas sim a divulgação do seu nome como uma das pessoas que emprestou dinheiro ao FC Porto. "Estou triste, desiludido e magoado por vários fatores. Quando emprestamos dinheiro a uma instituição, como o FC Porto, devemos fazê-lo sempre de forma discreta e silenciosa", referiu, recusando exibicionismo com este empréstimo.

"Infelizmente a nova direção decidiu divulgar, e confesso que fiquei triste por o ter feito", acrescentou, recusando a versão de que o empréstimo tenha sido feito a Pinto da Costa, mas antes ao FC Porto, situação que até já tinha acontecido "muitas outras vezes", sendo que o clube nunca falhou na devolução do dinheiro.

O que está em causa é a formalização de duas letras que garantiam o pagamento do dinheiro de volta, até porque foram passadas em maio, já depois das eleições ganhas por Villas-Boas, mas ainda antes da administração Pinto da Costa sair da SAD.

Questionado pela CNN Portugal sobre a altura de devolução do dinheiro, Fernando Póvoas explicou que o prazo termina, no caso de uma, já em junho, acabando a outra em julho. Ainda assim o médico mostra-se disponível a alongar o prazo para receber o dinheiro, caso as dificuldades do FC Porto assim o exijam.

"Estaria sempre disponível para adiar o pagamento, apesar de me sentir triste e magoado", afirmou, admitindo disponibilidade para ajudar o FC Porto mais uma vez.

Sobre essas mesmas dificuldades financeiras, Fernando Póvoas reconhece preocupação, até porque "o futebol está diferente".

Preocupação com Pinto da Costa

Preocupações financeiras, sim, mas também com a saúde de Pinto da Costa. Fernando Póvoas reconhece que o estado de saúde do ex-presidente do FC Porto é, como seria de esperar para alguém com 86 anos, mais débil, ainda que não seja detetado nenhum problema de maior.

Embora não conheça qualquer problema de saúde a Pinto da Costa, o médico admite que a saída do clube, depois de 42 anos de serviço, pode vir a ser altamente relevante no futuro. "É daqueles que se levanta às 08:00, vai ao juvenis, vai aos juniores, vai ao andebol, vai ao voleibol, ao basquetebol, depois tem reuniões à tarde. A vida dele é o FC Porto", explica.

"Acordar de manhã e vai onde... acredito que vai sentir-se menos bem nos próximos tempos. Tenho medo do que possa acontecer", acrescentou, reiterando que esta situação pode ser pior para a saúde do ex-presidente, que até se encontra de férias.

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