Polícia Judiciária realiza buscas na Federação Portuguesa de Futebol
«Operação Mais-Valia»: diretor nacional da PJ, Luís Neves, esclarece que está em causa a «venda da antiga sede da FPF»
A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar buscas na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esta terça-feira.
«Isto tem a ver com a venda da antiga sede da FPF, envolve suspeitas do crime de corrupção, recebimento indevido de vantagem e fraude fiscal», afirmou o diretor nacional da PJ, Luís Neves, aos jornalistas, na tarde desta terça-feira, à saída da sede da PJ, na sequência da notícia avançada minutos antes pela SIC.
«Cumprimos, hoje, cerca de 20 buscas a pessoas singulares, a pessoas coletivas, a sociedades de advogados. É o que posso dizer para já. O inquérito está sediado no DIAP de Lisboa, está a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção. É tudo o que posso dizer», prosseguiu Luís Neves.
O diretor nacional da PJ não deu mais detalhes, quando questionado sobre se o antigo presidente da FPF, recém-eleito presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Fernando Gomes - que toma posse esta terça-feira no organismo - e se Tiago Craveiro, enquanto diretor-geral da FPF, são os principais visados nas investigações.
Segundo a CNN Portugal, as buscas estão a decorrer na antiga sede a organização. Há suspeitas relativas à gestão de Fernando Gomes, que deixou a presidência há uns dias, por negócios imobiliários nos últimos anos. A investigação foi iniciada em 2021.
De acordo com o despacho a que a agência Lusa teve acesso, o Ministério Público deu autorização para a apreensão de computadores, telemóveis e outros suportes informáticos relevantes.
Em comunicado, pouco depois das declarações de Luís Neves, a PJ esclareceu, em comunicado, as buscas realizadas em torno da operação designada por «Mais-Valia».
«A Polícia Judiciária (PJ), através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, desencadeou uma operação policial para dar cumprimento a 20 mandados de busca e apreensão em domicílios, instituição bancária, estabelecimentos e sociedades de advogados, nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém. No decurso da investigação foram identificadas um conjunto de situações passíveis de integrarem condutas ilícitas relacionadas, sobretudo, com a intermediação da venda da antiga sede pertencente à Federação Portuguesa de Futebol, na Rua Alexandre Herculano, nº58, Lisboa. O imóvel foi vendido por onze milhões duzentos e cinquenta mil euros», refere a PJ, em nota oficial.
«Na investigação, que se encontra a ser dirigida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, estão em causa factos suscetíveis de integrarem os crimes de recebimento indevido de vantagem, de corrupção, de participação económica em negócio e de fraude fiscal qualificada. As diligências foram executadas por 65 Inspetores e 15 Especialistas de Polícia Científica da PJ, contando ainda com a participação de cinco juízes de instrução criminal, seis magistrados do Ministério Público e quatro representantes da Ordem dos Advogados. A investigação prosseguirá com a análise à prova agora recolhida e com os competentes exames e perícias, visando o cabal apuramento da verdade e a sua célere conclusão», conclui a PJ.
Artigo atualizado às 17h09, com o comunicado da PJ
