"As temperaturas elevadas provocam acidentes mais graves do que a chuva. E se andar a 90 km/h poupa 33% em combustível": como conduzir em segurança nas férias

16 jul, 10:00
Condução (Pexels)

E não se esqueça dos óculos de sol - são necessário não só para a praia mas para dentro do carro: eis os conselhos para uma condução em segurança neste período de férias

O ano de 2022 marca o regresso às férias sem restrições covid. São esperados mais carros nas estradas e nas ruas, viagens mais longas e, por consequência, uma maior probabilidade de acidentes de viação.

“Uma questão fundamental é a velocidade. Não se trata somente de não exceder os limites máximos mas de manter a velocidade adequada às questões do tempo - é essencial para a segurança”, começa por dizer à CNN Portugal Carlos Lopes, diretor da Unidade de Prevenção e Segurança Rodoviária da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, que se apronta a dizer que as “regras básicas” são determinantes para se evitar acidentes, incluindo aqui o consumo de álcool - que, diz, “muitas pessoas ignoram”. “Uma em cada três tem mais álcool do que o permitido”. Sublinha ainda a necessidade de haver respeito pelas regras do código da estrada, que “servem para a segurança das pessoas - não apenas para multar”.

“A sinistralidade na estrada é um problema de saúde pública”, frisa Carlos Lopes, que destaca que no verão “temos de ter em conta que são viagens compridas, que não fazemos habitualmente”, e que por isso há mais riscos.

Temperaturas, óleo, pneus, pára-sol, óculos, janelas

Menos trânsito, menos stress ao volante, mais descontração. Mas “a análise estatística mostra que agosto é dos meses com mais acidentes”. Carlos Lopes destaca que “nas férias existem alguns problemas” muitas vezes desconhecidos e que podem dar origem a acidentes, como é o caso da temperatura e do piso. “O que estamos habituados a ouvir é que quando chove há muitos acidentes, mas as temperaturas elevadas e a falta de chuva provocam acidentes mais graves.”

Além da questão da meteorologia, “a segurança rodoviária depende do humano, veículo e infraestrutura”. Deste modo, antes de começar qualquer viagem deve “ver o óleo e a pressão e o estado dos pneus, pois as temperaturas altas têm tendência a aumentar a pressão dos pneus” e, por consequência, do risco de acidente. “As pessoas devem encher bem os pneus, a travagem depende de uma boa pressão dos pneus, mas devem ter em conta o estado, se estão gretados ou não”. 

Carlos Lopes diz ainda que o uso de pára-sol “é fundamental” para evitar a entrada de muita luz no carro, podendo ser usado nos vidros traseiros ou no dianteiro quando o carro estiver estacionado, ajudando a que não aqueça o interior em demasia. 

Tal como se tem por hábito planear as férias, o conselho é que também se planeie a viagem. “Deve-se evitar as horas de maior calor, no fundo, deve haver planeamento, até para evitar as horas mais tardias, em que há menos tráfego mas uma maior probabilidade de cansaço.”

Durante a viagem - e sobretudo em percursos longos ou sob temperaturas elevadas - “temos de ter uma boa hidratação e usar óculos escuros, é melhor andar com janelas abertas ou com ar condicionado ligado”.

E se juntar a segurança à poupança? Este é um desafio que Carlos Lopes faz: “se em autoestrada circularmos a 90km/hora e não a 120km/hora, podemos poupar em combustível 33%, limitamos os gastos e fazemos uma viagem mais saudável”.

Primeira viagem ao volante ou num carro que não é seu?

Carlos Lopes afirma que “a relação quase umbilical” que se tem com o carro que se conduz diariamente pode ser, para muitos, um problema quando nas férias se conduz um carro diferente. Uma sensação que, diz, pode ser partilhada por quem tirou recentemente a carta.

“A questão da adaptação aos veículos é importante, sobretudo se não se tem experiência em condução. É natural que a pessoa não esteja adaptada a vários veículos - convém estudar e conhecer, temos de antecipar o perigo”, aponta, aconselhando a que a pessoa analise as características da viatura e que, antes de se fazer à estrada com ela, ajuste os espelhos, análise a localização das maçanetas e botões de sinalização - como piscas, quatro-piscas, mínimos, médios e máximos - ou de controlo da viatura, como escovas, rádio, etc. Assim evita fazer experiências em andamento.

“Em Portugal morre-se mais dentro das localidades do que fora das localidades, temos o segundo ou terceiro pior número a nível europeu”, e, por isso, é importante que as pessoas estudem bem os caminhos que pretendem fazer, sobretudo se vão conduzir numa cidade nova, seja ela por cá ou no estrangeiro, conclui.

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