É com ele que Lisboa vai aprender muito com o Porto. Eis Fernando Araújo, o novo CEO da saúde (que tem um defeito irreversível)

16 set, 07:00
Fernando Araújo e Graça Freitas

Focado, exigente e metódico. Teimoso, cauteloso e forreta. Ou o gestor metódico que gosta de açúcar e alcunhou um “imposto do pecado”. Perfil de Fernando Araújo, o médico de 56 anos nomeado diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, homem com quem é “impossível ter um choque”. Até agora.

Vai ter uma reunião com ele? Prepare-se bem. Quer pedir-lhe dinheiro? Hum… não vai ser fácil. Nem se lhe der um doce – e ele adora açúcares, mesmo se foi ele que os amargou com impostos. Quer conhecer-lhe virtudes? Fale com quem o conhece. Defeitos? Bom, encontrámos um, mas se é defeito ou virtude depende da cor de um coração. Quer conhecê-lo, este homem de quem toda a gente de repente fala mas poucos conhecem? Então leia este texto: Fernando Araújo, 56 anos, foi o desejado do governo (e de meio mundo) para esse cargo nascituro chamado “diretor-executivo do SNS”.

O CEO.

Sim, antes de confirmado, foi “desejado”: o seu nome já circulava nas notícias antes de o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa promulgar o diploma que criaria o cargo e Fernando Araújo portanto ainda não o aceitara. Portanto e por mais: o novo ministro Manuel Pizarro já o contactara, ele estava disponível - mas só se tivesse condições. E ter condições era ter autonomia para o que a função exige. Este “desejado” sairá do Porto mas não da bruma, como no mito português, o do “louco, sim, louco porque quis grandeza”, como escreveu Pessoa sobre "O Desejado” pátrio. Mas louco não é este médico ex-político atual gestor presuntivo diretor. É o Dr. Araújo, não é o D. Sebastião.

“Infelizmente, não acredito que vá ser o Dom Sebastião”. O trava-entusiasmos é do irmão, António Araújo, que não duvida do cavaleiro mas talvez da coudelaria. “Há uma expectativa em torno dele”, sim, e se António desconfia do sebastianismo à volta de Fernando Araújo “não é por causa dele, mas pela forma como estão a criar este cargo e pela relação com o Estado”, previne sem se alongar. Não se lamentará mais – ainda dará muitas gargalhadas por este texto abaixo e nos revelará um defeito do irmão – um daqueles que depende de quem lê.

Não será o único. Além de António Araújo, a CNN Portugal falou com meia dúzia de pessoas que convivem, trabalham e conhecem o atual (o ainda?) diretor do Hospital de São João, no Porto. Outros dirão coisas como que ele “é teimoso", mas "no bom sentido”. Feito ou defeito?

Conheçamos o homem.

Fernando Araújo foi secretário de Estado Adjunto e da Saúde do XX Governo Constitucional, cargo que ocupou entre 2015 e 2018. (Fotografia: Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar)

Nasceu aluno, fez-se médico, cresceu gestor

O homem e a cidade – afinal, “Lisboa tem muito a aprender com o Porto em muitas coisas, designadamente em matéria de organização dos serviços de saúde”, disse o primeiro-ministro esta semana em entrevista à CNN Portugal/TVI, sim, “tem muitíssimo a aprender com o Porto”.

Tem sido realçado, na pandemia como nas crises das urgências, que as virtudes resultam do trabalho cruzado entre estabelecimentos de saúde do (grande) Porto, Administração Regional de Saúde do Norte e câmaras municipais – e também com a universidade, que é aliás mais valorizada pelos alunos que se candidatam do que a Universidade de Lisboa, como se vê pelas médias mais elevadas de acesso, quer na Faculdade de Medicina (média de acesso de 18,82 valores), quer no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (19 valores).

