A chama de William e uma centelha de esperança
Raios e coriscos, um dragão que já fumega, muita chama de William... E, no final de tudo, uma centelha de esperança.
O Dragão voltou a vibrar num domingo de sol, com futebol à tarde e gente sorridente por voltar àquela que para tantos é a sua segunda casa.
Houve «Futebol ao sol e à sombra», como Eduardo Galeano intitulou a sua enciclopédia emocional do desporto-rei.
Escrevia o autor uruguaio que é raro o adepto que diz: «A minha equipa joga hoje.» Quase todos dizem: «Nós jogamos hoje.»
Hoje, o FC Porto jogou e venceu (2-1) com reviravolta um Twente (6.º classificado na época passada na Liga dos Países Baixos) bem conhecido de Francesco Farioli.
Anselmi é um trauma ultrapassado e o seu 3-4-3 passou à história. Para enterrar as más memórias, Farioli aposta agora num 4-3-3 que contou com quatro reforços de início: Prpic, Froholdt, Borja Sainz e Gabri Veiga – este último chegado ainda antes do Mundial de Clubes. Alberto, recém contratado à Juventus, também haveria de se estrear, mas só na segunda parte.
Garra (em demasia) de Gabri e a classe de Froholdt
Numa primeira impressão, o FC Porto mostrou um novo patrão para o meio-campo e capacidade de combate. Às vezes, até em demasia, como se viu em cima do intervalo aquando da expulsão de Gabri Veiga e Unuvar, pelo ímpeto com que se travaram de razões.
Na primeira parte, destaque para a maior organização da equipa – aliás, só podia melhorar – e para a classe com que, aos 19 anos, Froholdt chegou, viu e tomou as rédeas do meio-campo portista.
Com mais espaço no relvado, até por as equipas estarem ambas reduzidas a 10, os golos surgiriam só após o intervalo.
O primeiro chegou por Van Bergen, que teve todo o tempo e espaço para dominar frente a Zaidu e disparar em arco, à entrada da área, para o fundo das redes de Diogo Costa.
van Bergen inaugura o marcador no Dragão com um remate colocado 🎯#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #FCPorto #Twente pic.twitter.com/N6ysImJVKB
— sport tv (@sporttvportugal) July 27, 2025
A perder, Farioli mexeu e mudou três. Fez entrar em campo Eustáquio, Rodrigo Mora e William Gomes e o brasileiro tirou da cartola o golo do empate. Drible, remate colocado, bola na barra e na recarga Samu finalmente encontrou o caminho da baliza, num golo com dedicatória para Diogo Jota.
van Bergen inaugura o marcador no Dragão com um remate colocado 🎯#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #FCPorto #Twente pic.twitter.com/N6ysImJVKB
— sport tv (@sporttvportugal) July 27, 2025
Seguiram-se substituições em catadupa, ou não houvesse 19 jogadores no banco dos dragões (e 16 no dos neerlandeses), e o jogo foi perdendo interesse. Alberto Costa estreou-se de dragão ao peito, mas quem continuou a criar desequilíbrios foi o endiabrado William, que uma e outra vez visou a baliza do Twente… Até que aos 89m teve o seu merecido prémio.
Foi derrubado na área, pediu para converter o penálti e marcou.
Míssil de Willian Gomes 🚀#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #FCPorto #Twente pic.twitter.com/smfytgBaBL
— sport tv (@sporttvportugal) July 27, 2025
Cheio de personalidade o miúdo saltou do banco para virar o jogo e dar a vitória ao FC Porto.
Mais do que o resultado, porém, há sobretudo que perceber o que vale esta nova e ainda incompleta versão do FC Porto.
Primeira missão de Farioli: afastar os fantasmas de um longo inverno
Com a ressalva da curta amostra, Farioli trouxe organização a uma equipa que, ainda há umas semanas, demonstrava ser incapaz de controlar qualquer jogo, fosse qual fosse a valia do adversário.
Há boas novidades, como um novo patrão no meio-campo (Froholdt) e desequilibradores natos nas alas (Borja e sobretudo William). Mas ainda falta muito para este FC Porto ser uma equipa completa, capaz de esquecer os fantasmas de um longo inverno e de se assumir como candidata ao título.
FC Porto-Twente: ficha e filme do jogo
Falta solidez defensiva e, para isso, são precisos centrais de qualidade – apesar da exibição prometedora do reforço Dominik Prpic –, bem como dois ou três jogadores capazes de darem experiência e espírito de liderança, no relvado e no balneário.
Ainda assim, há crença nesta nova era. De tal forma, que os adeptos lotaram pela primeira vez os lugares anuais no Dragão.
O «restart» dado por Villas-Boas para a segunda época como presidente parece ser convincente.
Assim sendo, há um azul repleto de esperança a inundar as bancadas, como que a fazer ecoar um cântico tantas vezes por aqui ouvido: «O coração volta a bater…»