Saiba o que deve ou não fazer para evitar que o corpo e o carro sobreaqueçam com o calor

13 jul, 17:55
Carro

Como fazer uma viagem mais segura e agradável nos dias de maior calor? Foi isso que a CNN Portugal tentou desvendar junto de especialistas que apresentaram três conceitos-chave: hidratação, manutenção e ar condicionado

Em período de férias, as temperaturas elevadas até podem saber bem na hora de ir para a praia, mas na viagem até lá, já é diferente. Por isso é necessário estar atento aos sinais dos dois motores principais: o corpo e o carro.

Motor 1: o carro

Como usar (bem) o ar condicionado

A utilização do ar condicionado nos dias de altas temperaturas é uma das recomendações do médico Bernardo Gomes, especialista em saúde pública, à CNN Portugal. Contudo, deve-se ter em conta a diferença de temperaturas do interior para o exterior, sem entrar em exageros. “Não vale a pena estar com temperaturas a 16ºC no interior do veículo, quando no exterior estão quase 40ºC; o aconselhável é ficar nos 21ºC no automóvel, para sentir conforto térmico sem gastar demasiada energia”, explica.

“Nos dias de hoje, não há diferença nos carros que justifique não ter o ar condicionado ligado. A diferença do consumo é quase inexistente”, diz Bruno Gomes, responsável pela assistência em viagem do ACP (Automóvel Club de Portugal).

A importância da manutenção

Antes de qualquer viagem longa, a manutenção do veículo é essencial. Quando esta é realizada em dias de muito calor há um lado onde deve centrar a preocupação: no sistema de refrigeração. Bruno Gomes diz que antes de sair de casa a refrigeração do carro tem de estar “em perfeitas condições”. 

O especialista compara as viagens que se fazem normalmente (casa - trabalho - casa) com as viagens longas no verão (especialmente em situação de férias) e diz que é nestas últimas que normalmente os problemas do carro se manifestam, aquelas pequenas coisas que foram dando sinais ao longo do ano (como óleo no chão da garagem, por exemplo). 

Um simples sinal que diga “repor o nível de líquido de refrigeração” pode demonstrar que uma pequena fuga no circuito de refrigeração foi aumentando mês a mês e vai, “consequentemente, sobreaquecer, danificando irremediavelmente o motor da viatura”. Isto tem uma maior probabilidade de acontecer durante uma viagem maior. 

Com temperaturas exteriores severas, a existência de pequenas fugas de água ou de óleo no automóvel podem ser fatais para o motor e pôr em risco os próprios passageiros. Tal como Bruno Gomes explica, os circuitos de refrigeração ou de água são circuitos fechados, logo não devem perder líquido, “se isso acontece, significa que algo está mal e tem de se ir à oficina”. 

O sobreaquecimento do motor pode incendiar o carro?

Bruno Gomes esclarece que não é assim que funciona. Ao existir o aumento da temperatura sem ser acompanhado pela capacidade de arrefecer vão ser criadas “micro soldaduras dentro do motor”, isto faz com que este deixe de funcionar e fique danificado. O sobreaquecimento está ligado a um mau funcionamento do circuito de refrigeração (“onde tem o anticongelante, bombas de óleo e bombas de água”). Como o ar exterior está quente, “todo o conjunto aquece e o motor fica danificado”, afirma o responsável pela assistência em viagem. 

O que provoca os incêndios no motor são as fugas de óleo que, com temperaturas elevadas, podem inflamar o óleo, ou seja, “não está relacionado com o sobreaquecimento, mas sim com o calor”. 

O que fazer quando acender a luz de excesso de temperatura?

  • Parar o veículo.
  • Chamar a assistência;
  • Relatar que se trata de um problema no sobreaquecimento e pedir reboque.

Deve-se ligar o ar condicionado e esperar que o carro arrefeça?

Não. Numa situação comum, o AC ligado permite que o calor no cofre do motor se vá dissipando (pois estão dois ventiladores em funcionamento). “Numa situação em que se trate da bomba de água danificada ou de uma fuga de água no circuito de refrigeração, colocar os dois ventiladores a funcionar não ajuda em nada, pelo contrário, ajudam a degradar ainda mais o motor”, explica o responsável pela assistência em viagem. 

O que fazer quando não há sombra no local de estacionamento?

Não há volta a dar. Para ter o automóvel mais fresco depois de horas à torreira do sol é preciso prevenir: ter um para-sol dentro do carro e utilizá-lo. Mas há medidas a tomar quando regressa.

  • Abrir de imediato as janelas quando ligar o carro;
  • Ligar o ar condicionado;
  • Fechar as janelas apenas quando sentir o ar frio a sair do AC.

Motor 2: o corpo 

O segredo das viagens longas

Existe um binómio para tudo o que esteja relacionado com ondas de calor: evitar a exposição solar nas horas de maior calor (mesmo ao volante) e aumentar a hidratação. Quem o defende é Bernardo Gomes, médico de saúde pública, que destaca o elemento que nunca pode faltar: água. 

Se o álcool deve ficar totalmente excluído antes ou durante uma viagem de carro, já ingerir bastante água nos dias de maior calor é fundamental. 

Deixar os alimentos salgados de lado e ter fruta como um snack também são sugestões deixadas pelo médico, assim como a opção de um vestuário largo, fresco e de cores claras. 

Aqueles que precisam de mais atenção

Por outro lado, há quem não precise de qualquer vestuário e seja mesmo aconselhado a ficar da forma mais confortável possível, conforme a temperatura ambiente. Bernardo Gomes refere-se aqui às crianças, que podem ficar apenas de fralda. Em qualquer caso,  a atenção deve ser redobrada e nunca devem ser deixadas sozinhas num automóvel (assim como os animais). 

O especialista alerta para a importância de dar às crianças muita água, mesmo que elas “não estejam a pedir”. O mesmo para as pessoas mais velhas, uma vez que, “à medida que envelhecemos, perdemos a noção de sede” e continua a ser preciso beber líquidos em abundância, principalmente nos dias com as temperaturas mais elevadas. 

Com as temperaturas elevadas e a falta de água, o corpo pode começar a manifestar sinais de desidratação. O médico Bernardo Gomes elenca os sinais: 

  • Mucosas secas, como a boca e os olhos (normalmente são as primeiras a dar sinal);
  • Sensação de tonturas;
  • Dores musculares;
  • Cãibras;
  • Pele seca e pouco hidratada;
  • Redução da vontade de ir à casa de banho (pode levar ao aumento de lesões renais em pessoas vulneráveis). 

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