Da Universidade do Porto saíram médicos-poetas (Jorge Sousa Braga, João Luís Barreto Guimarães), médicos-pianistas (Rui Soares da Costa), médicos-artistas plásticos (Abel Salazar, claro), médicos-gestores culturais (Paulo Cunha e Silva), médicos-comunicadores (Júlio Machado Vaz), desportistas (a voleibolista Maria José Schuller), médicos-empresários (Luís Portela), médicos-autarcas (Luís Filipe Menezes), médicos-secretários de Estado (Raquel Duarte), médicos-ministros (Manuel Pizarro) e... médicos-gestores (ecce homo, Fernando Araújo).

Eis o homem, Fernando Araújo, já gestor antes de ser diretor-executivo. Era presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João (desde 2018), depois de ser secretário de Estado Adjunto e da Saúde (2015-2018) e presidente da ARS Norte (2005-2011). Foi quase sempre no Porto, onde nasceu em 1966, que traçou o seu caminho académico e profissional. É licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, pós-graduado em Gestão pela Universidade Católica do Porto e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

“Ele sempre foi muito organizado, muito focado e muito exigente. E foi sempre muito bom aluno - foi por ser muito bom aluno que foi bolseiro da Fundação Gulbenkian durante a faculdade”, conta-nos António Araújo, também médico e atual diretor do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto.

Organizado, eficaz, humano

António Sarmento (o respeitadíssimo “Doutor Sarmento”, cuja imagem como primeiro português a ser vacinado contra a Covid-19 rodopiou em televisões e jornais), conta-nos, por telefone, que “como gestor”, Fernando Araújo “tem uma vertente humana muito importante, é exigente connosco, sempre decidido”. “Nunca o vi a tratar mal ninguém”, responde. “É uma opinião generalizada: nunca tivemos um presidente de Conselho de Administração com esta categoria, sentimo-nos muito receosos com a saída”, confessa o infeciologista do Hospital de São João.

A diretora clínica Maria João Baptista destaca também o lado humano. “Tem uma grande empatia, mas deixa-se tocar pelas cartas enviadas pelos utentes e telefona pessoalmente para resolver o problema das pessoas. Não há carta, reclamação ou elogio que chegue ao hospital que ele não tome para si de forma empenhada”, diz.

A diretora clínica do São João conta que Fernando Araújo “anda todos os dias pelo hospital, a falar com as pessoas, a perceber onde estão os problemas”, tanto que passa mais tempo pelos corredores e serviços do que no gabinete. “Se vir uma janela que não está direita num corredor, vai falar com alguém que possa compor”, exemplifica Maria João Baptista. E se vir as pessoas perdidas ou desorientadas pelo hospital, é senhor para pedir para “modificar a sinalética”.

A “inteligência emocional” realçada por Maria João Baptista faz eco no irmão, que diz que ele “tem uma atenção particular às crianças, gosta muito de brincar com elas, nesse sentido é uma pessoa mais sensível”, relata António Araújo. “É genuinamente interessado no bem-estar de profissionais, dos doentes, das pessoas que o rodeiam. É preocupado em ouvir, em ajudar e em resolver”, diz a médica, que destaca ainda a “imensa capacidade de gerir as pessoas, de incutir entusiasmo nas pessoas, que as pessoas deem o melhor de si próprias”.

Fernando Araújo é licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, pós-graduado em Gestão pela Universidade Católica do Porto e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. (Fotografia: Lusa)

Um concretizador (com memória de elefante)

Como gere Fernando Araújo, que tipo de líder é? "Tranquilo" pode ser uma das primeiras respostas.

“Não havia discussões, o ambiente era de tranquilidade, de segurança, o Fernando é uma pessoa que nos faz sentir seguros até na pior fase”, revela António Sarmento, que já fala no passado. Não é único: “Ele não era capaz de ir para uma reunião sem ter as coisas muito bem preparadas, era a pessoa mais preparada”, recorda já Serafim Guimarães, ex-presidente da Comissão Nacional dos Internos Médicos, com quem Fernando Araújo se cruzou muito nos tempos da ARS Norte. 

