Federica Mogherini demite-se do cargo de reitora do Colégio da Europa após acusação de fraude

4 dez 2025, 12:58
Federica Mogherini
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Mogherini, que entre 2014 e 2019 foi alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, nega qualquer ilegalidade e está a colaborar com a investigação, de acordo com o seu advogado

A ex-vice presidente da Comissão Europeia Federica Mogherini, que foi detida e acusada de fraude, demitiu-se esta quinta-feira do cargo de reitora do Colégio da Europa, segundo a Reuters.

A agência noticiosa teve acesso a um email enviado a funcionários e estudantes, no qual assume a demissão.

Mogherini, que entre 2014 e 2019 foi alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, nega qualquer ilegalidade e está a colaborar com a investigação, de acordo com o seu advogado.

A Procuradoria Europeia (EPPO) confirmou na quarta-feira, em comunicado, a detenção de Federica Mogherini, por suspeita de fraude. Foram ainda detidos o diplomata italiano Stefano Sannino, atual diretor-geral do departamento da Comissão Europeia para o Médio Oriente, Norte de África e Golfo, e um alto funcionário do Colégio da Europa.

"A pedido da Procuradoria Europeia em Bruxelas, foram detidos [na terça-feira] o reitor e um alto funcionário do Colégio da Europa em Bruges, bem como um alto funcionário da Comissão Europeia, no âmbito de uma investigação sobre uma suspeita de fraude relacionada com a formação de jovens diplomatas financiada pela UE", lê-se no documento.

Depois de interrogados pela Polícia Judiciária Federal belga, os três suspeitos foram formalmente informados das acusações: fraude nos procedimentos de contratação pública, corrupção, conflito de interesses e violação de segredo profissional. Acabaram libertados por não serem considerados risco de fuga.

A investigação permanece em curso e as autoridades europeias sublinham que não "podem ser divulgados mais pormenores sobre este inquérito em curso, a fim de não pôr em risco o seu resultado". 

A ex-chefe da diplomacia do bloco comunitário europeu é reitora daquela instituição académica na cidade belga de Bruges desde setembro de 2020.

Em causa está o alegado favorecimento de uma candidatura para um projeto para instrução de jovens diplomatas que recebeu financiamento da UE.

De acordo com a Procuradoria Europeia, o projeto vencedor teve acesso a informação confidencial que o beneficiou.

A Procuradoria Europeia também fez buscas nas instalações do Serviço de Ação Externa da UE, em Bruxelas, que coordena a diplomacia comunitária e hoje é tutelado por Kaja Kallas.

O Colégio da Europa é conhecido como a instituição académica da elite europeia e é uma escola de renome para a formação de diplomatas.

O presidente de França, Emmanuel Macron, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, frequentaram a instituição, assim como os antigos presidentes da Comissão Europeia Jacques Delors e Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro polaco e antigo presidente do Conselho Europeu Donald Tusk.

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