O debate do não “casinho” chamado TAP. Ana Catarina Mendes foi moça de recados para um Medina “leviano”, um Costa que “desbaratou” confiança e um Pedro Nuno “cobarde”

4 jan, 17:40

Debate de urgência foi pedido pelo PSD, que aproveitou para atacar a ausência de Medina. Todos os partidos insistiram na gravidade da polémica na TAP e lamentam que maioria absoluta esteja a ser usada para bloquear o esclarecimento dos portugueses. Ministra admitiu "erro" mas focou-se nos feitos da governação. Foi criticada por isso

“Casinho” foi a palavra mais repetida ao longo do debate de urgência desta quarta-feira, para a oposição mostrar à maioria absoluta socialista que é o que não se passa na TAP.

Mas houve outra palavra forte no debate: “leviandade”. Foi com força que o PSD, que pediu o debate de urgência, usou esta palavra e seus derivados para descrever Fernando Medina.

No arranque, com o líder parlamentar Joaquim Miranda Sarmento, que descreveu o ministro das Finanças como “incompetente, leviano e irresponsável”. No fecho, com Duarte Pacheco a dizer que Medina governa com "leviandade pura".  

“Ele vai ter de cá vir e dizer-nos se gere o país com a mesma leviandade com que analisa as pessoas que contrata”, avisou. Mas Costa também esteve na mira, porque o seu Governo “desbarata a estabilidade política” confiada pelos portugueses com a maioria absoluta.

(António Pedro Santos/Lusa)

Ana Catarina Mendes, a “artista” “sozinha e abandonada”

Em frente, o Governo representado numa só pessoa: Ana Catarina Mendes, ministra dos Assuntos Parlamentares, “sozinha e abandonada”. A protagonista que ocupou um lugar que a oposição queria ver preenchido por António Costa ou Fernando Medina – um cenário que todos os partidos, à exceção do PS, fizeram questão de destacar ao longo do debate.

Ana Catarina Mendes quase serviu como moça de recados para os colegas (e ex-colegas) de Governo. Paulo Moniz, do PSD, foi direto: “Diga a António Costa e Fernando Medina, que estão habituados a gerir à sua maneira, que esta Assembleia, o Governo e o país não é a Câmara de Lisboa.”

Já Duarte Pacheco deixou a governante, literalmente, de boca aberta: “A senhora é mesmo uma artista. Trouxe-nos uma ária de ópera lindíssima, para encantar os portugueses e adormecê-los. Mas representou um insulto à inteligência dos portugueses.”

(António Pedro Santos/Lusa)

Governo e PS focados na governação e “descolados da realidade”

A ministra assumiu o “erro” da nomeação de Alexandra Reis. “Identificámos o erro, assumimos a responsabilidade, corrigimos e encontrámos a solução. A isto chama-se honrar o mandato que os portugueses confiaram, uma maioria absoluta que não se desliga da realidade”, afirmou.

E seguiu para o retrato dos feitos e prioridades da governação. A postura foi replicada pela socialista Susana Amadora. “Descolagem da realidade” ou “exercício de propaganda” foram algumas das expressões usadas pelas bancadas.

Por exemplo, Mariana Mortágua insistiu que “um casinho não ceifa na mesma semana” três governantes e que o país “quer respostas”. A bloquista acusou a ministra e a deputada socialista de terem esgotado de propósito o seu tempo de intervenção com o retrato do país para fugir às questões sobre a TAP.

(António Pedro Santos/Lusa)

Ventura não esqueceu bate-boca com Pedro Nuno. E atira: “cobardia”

Um dos momentos mais quentes do debate aconteceu quando o presidente do Chega, André Ventura, criticou a ausência do antigo ministro das Infraestruturas e da Habitação, acusando Pedro Nuno Santos de “cobardia”. E recuperou outro momento intenso da vida parlamentar recente: quando o ex-governante tinha dito que iria ficar no Parlamento mais tempo que o próprio André Ventura. “Disse que ainda iria estar na Assembleia quando eu já não estivesse”, recordou.

"Há bocados de Governo espalhados por todo o lado. O PS está partido ao meio. Um Governo sem autoridade não tem moral para governar. Este é o momento de mudar de Governo", concluiu.

A Iniciativa Liberal, cuja moção de censura ao Governo é discutida esta quinta-feira, insistiu no cenário de eleições antecipadas. Para o deputado Bernardo Blanco, dessa forma, “o pântano terminaria já amanhã”, numa crítica à posição do PSD, que vai abster-se na votação.

Inês de Sousa Real, do PAN, pediu transparência sobre o caso da TAP. Rui Tavares, do Livre, aconselhou o Governo a governar como se não tivesse maioria absoluta, deixando Fernando Medina ir prestar esclarecimentos ao Parlamento. O PCP, através de Bruno Dias, insistiu que há urgência neste tema: “Não é nenhum 'fait-divers', senhora ministra, que uma administradora receba meio milhão de euros e os trabalhadores continuem com os vencimentos reduzidos.”

(António Pedro Santos/Lusa)

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