Nas reuniões, Fernando Araújo ouve e tira notas, mas o seu grande trunfo é a memória. “Tem as coisas na cabeça de forma muito esquematizada, tem uma memória impressionante, não conheço ninguém que se recorde de tantos detalhes. Tem uma plasticidade mental que considero muito rara”, qualifica Maria João Baptista. “É uma pessoa de esquemas, de agenda definida, de levar e tirar notas nas reuniões”, detalha a médica: Fernando Araújo “planifica tudo, organiza tudo, segue os processos, agenda uma primeira reunião e já há logo outra agendada para o seguimento”, mas “muito facilmente se adapta a uma nova informação”.

António Araújo complementa: “Consegue estabelecer pontes de diálogo com muita facilidade, permite ajustar muitas vezes as posições mais extremadas”. Muitas vezes com humor: “encontra sempre o lado mais divertido e humorado da vida. Trabalhar com ele não é desgastante”, adianta Maria João Baptista.

“Ouvia as pessoas, pensava e decidia. Executava e nascia a obra”

Esta frase-resumo é do infecciologista António Sarmento, que trabalhou pela primeira vez de perto com Fernando Araújo no Conselho de Administração da ARS Norte: “Já nessa altura fez um trabalho fantástico. Havia coisas que só existiam no papel e, quando ele foi para lá, começaram a funcionar e de um dia para o outro - e a funcionar bem!”

Conselho de administração do Hospital de São João liderado por Fernando Araújo, com Luís Carlos Fontoura Porto Gomes, Maria João Baptista, Maria Filomena Teixeira Cardoso e Carla Sofia Sales Leal Araújo. Foto Hospital de São João

“Ele tem três características que acho absolutamente inexplicáveis, 90% das pessoas aqui no hospital [São João] dirão o mesmo”, prossegue António Sarmento: “É uma pessoa de uma eficácia absolutamente incrível, tem uma capacidade de trabalho como nunca vi (quando foi a pandemia, tanto fazia ser fim-de-semana como meio da noite ou da tarde, ele estava sempre disponível, tinha um método de organização absolutamente fantástico); e ouvia as pessoas, uma a uma e com muita atenção, pensava e decidia. Executava e nascia a obra”, descreve o médico.

A capacidade de concretizar ideias é uma das características também apontadas por Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, que se cruzou com Fernando Araújo logo nos tempos de faculdade - onde “sempre foi bom aluno, muito aplicado” – e depois profissionalmente. “Quando se mete num projeto, seja qual for, vai ao fim, dedica muito do seu tempo e energia, gosta de resolver o mais rápido possível o que está decidido”.

Maria João Batista corrobora: “Nunca deixo de espantar-me com essa capacidade que ele tem de fazer acontecer as coisas, concretizar projetos que estão na cabeça das pessoas há muito tempo”.

Mas concretizou o quê?

Três obras (uma com “pecado”… de alcunha)

“Ele trabalha muito, sabe muito e não faz nada por acaso”, lista o médico Serafim Guimarães. Além dos cargos (e a lista supra é sumaríssima) há as obras. Destacam-nos três: a mudança na prova de acesso à especialidade médica, as cirurgias ambulatórias e o imposto sobre o açúcar, a que ele e os colegas no governo chamavam de “imposto do pecado”.

A mudança na prova de acesso à especialidade médica ditou o fim do temido exame Harrison. Miguel Guimarães diz que tal foi o resultado do foco e da capacidade de escutar e trabalhar em equipa. E destaca um momento, aquando do trabalho conjunto entre a Ordem e o então secretário de Estado: “Mudámos em poucos meses o que estava para ser mudado há 40 anos. É um episódio extremamente positivo e uma mais-valia para o acesso à especialidade. O exame agora é muito mais próximo daquilo que deve ser um exame deste género”, diz o bastonário.

Fernando Araújo foi também um dos responsáveis pela implementação do programa de cirurgia de ambulatório, que passou a permitir a um paciente ser operado e regressar a casa no mesmo dia. O programa está hoje presente em quase todos os hospitais do país.

