Liga Europa: Salzburgo-FC Porto, 0-1 (crónica)

25 set, 22:07

Condão de William Gomes dá fogo a dragão pálido

O fantasma da pobre campanha europeia em 2024/25 assombrou o FC Porto em Salzburgo durante 90+3 minutos, até William Gomes desfazer o nulo e desatar a loucura portista (1-0). Na primeira ronda da fase liga da Liga Europa, os dragões foram manietados pela organização dos austríacos, com a real possibilidade de não marcarem pela primeira vez na época.

Em todo o caso, a inspiração individual atenuou uma exibição para lá de pálida.

Na noite desta quinta-feira, Francesco Farioli apenas trocou uma peça face ao triunfo em Vila do Conde, devolvendo Zaidu à titularidade e Francisco Moura ao banco de suplentes.

Recorde a história desta partida.

Ainda que os dragões tenham ameaçado a vantagem ao terceiro minuto – quando Borja Sainz encheu o pé fora da área e atirou à barra – o Salzburgo aproveitou a passividade defensiva dos forasteiros para crescer. A primeira ameaça surgiu ao minuto 12, quando Ratkov acelerou pelo meio, fletiu para a direita, fintou Diogo Costa e rematou. Todavia, o guardião português ainda voou para intercetar o esférico, a meias com Kiwior.

 

 

Até à meia-hora, Diabaté, Alajbegovic e Bidstrup visaram o setor recuado do FC Porto. Em simultâneo, Gadou revelou-se um “polvo”, secando as intermitentes investidas azuis e brancas. Nesta fase, o melhor que a turma de Farioli conseguiu foi um golo anulado, por mão de Samu.

 

No caminho para a pausa, ainda que errático na construção e com muitas dificuldades para desmontar a organização da defesa anfitriã, o FC Porto retomou a batuta, confiando ao veloz Zaidu e ao criativo Froholdt a transição. Em cima do minuto 45, Pepê afinou a mira e, ainda longe da área, cruzou para as costas da defesa. Contudo, o cabeceamento de Gabri Veiga – completamente sozinho – saiu à figura de Schlager.

Ao intervalo, os problemas de Farioli passavam pelo critério nas transições e as combinações na frente. Até então, Samu era a principal ausência, mero vulto.

 

Ora, as dores de cabeça prevaleceram e, obrigado a mexer pela lesão muscular de Zaidu, o timoneiro do FC Porto aproveitou para lançar Francisco Moura, Martim Fernandes e William Gomes, em detrimento de Pepê e Gabri Veiga. Nesse momento, Pablo Rosario subiu para a posição de raiz.

Todavia, pouco mudou, pois os dragões permaneceram erráticos e desequilibrados. De tal forma que, aos 57m, Yeo ameaçou e Ratkov marcou na recarga. Mas, havia fora de jogo no momento do passe para o ala.

Entre trocas e faltas, Vertessen beneficiou da melhor oportunidade, atirando a rasar o poste quando havia apenas Diogo Costa pela frente. Estavam decorridos 79 minutos e Farioli revelou fúria face à persistente apatia defensiva.

 

Até ao minuto 90, os dragões seguiram inofensivos, num quadro de desilusão. Mas, William Gomes guardara a magia para os derradeiros segundos. Aos 90+3m, o extremo foi da direita para dentro e desferiu novo arco certeiro, à semelhança do que fez contra Casa Pia e Sporting. Ao dar cor à noite na Áustria, o brasileiro de 19 anos rubricou o terceiro golo na época.

Assim, a turma de Farioli estaciona no 11.º posto da fase liga da Liga Europa, em igualdade com Panathinaikos, D. Zagreb, Midtjylland, Roma, Ludogorets, Lille, Friburgo, Estugarda, Genk, Lyon, Steaua Bucareste, Aston Villa e Sp. Braga.

 

No calendário do FC Porto – líder da Liga, isolado e só com triunfos – segue-se a visita ao Arouca, na segunda-feira (20h), e a receção ao Estrela Vermelha (19.º), na quinta (20h), antes da receção ao Benfica, a 5 de outubro (21h15).

A Figura e o Momento: William Gomes, 90+3 minutos

Quando o empate parecia selado, o avançado brasileiro voltou a tirar um coelho da cartola, promovendo a loucura portista junto da bancada pintada de azul e branco. Na única oportunidade na segunda parte, este talento de 19 anos salvou o FC Porto. Um momento em contracorrente, na noite mais pálida da versão azul e branca de Farioli.

Negativo: desequilíbrio atrás, desconexão na frente

Pela primeira vez nesta época, o FC Porto revelou dificuldades nas transições. Para lá de William Gomes e da ineficácia austríaca, os dragões foram erráticos nos processos ofensivos, lentos atrás e até pareceram resignados perante a organização defensiva do Salzburgo. Sem espaço nos corredores, nem na profundidade, ninguém “tricotou” pelo meio. Em simultâneo, Samu foi "engolido" pelos anfitriões.

De Salzburgo, Farioli leva o lembrete de que a Liga Europa exige calibre superior face ao campeonato português.

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