Procuradoria Europeia confirma detenção de Federica Mogherini, acusada de corrupção, fraude e violação de segredo profissional

CNN Portugal , AM com Lusa
3 dez, 08:05

Procuradoria Europeia confirma detenção de Federica Mogherini, acusada de corrupção, fraude, conflito de interesse e violação de segredo profissional

Para além da antiga vice presidente da Comissão Europeia foram ainda detidas outras duas pessoas

A Procuradoria Europeia (EPPO) confirmou, em comunicado, a detenção de Federica Mogherini, ex-chefe da diplomacia da União Europeia (UE), em Bruges, por suspeita de fraude.

Em comunicado, a EPPO adianta que foi detido ainda um dirigente sénior da Comissão Europeia e um alto funcionário do College of Europe.

"A pedido da Procuradoria Europeia (EPPO) em Bruxelas (Bélgica), foram ontem detidos o reitor e um alto funcionário do Colégio da Europa em Bruges, bem como um alto funcionário da Comissão Europeia, no âmbito de uma investigação sobre uma suspeita de fraude relacionada com a formação de jovens diplomatas financiada pela UE", lê-se no comunicado.

Depois de interrogados pela Polícia Judiciária Federal belga, os três suspeitos foram formalmente informados das acusações: fraude nos procedimentos de contratação pública, corrupção, conflito de interesses e violação de segredo profissional. Acabaram libertados por não serem considerados risco de fuga.

A investigação permanece em curso e as autoridades europeias sublinham que não "podem ser divulgados mais pormenores sobre este inquérito em curso, a fim de não pôr em risco o seu resultado". 

Projeto vencedor teve acesso a informação confidencial que o beneficiou

Federica Mogherini, ex-alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança durante a presidência da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker (2014-2019), foi detida na terça-feira, na sequência de buscas feitas às instalações do Colégio da Europa.

A ex-chefe da diplomacia do bloco comunitário europeu é reitora daquela instituição académica na cidade belga de Bruges desde setembro de 2020.

Em causa está o alegado favorecimento de uma candidatura para um projeto para instrução de jovens diplomatas que recebeu financiamento da UE.

De acordo com a Procuradoria Europeia, o projeto vencedor teve acesso a informação confidencial que o beneficiou.

O diplomata italiano Stefano Sannino, atual diretor-geral do departamento da Comissão Europeia para o Médio Oriente, Norte de África e Golfo, também está indiciado pelos mesmos crimes e foi um dos três detidos.

Sannino foi secretário-geral executivo do Serviço Europeu de Ação Externa.

A Procuradoria Europeia também fez buscas nas instalações do Serviço de Ação Externa da UE, em Bruxelas, que coordena a diplomacia comunitária e hoje é tutelado por Kaja Kallas, atual alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, funções que Federica Mogherini desempenhou entre 2014 e 2019.

O Colégio da Europa é conhecido como a instituição académica da elite europeia e é uma escola de renome para a formação de diplomatas.

O Presidente de França, Emmanuel Macron, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, frequentaram a instituição, assim como os antigos presidentes da Comissão Europeia Jacques Delors e Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro polaco e antigo presidente do Conselho Europeu Donald Tusk.

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