Federação pede audiência urgente ao Governo e faz participação ao Comité de Ética do COP

31 mar, 12:44
Fernando Gomes e Pedro Proença (Gualter Fatia/Getty Images)

As conclusões da reunião da direção da FPF na sequência da polémica entre Pedro Proença e Fernando Gomes

A Federação Portuguesa de Futebol emitiu esta segunda-feira um comunicado, na sequência da reunião da direção, marcada com carácter de emergência após a carta de Fernando Gomes a demarcar-se da candidatura de Pedro Proença ao Comité Executivo da UEFA.

Ora no referido comunicado, a Federação garante que se «empenhou de forma ativa e comprometida nesta eleição» para o Comité Executivo, «depositando neste processo todas as energias dos recursos envolvidos e com real perspetiva de sucesso».

Adiantando que a eleição de Pedro Proença ficou «seriamente comprometida pelo impacto que a posição assumida pelo Senhor Presidente do Comité Olímpico de Portugal», a Federação garante que vai tomar duas medidas.

A primeira é «pedir uma audiência com caráter de urgência ao Governo para avaliação dos impactos face aos compromissos assumidos, nomeadamente, a candidatura à organização do Europeu Feminino 2029 e a organização do Campeonato do Mundo 2030»,

A segunda passa por «enviar uma exposição ao Conselho de Ética do COP para avaliação da atuação do Presidente do Comité Olímpico de Portugal».

Leia o comunicado da Federação na íntegra:

«O Futebol Português vive momentos absolutamente vitais para o seu futuro, com as eleições para o Comité Executivo da UEFA, marcadas para o dia 3 de abril. 

A importância de ter um representante português neste órgão, por todos reconhecida, tendo em conta os diversos projetos que se avizinham, nomeadamente a candidatura à organização do Campeonato da Europa Feminino em 2029 e a organização conjunta com Espanha e Marrocos do Campeonato do Mundo, não pode ser colocada em causa. Deve, antes, ser promovida e defendida por todos os agentes e entidades do Desporto Português. 

A FPF empenhou-se de forma ativa e comprometida nesta eleição, depositando neste processo todas as energias dos recursos envolvidos e com real perspetiva de sucesso, após a formalização do nome de Pedro Proença como candidato a este cargo, ainda na vigência do mandato da anterior Direção.

O país viu-se confrontado, contudo, com uma tomada de posição por parte do Presidente do Comité Olímpico de Portugal, informando as 55 Federações que constituem o caderno eleitoral da UEFA de que não apoiará a candidatura nacional que, repita-se, o próprio propôs e formalizou em fevereiro.

Neste contexto, o interesse nacional e a própria eleição do candidato nacional neste processo eleitoral fica seriamente comprometida pelo impacto que a posição assumida pelo Senhor Presidente do Comité Olímpico de Portugal infligiu na credibilidade das mais relevantes instituições desportivas nacionais, que dificilmente será reversível em tempo útil.

Perante o exposto, em reunião convocada com caráter de urgência, a Direção da Federação Portuguesa de Futebol decidiu:
- Registar com apreço as manifestações públicas de apoio dos diversos agentes do Futebol Português, num sinal da agregação em torno do projeto apresentado e sufragado por esta Direção, unindo o Futebol Português.
- Pedir audiência com caráter de urgência ao Governo para avaliação dos impactos face aos compromissos assumidos, nomeadamente, a candidatura à organização do Europeu Feminino 2029 e a organização do Campeonato do Mundo 2030;
- Enviar uma exposição ao Conselho de Ética do COP para avaliação da atuação do Presidente do Comité Olímpico de Portugal.

Não obstante ser claro para o país desportivo que a representação nacional no Comité Executivo da UEFA pode estar claramente em causa, a Federação Portuguesa de Futebol mantém ativos os esforços para conseguir atingir o objetivo inicial.

Neste momento, confrontados com desafios absolutamente determinantes para o futuro do Futebol Português, a FPF reafirma o seu compromisso com a estabilidade, lutando sempre de forma transparente pelos interesses de Portugal no contexto internacional e pugnando pelas boas relações com todas as instituições relevantes no universo desportivo, estando esta Direção ciente de que tudo aquilo que tem feito deste que tomou posse é cumprir o Plano Programático que apresentou, focada apenas no futuro e nunca colocando em causa o legado da Federação Portuguesa de Futebol.»


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