FC Porto-Twente, 2-1 (crónica)

Sérgio Pires , Estádio do Dragão, Porto
27 jul 2025, 20:09
FC Porto-Twente (FOTO: Manuel Fernando Araújo/LUSA)

A chama de William e uma centelha de esperança

Raios e coriscos, um dragão que já fumega, muita chama de William... E, no final de tudo, uma centelha de esperança.

O Dragão voltou a vibrar num domingo de sol, com futebol à tarde e gente sorridente por voltar àquela que para tantos é a sua segunda casa.

Houve «Futebol ao sol e à sombra», como Eduardo Galeano intitulou a sua enciclopédia emocional do desporto-rei.

Escrevia o autor uruguaio que é raro o adepto que diz: «A minha equipa joga hoje.» Quase todos dizem: «Nós jogamos hoje.»

Hoje, o FC Porto jogou e venceu (2-1) com reviravolta um Twente (6.º classificado na época passada na Liga dos Países Baixos) bem conhecido de Francesco Farioli.

Anselmi é um trauma ultrapassado e o seu 3-4-3 passou à história. Para enterrar as más memórias, Farioli aposta agora num 4-3-3 que contou com quatro reforços de início: Prpic, Froholdt, Borja Sainz e Gabri Veiga – este último chegado ainda antes do Mundial de Clubes. Alberto, recém contratado à Juventus, também haveria de se estrear, mas só na segunda parte.

Garra (em demasia) de Gabri e a classe de Froholdt

Numa primeira impressão, o FC Porto mostrou um novo patrão para o meio-campo e capacidade de combate. Às vezes, até em demasia, como se viu em cima do intervalo aquando da expulsão de Gabri Veiga e Unuvar, pelo ímpeto com que se travaram de razões.

Na primeira parte, destaque para a maior organização da equipa – aliás, só podia melhorar – e para a classe com que, aos 19 anos, Froholdt chegou, viu e tomou as rédeas do meio-campo portista.

Com mais espaço no relvado, até por as equipas estarem ambas reduzidas a 10, os golos surgiriam só após o intervalo.

O primeiro chegou por Van Bergen, que teve todo o tempo e espaço para dominar frente a Zaidu e disparar em arco, à entrada da área, para o fundo das redes de Diogo Costa.

A perder, Farioli mexeu e mudou três. Fez entrar em campo Eustáquio, Rodrigo Mora e William Gomes e o brasileiro tirou da cartola o golo do empate. Drible, remate colocado, bola na barra e na recarga Samu finalmente encontrou o caminho da baliza, num golo com dedicatória para Diogo Jota.

Seguiram-se substituições em catadupa, ou não houvesse 19 jogadores no banco dos dragões (e 16 no dos neerlandeses), e o jogo foi perdendo interesse. Alberto Costa estreou-se de dragão ao peito, mas quem continuou a criar desequilíbrios foi o endiabrado William, que uma e outra vez visou a baliza do Twente… Até que aos 89m teve o seu merecido prémio.

Foi derrubado na área, pediu para converter o penálti e marcou.

Cheio de personalidade o miúdo saltou do banco para virar o jogo e dar a vitória ao FC Porto.

Mais do que o resultado, porém, há sobretudo que perceber o que vale esta nova e ainda incompleta versão do FC Porto.

Primeira missão de Farioli: afastar os fantasmas de um longo inverno

Com a ressalva da curta amostra, Farioli trouxe organização a uma equipa que, ainda há umas semanas, demonstrava ser incapaz de controlar qualquer jogo, fosse qual fosse a valia do adversário.

Há boas novidades, como um novo patrão no meio-campo (Froholdt) e desequilibradores natos nas alas (Borja e sobretudo William). Mas ainda falta muito para este FC Porto ser uma equipa completa, capaz de esquecer os fantasmas de um longo inverno e de se assumir como candidata ao título.

FC Porto-Twente: ficha e filme do jogo

Falta solidez defensiva e, para isso, são precisos centrais de qualidade – apesar da exibição prometedora do reforço Dominik Prpic –, bem como dois ou três jogadores capazes de darem experiência e espírito de liderança, no relvado e no balneário.

Ainda assim, há crença nesta nova era. De tal forma, que os adeptos lotaram pela primeira vez os lugares anuais no Dragão.

O «restart» dado por Villas-Boas para a segunda época como presidente parece ser convincente.

Assim sendo, há um azul repleto de esperança a inundar as bancadas, como que a fazer ecoar um cântico tantas vezes por aqui ouvido: «O coração volta a bater…»

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