Buscas da PJ na FPF têm dois alvos principais. Fernando Gomes não é suspeito

25 mar 2025, 17:28
Visita guiada à Cidade do Futebol

Venda de imóvel por mais de 11 milhões de euros sob investigação

Paulo Lourenço e António Gameiro são os principais alvos da investigação que levou à realização de dezenas de buscas da Polícia Judiciária (PJ) na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), tendo já sido constituídos arguidos.

Ao que a CNN Portugal apurou, o antigo secretário-geral da FPF, Paulo Lourenço, e o mediador que representava os compradores, António Gameiro, são os visados da investigação que coloca em causa crimes como corrupção (ativa e passiva), recebimento indevido de vantagem, participação económica em negócio e fraude fiscal qualificada.

Ainda segundo informações da CNN Portugal, Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e Tiago Craveiro, CEO do organismo entre 2012 e 2022, não são suspeitos de qualquer crime.

A Polícia Judiciária realizou buscas na FPF, na Cidade do Futebol, num caso que investiga suspeitas de corrupção (ativa e passiva), recebimento indevido de vantagem, participação económica em negócio e fraude fiscal qualificada.

A CNN Portugal confirmou que as buscas decorreram por causa da venda da antiga sede a organização, na Rua Alexandre Herculano, em plena centro de Lisboa, havendo suspeitas relativas ao período da presidência de Fernando Gomes, que deixou o cargo há uns dias, tendo entretanto assumido a presidência do Comité Olímpico de Portugal (COP), por negócios imobiliários nos últimos anos.

De acordo com o despacho a que a CNN Portugal teve acesso, o Ministério Público deu autorização para a apreensão de computadores, telemóveis e outros suportes informáticos relevantes.

As suspeitas apontam para que a venda do edifício-sede da FPF, alegadamente por um valor abaixo dos preços por metro quadrado convencionados e praticados pelo mercado para a zona do largo do Rato, à época, tenha gerado o recebimento de comissões ilícitas, o que pode configurar crimes de corrupção e recebimento indevido de vantagem, tendo em conta o estatuto de utilidade pública daquele organismo, o que indicia prejuízo para o Estado

O diretor nacional da PJ, Luís Neves, confirmou que as buscas estão relacionadas “com a venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol” e foram cumpridos 20 mandados de busca a pessoas singulares e coletivas, incluindo sociedades de advogados.

As buscas decorrem na sequência de um mandato de busca, estando em causa a venda da antiga sede da FPF, numa investigação que foi iniciada em 2021.

A Polícia Judiciária confirmou que a sua Unidade Nacional de Combate à Corrupção desencadeou uma operação em que deu cumprimento a 20 mandados de busca e apreensão em domicílios, instituição bancária, estabelecimentos e sociedades de advogados, nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém.

“Foram identificadas um conjunto de situações passíveis de integrarem condutas ilícitas relacionadas, sobretudo, com a intermediação da venda da antiga sede pertencente à Federação Portuguesa de Futebol, na Rua Alexandre Herculano, nº.58, Lisboa. O imóvel foi vendido por onze milhões duzentos e cinquenta mil euros”, pode ler-se no comunicado.

Na ação estiveram presentes 65 inspetores da Polícia Judiciária e 15 especialistas de Polícia Científica da mesma entidade, além de cinco juízes de instrução criminal, seis magistrados do Ministério Público e quatro representantes da Ordem dos Advogados.

A investigação prosseguirá com a análise à prova agora recolhida e com os competentes exames e perícias, visando o cabal apuramento da verdade e a sua célere conclusão.

Federação "surpreendida"

A FPF diz-se “surpreendida” com a realização de buscas por parte da PJ na sua sede, por suspeitas de crimes como corrupção e fraude fiscal, e promete intensificar medidas de auditoria.

“A direção da FPF foi surpreendida com a realização de buscas por parte de elementos da PJ, no âmbito de um processo que envolve a investigação de negócios relativos a anteriores mandatos, nomeadamente aos anos entre 2016 e 2020”, pode ler-se na nota divulgada pelo organismo.

A federação promete ser “totalmente inflexível na defesa dos interesses da instituição” e vai intensificar as medidas de auditoria entretanto iniciadas, em 17 de março, e vai constituir-se assistente em quaisquer processos judiciais que sejam desencadeados pela investigação da Operação Mais Valia.

“A FPF irá até às últimas consequências face a qualquer prática ilícita ou criminal que venha a ser apurada e agirá de forma absolutamente intransigente relativamente a todas e quaisquer pessoas que tenham lesado os seus interesses”, acrescentam.

Este organismo é agora liderado por Pedro Proença, que em fevereiro deste ano sucedeu a Fernando Gomes, presidente nos últimos 13 anos.

Relacionados

Crime e Justiça

Mais Crime e Justiça