EXCLUSIVO Medina assina nomeação em contrato suspeito de corrupção para financiamento do PS

18 jan, 19:58

NOTÍCIA TVI /CNN PORTUGAL Esquema envolve a Câmara de Lisboa entre os anos de 2015 e 2016, na altura em que António Costa saiu e Fernando Medina assumiu a presidência da autarquia

A Polícia Judiciária fez esta terça-feira buscas na Câmara de Lisboa por suspeitas de corrupção, participação económica em negócio e falsificação, apurou a TVI/CNN Portugal, numa nomeação para prestação de serviços que foi assinada em 2015 pelo então autarca Fernando Medina, hoje ministro das Finanças.

Em causa, desde logo a viciação das regras para a contratação de um histórico do PS de Castelo Branco com vista à gestão das obras públicas na capital. O Ministério Público acredita que o objetivo do esquema visou a angariação de dinheiro em obras públicas, com subornos de empreiteiros, para o financiamento ilícito do PS, através dos chamados sacos azuis.
     
A PJ avançou ao mesmo tempo, e de forma cirúrgica, para buscas ao departamento de Urbanismo da autarquia da capital e aos domicílios e empresas de dois empresários de Castelo Branco, suspeitos de participarem num esquema de angariação de fundos para estruturas do Partido Socialista.

Os alvos, por suspeitas de corrupção, são Joaquim Morão, histórico socialista e ex-autarca de Castelo Branco e de Idanha a Nova, e o seu amigo António Realinho, empresário da mesma zona do país, que até já cumpriu pena de prisão por burla. 

O esquema envolve a Câmara de Lisboa entre os anos de 2015 e 2016, na altura em que António Costa saiu e Fernando Medina assumiu a presidência da autarquia. 

Com um despacho assinado por Fernando Medina, a que a TVI/CNN Portugal teve acesso, foi nomeada uma empresa de Joaquim Morão para consultoria das obras de requalificação da cidade. 

Foram feitos convites a outras duas empresas, para que apresentassem propostas, mas tudo não passou de uma simulação: essas empresas pertenciam a Realinho, parceiro de Morão noutros negócios a norte. E, na resposta aos convites da câmara, terão sido inclusive falsificadas assinaturas de António Realinho. 

A investigação acredita, pela prova até aqui reunida, que a contratação de Morão não só aconteceu de forma ilegal como foi uma fachada para esconder o verdadeiro propósito da missão do ex-autarca socialista da beira baixa: angariar nas obras públicas subornos para o chamado saco azul do partido.
  
Fernando Medina, então presidente da autarquia, será chamado a explicar o conhecimento que tinha, ou não, da contratação que assinou por dezenas de milhares de euros.   

Contactado pela TVI, referiu apenas: “Não tenho conhecimento de qualquer investigação sobre o tema referido. Os processos de contratação da Câmara Municipal de Lisboa eram instruídos pelos serviços competentes para contratação, no cumprimento das normas aplicáveis.”

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