Em 2008, Araújo era presidente da Comissão Nacional para o Desenvolvimento da Cirurgia de Ambulatório (CNADCA) e acompanhou de perto a implementação deste modelo nos hospitais portugueses, que começou a ganhar destaque no final dos anos 90 e permitiu reduzir o número de camas usadas em internamento pós-cirúrgico. “Antes de estar no governo, foi ele que preparou toda a documentação, doutrina e estrutura da cirurgia de ambulatório, foi ele que fez o relatório final, fez entrevistas com todos os hospitais, entre os quais o meu, o Curry Cabral. É focado, muito disciplinado. É um realizador”, descreve Manuel Delgado, que foi secretário de Estado da Saúde na mesma altura de Fernando Araújo, durante a governação de Adalberto Campos Fernandes no Ministério da Saúde.

O "painel" ouvido pela CNN Portugal. Da esquerda para a direita, 1º e 2º filas: Miguel Guimarães, António Araújo, Maria João Baptista, Francisco George, António Sarmento, Serafim Guimarães e Manuel Delgado falam sobre Fernando Araújo.   

Tanto Maria João Baptista como o antigo secretário de Estado e Francisco George destacam ainda o imposto sobre as bebidas açucaradas como uma das suas “obras”. Mas a diretora clínica do São João diz que é também uma das mais caricatas. “Ele é muito guloso”, conta a rir. “Adora doces, mas faz refeições muito equilibradas, apesar de não resistir aos doces”. “A forma como temos de o chatear é trazer os doces: ele consegue não resistir… e repete”, continua, ainda rindo. António Araújo situa-nos: “Ele tem uma vida muito saudável, pratica algum desporto, embora sem grande tempo para isso; não fuma, não bebe álcool”.

Gostos pessoais não anulam decisões coletivas - e foi assim que nasceu o também chamado ‘imposto Coca-Cola’, que levou a uma subida do preço das bebidas não alcoólicas açucaradas. Na reunião com o Ministério das Finanças, que na altura estava reticente quanto à criação deste imposto, “o Dr. Fernando puxou dos galões da saúde, o impacto do consumo excessivo, o benefício que traria para o setor a médio e longo prazo, para o combate à diabetes, AVC, enfartes agudos do miocárdio. E nós lá conseguimos algum ganho de causa, mas as coisas estiveram tremidas”, confidencia Manuel Delgado. Em 2021, este imposto rendeu quase 50 milhões de euros. Dados do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável mostram um decréscimo de consumo per capita de bebidas refrigerantes no período de 2017 e 2018.

Forreta?

Alguns relatos falam de um gestor forreta. É verdade? Bem, responde Maria João Batista, sim, mas no bom sentido. “Ele consegue direcionar os recursos financeiros de forma a que sejam aplicados de uma forma correta, é uma gestão inteligente. Da mesma forma que teria cuidado com as finanças dele, tem cuidado com as finanças públicas, para garantir que não se desperdiça".

"Não usa a posição para tirar qualquer benefício", complementa. "Quando tomámos posse no Conselho de Administração, ele decidiu que não teríamos carro do hospital, cada um de nós usa o seu carro, não imputamos despesa ao hospital com as nossas deslocações, nós pagamos o nosso parque”, exemplifica.

E como será como CEO do SNS?

Antes de estar na ARS Norte, de ser secretário de Estado e de liderar o São João, Fernando Araújo teve vários cargos: foi diretor do serviço de Imuno-hemoterapia e do Centro de Medicina Laboratorial do Centro Hospitalar Universitário São João e, entre 2012 e 2015, foi presidente da direção do Colégio da Especialidade de Imuno-hemoterapia e membro da direção da Competência de Gestão de Serviços de Saúde da Ordem dos Médicos, foi professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto entre 2007 e 2015.

A próxima entrada no Currículo é agora a de diretor-executivo do SNS. Sendo-o, quebrará a unanimidade que o cerca? “Não”, respondem, nem as propostas “menos populistas” lhe trarão inimigos. 

O cargo de diretor-executivo do SNS poderá ser a sua maior prova de fogo. Será o primeiro na função e com a difícil tarefa de colocar nos eixos um serviço de saúde com muitos pontos em caos. “É a pessoa indicada” foi a frase que mais ouvimos.

