A polícia federal belga realizou buscas no campus do Colégio da Europa em Bruges, no Serviço Europeu para a Ação Externa, em Bruxelas, e nas residências dos suspeitos. O Gabinete Europeu de Luta Antifraude está a auxiliar a investigação
Federica Mogherini, ex-vice presidente da Comissão Europeia, foi detida esta terça-feira por suspeitas de fraude.
A ex-diplomata de topo está entre os três detidos de uma investigação da Procuradoria Europeia sobre fraude na União Europeia, nomeadamente o uso de fundos europeus destinados à formação de jovens diplomatas.
A polícia federal belga realizou buscas no campus do Colégio da Europa em Bruges (há mais dois, mas em Varsóvia, na Polónia, e Tirana, na Albânia), no Serviço Europeu para a Ação Externa, em Bruxelas, e nas residências dos suspeitos. O Gabinete Europeu de Luta Antifraude (OLAF) está a auxiliar a investigação.
A Procuradoria Europeia (EPPO) procura esclarecer se o Colégio da Europa, ou algum dos seus representantes, "foi informado antecipadamente sobre os critérios de seleção para o concurso e tinha motivos suficientes para acreditar que lhe seria atribuído o projeto, antes da publicação oficial do anúncio de concurso pelo Serviço Europeu para a Ação Externa".
Para a Procuradoria Europeia, existem "fortes suspeitas" de que informações confidenciais terão sido divulgadas, de modo a favorecer um dos candidatos participantes no concurso.
Os outros dois detidos não foram identificados até ao momento, mas poderão tratar-se de mais altos funcionários europeus, uma vez foi solicitado e autorizado o levantamento da imunidade parlamentar de "vários suspeitos", segundo o comunicado da EPPO.
Em causa está a Academia Diplomática da União Europeia, um programa de formação para diplomatas juniores dos Estados-Membros da UE, que foi atribuído pelo Serviço Europeu para a Ação Externa à secção belga do Colégio da Europa em 2021/22 na sequência de um concurso. O Serviço Europeu para a Ação Externa era então presidido pelo espanhol Josep Borrell, que durante anos foi o chefe da diplomacia dos 27.
A Comissão Europeia, através de um porta-voz, confirmou as buscas desta manhã na sede do Serviço Europeu para a Ação Externa e ainda que a investigação tem origem em “atividades que ocorreram durante o mandato anterior de Borrell”, não fornecendo mais informações sobre “uma investigação em curso”. Também não confirmou se os outros dois detidos são funcionários daquele Serviço.
A italiana Federica Mogherini, recorde-se, é reitora do Colégio da Europa desde 2020. Entre 2014 e 2019 foi alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, seguindo-se no cargo (até 2024) Josep Borrell e, atualmente, a estoniana Kaja Kallas.