«Já houve uma ou outra abordagem de um grande de Portugal, mas não é esse o objetivo que tenho»

Sérgio Pereira , enviado-especial à Arábia Saudita
25 set 2024, 07:01

O Maisfutebol na Arábia Saudita com Vítor Pereira, treinador do Al Shabab que garante que por muitos anos que viva nunca esquecerá as emoções pelo golo de Kelvin

Vítor Pereira foi desafiado pelo MAISFUTEBOL a regressar aos tempos do FC Porto, referindo que essa fase ficará para a vida toda, mas que terminou quando devia terminar.

Pelo caminho garantiu que um regresso ao futebol português pode sempre acontecer, mas que não faz questão disso. Quer, isso sim, chegar a uma grande Liga europeia.

Nesta entrevista com o MAISFUTEBOL e A Bola, em Riade, para onde viajámos a convite da Liga Saudita, o treinador do Al Shabab recordou ainda a emoção do golo de Kelvin.

Saudades dos tempos do FC Porto?

Sim, claro. Há coisas que me marcaram desses tempos no FC Porto e que ficarão para a vida. Mas eu estive oito anos no FC Porto, portanto estive o tempo que tinha de estar. Sinto-me realizado com o que fiz. Agora a vida é para a frente. A vida é um mundo.

Gostava de regressar ao FC Porto ou a Portugal?

Sinceramente, não faço questão disso. Faço questão de voltar ao meu país para viver, isso sim. Viver aqui na Arábia é viver com boas condições, mas os dias são sempre iguais. Quando tenho oportunidade de dar um salto a Portugal, é uma alegria que toma conta de mim. Portugal é um país pequenino, mas que tem tudo. Nós quando estamos fora, damos muito mais valor ao que temos em Portugal. Já quando estamos em Portugal, queixamo-nos do que temos. Mas depois vimos para fora e, aí sim, sentimos que Portugal é o nosso cantinho.

E em termos profissionais?

Em termos profissionais, se houver oportunidade um dia, talvez. Mas, sinceramente, tenho muito mais definido na minha cabeça o objetivo de um dia chegar à Liga Inglesa do que de regressar a Portugal. E quem diz a Liga Inglesa, diz a Liga Espanhola. Chegar a uma grande Liga. E jogar a Liga dos Campeões outra vez. Essa é a gasolina que me motiva.

Desde que o Vítor Pereira já saiu do FC Porto já se falou do seu regresso e já se falou também da hipótese de treinar o Benfica. Houve ou não houve propostas para voltar a treinar um grande em Portugal?

Houve uma ou outra abordagem que não chegou a concretizar-se numa proposta ou numa reunião. E não se concretizou porque foi em alturas em que eu estava a treinar: tinha clube e nem sequer equacionei as hipóteses. É como disse: um dia pode acontecer, mas sinceramente não é o objetivo que tenho. Se não tivesse passado num grande e não tivesse ganhado títulos... Mas como já o fiz e neste momento quero ir aonde não fui. Quero provar o meu valor numa grande Liga europeia.

Consegue destacar um só momento de toda a sua carreira de treinador?

Só pode ser uma: aquela que me fez tremer e tremer todos os portistas [golo de Kelvin]. Ainda hoje vou a todo o lado e as pessoas falam-me daquele momento. Acho que foi especial e marcou todos os que lá estavam. A emoção era tanta, a energia era tanta, que eu senti a terra a tremer.  A vibração era tão grande que parecia que o Estádio do Dragão estava a abanar. Foi um momento que ficará para sempre gravado em quem o viveu. Foi seguramente o momento mais marcante da minha carreira.

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