A Europa não tem nenhum caça de quinta geração e acaba de dar um passo atrás na busca por algo mais
França e Alemanha decidiram abandonar o projeto milionário que ia permitir à Europa ter um caça de sexta geração, naquele que é um marco importante no desenvolvimento militar do Velho Continente. Ou, neste caso, no atraso desse mesmo desenvolvimento, até porque os Estados Unidos já têm a caminho o F-47 da Boeing.
De acordo com a agência Reuters, que cita dois responsáveis alemães, os dois países não conseguiram levar avante aquele que era um dos programas de defesa mais ambiciosos da Europa.
A decisão final foi tomada pelo chanceler da Alemanha e pelo presidente de França na cimeira que reuniu vários líderes europeus em Montenegro no final da semana passada.
Friedrich Merz e Emmanuel Macron chegaram à conclusão que não ia ser possível ultrapassar as várias diferenças que colocaram o projeto num impasse de meses, até chegar agora à desistência do mesmo.
Entre os principais irritantes estava a diferença entre Airbus, que representa a Alemanha, e a Dassault, que representa França, já que nenhuma das empresas conseguiu chegar a acordo sobre quem ia fazer o quê.
Como escreve a agência Reuters, a ausência de acordo num projeto de 100 mil milhões de euros é mais uma machadada na tentativa da Europa de construir umas Forças Armadas próprias e mais independentes dos Estados Unidos.
O projeto, que se centrava na construção de um caça de sexta geração e que também tinha drones envolvidos numa espécie de “nuvem de combate”, estava em dúvida há vários meses, já que nenhum dos lados parecia concordar com as especificidades ou até o controlo da investigação.
Apesar do cancelamento da investigação sobre o caça de sexta geração, o objetivo de Alemanha e França é continuar a trabalhar no resto da proposta, também conhecida como FCAS (Future Combate Air System), nomeadamente na questão dos drones.
Este é um projeto que foi lançado em 2017 já por Emmanuel Macron, mas ainda com Angela Merkel à frente dos destinos da Alemanha, pelo que é essencial ao Eliseu tentar salvar alguma coisa de algo que tem quase 10 anos de investimento.
Quando chegou ao poder, Friedrich Merz questionou de imediato se faria sentido para a Força Aérea da Alemanha estar a investir num caça de sexta geração, sabendo-se que a Europa não tem qualquer avião de quinta geração, utilizando os norte-americanos F-35 para esse propósito.
A nova postura de Berlim parece ter ganho peso, mas isso pode deixar a Europa mais uma vez vulnerável aos Estados Unidos.