Miguel Guimarães diz que, no que toca a “concretizar os objetivos, não basta ter ideias” e, nesse aspeto, Fernando Araújo é o nome certo. “Se tenho uma ideia, se acho que é positiva e que vai resolver [um problema], é preciso concretizar. É a pessoa certa para este lugar para este momento, é uma boa escolha”. Manuel Delgado realça que se trata de uma pessoa que “não adia: se tem de decidir, decide e faz”, respeitando “o ritmo de cada um”. Porque “não é ríspido, é uma pessoa calma, passa serenidade nos problemas, é contida na manifestação das suas emoções”. “Tem todo o perfil que tem para ser o que quer ser, ele faz tudo bem”, garante o antigo colega de ministério.

Francisco George, ex-diretor-geral da Saúde, concorda: “É uma escolha oportuna, uma vez que o cargo de diretor-executivo é fundamentalmente para assegurar a coordenação da qualidade assistencial, da prestação de cuidados. Ele como médico e como administrador hospitalar, de reconhecida competência entre os pares, é a escolha certa”. “É muito fácil trabalhar com o Fernando Araújo. Além da natural simpatia, e um sorriso sempre presente, é fácil devido à sua natural humildade”, acrescenta Francisco George.

Mas haverá dificuldades – eventualmente com fechos de maternidades ou numa “limpeza” a fundo às urgências. Não? “Nunca houve nenhum choque e considero impossível ter algum choque com ele”, assegura Francisco George.

“Tudo o que ele irá propor será baseado em números e em cenários reais ou potencialmente reais. As pessoas, mesmo em coisas consideradas menos positivas, acabam por concordar face à situação real, à justificação que é apresentada, adequada ao que se passa”, explica António Araújo. Manuel Delgado também não tem dúvidas, Fernando Araújo “assume” as responsabilidades, até porque “é muito rigoroso e justo”. “Em princípio sim, vai ter sucesso, mas a função é muito delicada, nem sei bem as competências que ele vai ter”, desabafa o antigo secretário de Estado.

“É expectável que tome decisões que, à partida, possam parecer menos populistas, mas precisamos de dirigentes que tomem decisões pelo aspeto positivo para toda a comunidade e não que sejam agradáveis para a opinião pública, para essas já temos pessoas”, atira Maria João Baptista.

Um sorriso e um defeito (... defeito?)

Deste gestor que “passa mais tempo pelos corredores do hospital do que no gabinete”, que tem um sentido de humor “refinado e inteligente”, não é fácil quebrar a unanimidade, mesmo quando pedimos que enumerem defeitos.

“É muito cauteloso”, diz Manuel Delgado, mas é no sentido de “querer clarificar” tudo e tomar a decisão mais acertada. É “exigente” e “organizado”, mas isso “são virtudes”, riposta António Araújo. É “muito teimoso”, diz Maria João Baptista, mas “no bom sentido”, acrescenta a rir, pela “assertividade e confiança nas suas opiniões”.

Bom, à custa de tanto puxarmos pelo defeito, lá lhe encontrámos um – e digamos que, neste caso, a doutrina divide-se. Vem do irmão, António Araújo, às gargalhadas: “Tem um defeito muito grande - é benfiquista”. 

Eis o homem que será o primeiro diretor-executivo do SNS. “Pode ter a certeza que será bom se for ele o CEO”, concluíra António Sarmento antes dele ser confirmado. “Não vai deixar a tarefa por cumprir. Se não cumprir, vem embora. Mas nunca o vi desistir”.

 

Nota: este artigo foi originalmente publicado a 16 de setembro, quando Fernando Araújo não tinha ainda aceitado o convite para ser diretor-executivo do SNS. O texto foi depois adaptado, a 23 de setembro, adaptando-se ao anúncio oficial do novo cargo, assim retirando anacronismos. Todas as declarações aqui citadas são do texto original, logo anteriores à confirmação de Fernando Araújo como novo diretor-geral do SNS.

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