Questionado se há uma nova vida no PS para Fernando Medina e para o ex-ministro do Ambiente Duarte Cordeiro, secretário-geral do PS respondeu que ambos “não tiveram em nenhum momento os seus direitos de intervenção política e cidadã coartados”.
O secretário-geral do PS considerou que o arquivamento do processo de Fernando Medina, no âmbito da operação Tutti Frutti, é uma “boa notícia”, mas pediu que se faça uma reflexão sobre a celeridade da justiça.
Em declarações aos jornalistas após ter visitado o Instituto Português de Oncologia (IPO), em Lisboa, Pedro Nuno Santos foi questionado sobre o arquivamento do processo contra o antigo ministro e atual deputado do PS Fernando Medina, no âmbito da operação Tutti Frutti, respondendo que é uma boa notícia para o partido.
“Obviamente que são notícias boas. A notícia má é que as pessoas que tiveram o seu nome na praça pública envolvido neste caso, tivessem de esperar oito ou nove anos - não me quero enganar - pelo arquivamento do processo”, respondeu.
O secretário-geral do PS considerou que “isso sim é preocupante” e deve fazer todos pensar, “porque obviamente estes processos têm impacto na vida das pessoas e se há pessoas que têm envolvimento, há [outras] pessoas que não têm”.
“Por isso é que os processos têm de ser mais céleres para protegermos a nossa democracia, o nosso Estado de direito democrático. Portanto, a notícia boa é a do arquivamento, a notícia má é do tempo que demorou até ao arquivamento”, disse.
Questionado se há uma nova vida no PS para Fernando Medina e para o ex-ministro do Ambiente Duarte Cordeiro - cujo nome também tinha sido investigado na operação Tutti Frutti, mas que não chegou a ser constituído arguido -, Pedro Nuno Santos respondeu que ambos “não tiveram em nenhum momento os seus direitos de intervenção política e cidadã coartados”.
“Portanto, continuam obviamente na plenitude das possibilidades de intervir politicamente no país e o país bem precisa deles”, disse.
Sobre se Fernando Medina pode ser mais um nome para o PS incluir na lista de potenciais candidatos presidenciais, o secretário-geral do PS disse não quer “contribuir mais para esse debate e para uma eleição que é daqui a um ano”.
“No tempo certo, o PS decidirá o seu apoio”, afirmou.
Interrogado se não teme que Fernando Medina se possa juntar ao grupo de personalidades do PS que têm feito críticas à atual direção, Pedro Nuno Santos respondeu: “O PS, ao contrário do que alguns vão dizendo, é um partido que está profundamente unido”.
“Agora, isso não quer dizer que não possa haver pontualmente opiniões diferentes daquela que tem o secretário-geral do PS, mas secretário-geral do PS só há um”, disse.
Duarte Cordeiro "finalmente livre"
Duarte Cordeiro, que não foi constituído arguido, já reagiu ao arquivamento do processo. Numa publicação no Instagram, o ex-ministro do Ambiente escreve que está "finalmente livre".
"Ficou clarificado o que sempre disse. Não há nada que me surpreenda no que me diz respeito e só lamento o tempo que demoram estes processos a concluírem as suas investigações. Relembro que nunca fui sequer ouvido. Depois de anos a lidar com especulação e suspeita fico finalmente livre", lê-se na publicação.
O Ministério Público deduziu acusação contra 60 arguidos no âmbito do processo 'Tutti Frutti' por crimes de corrupção, prevaricação, branqueamento e tráfico de influência.
De acordo com a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, entre os 60 arguidos está o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luís Newton, e o deputado do PSD Carlos Eduardo Reis.
Fernando Medina, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, não foi acusado pelo Ministério Público, tendo este entendido que não foi possível deduzir que Fernando Medina tivesse atuado “com o propósito inequívoco” de beneficiar outros arguidos.
“A conclusão que se impõe é a de que não se demonstrou a prática de factos suscetíveis de integrar os crimes de corrupção ativa e passiva, inicialmente referenciados, nem do crime de prevaricação imputado ao arguido Fernando Medina, nos moldes explanados”, lê-se na acusação.