Sainz e William convencem, Mora desvanece e visitantes por surgir
A FIGURA: Borja Sainz, espelho da ambição ofensiva de Farioli
Apostado em sufocar desde princípio o setor recuado do adversário, Borja Sainz aproveita o embalo das bancadas para espreitar a possibilidade de rematar, cruzar ou combinar. Por norma à esquerda, o extremo espanhol de 24 anos estreou-se a marcar pelo FC Porto, e logo em dose dupla. Totalista, acumulou quatro remates, dois dribles, um “passe-chave”, cinco duelos ganhos em 14, 23 passes em 31 e um corte.
Em todo o caso, perdeu a posse em 15 ocasiões. Por isso, há margem para progredir, ora na construção, ora nas decisões no último terço.
Em suma, é um extremo endiabrado, acompanhando Zaidu, Alberto Costa e William Gomes no lote de velocistas. Espelha as ideias de Francesco Farioli, um FC Porto corajoso, combativo e destinado a vencer pela pressão, sem descurar a organização recuada.
O MOMENTO: William Gomes levanta o Dragão, 26 minutos
Quando o Casa Pia revia a matéria defensiva, face ao golo de Sainz, o extremo brasileiro capitalizou a inexistência de pressão e acelerou pela direita, desferindo um arco indefensável para Sequeira. Além de forçar erros defensivos, o extremo brasileiro marcou e criou oportunidades, justificando a escolha de Farioli e deixando avisos aos colegas de posição – sobretudo a Pepê e Rodrigo Mora.
Recorde a crónica desta partida.
Outros destaques.
Victor Froholdt: o “nórdico bonito” da Invicta, médio de 19 anos, já conquistou os adeptos e é abraçado por elogios a cada ação. Até sair de cena aos 58 minutos, para dar lugar a Eustáquio, acertou 17 em 18 passes, assistiu para o 1-0, sofreu duas faltas e ganhou quatro em 11 duelos. Segue como intocável nos titulares.
Alberto Costa: para lá do golo (3-0), o lateral foi determinante na transição ofensiva, à semelhança de Zaidu no outro corredor. Veloz e eficaz, deixou o encontro com queixas musculares, fazendo soar os alarmes. Nova exibição convincente, em toda a linha, uma das várias melhorias no “onze” portista.
Luuk de Jong: menos móvel do que Samu, procurou oportunidades no coração da área, ameaçando por duas ocasiões. Numa exibição cinzenta, o ponta de lança de 34 anos levou a melhor em seis duelos. Em todo o caso, a ideia de Farioli – de construção dos corredores para dentro, de bola no pé – não beneficia as caraterísticas deste experiente “calmeirão”, talhado para as investidas aéreas.
Rodrigo Mora: a ansiedade traiu o “menino”. Ainda que abraçado pelo tribunal do Dragão, o jovem avançado forçou dribles e duelos, não saindo beneficiado desta partida. O término do encontro trouxe desalento, pelo que Mora foi abraçado pelos colegas. Depois de uma época promissora, o jovem embate com a realidade de um plantel com maior profundidade e opções de outra craveira. No entanto, ninguém deixa cair o ânimo do internacional português, de 18 anos.
Patrick Sequeira: numa exibição a roçar o horrendo por parte do Casa Pia – muito distante da verdadeira versão – o guardião evitou o 1-0 ao sétimo minuto, com uma mancha impressionante perante William Gomes. Todavia, nada pôde fazer nos golos dos portistas. Acumulou paradas, arrefeceu o encontro sempre que possível, mas foi exposto por uma linha defensiva errática, um meio-campo desorganizado e um trio ofensivo inexistente. Uma tarde muito má para a turma de João Pereira.
