FC Porto: milhões desviados, escutas a 14 alvos e zero consequências

22 jan 2025, 20:09
Pinto da Costa

Há suspeitas do desvio de largos milhões de euros, conforme apurados numa auditoria às contas do FC Porto

Quando o procurador Rosário Teixeira deteve Luís Filipe Vieira, no verão de 2021, o que levou de imediato à destituição do então presidente do Benfica, tinha como alvos no mesmo processo protagonistas ligados a crimes quase idênticos no FC Porto – tanto Vieira como Pinto da Costa eram suspeitos de usarem empresários como testas de ferro para desviarem milhões dos respetivos clubes. Cruzaram-se todos no mesmo processo porque havia um empresário em comum – Bruno Macedo. O Ministério Público desfez a alegada teia no Benfica, com detenções e medidas de coação pesadas, mas a norte deixou tudo na mesma, até hoje.
 
Depois de ter detido Vieira, e antes que os advogados tivessem acesso ao processo, o procurador cuidou de separar o que dizia respeito ao Benfica da parte do FC Porto – que continua ainda hoje a ser investigada em segredo. Se passados três anos ainda não há uma acusação contra Vieira, no que diz respeito a Pinto da Costa e alegados cúmplices o que tem sido feito é um mistério. A CNN Portugal sabe que, quando separou os processos, em outubro de 2021, Rosário Teixeira tinha 14 pessoas sob escuta por ligações ao FC Porto: entre eles estavam Pinto da Costa, o filho Alexandre, os empresários Pedro Pinho, Jorge Mendes, Giuliano Bertolucci ou Bruno Macedo, o dirigente do FC Porto Adelino Caldeira ou o casal Fernando e Sandra Madureira.
 
Há suspeitas do desvio de largos milhões de euros, agora consolidadas com o apurado numa auditoria às contas do FC Porto, mas, ao contrário do que aconteceu no Benfica, não se conhecem consequências judiciais.

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