FC Porto pagou 50 milhões de euros a mais em comissões de jogadores

15 jan 2025, 17:18
Luis Díaz e Otávio no Vizela-FC Porto (Manuel Fernando Araújo/Lusa)

Auditoria revela 51 jogadores contratados sem relatório de «scouting» e 15,8 milhões em dívidas pendentes a agentes

O FC Porto revelou que pagou mais 50 milhões de euros do que era devido nas últimas cinco épocas, através da auditoria forense levada a cabo ao longo dos últimos meses pela gestão de André Villas-Boas.

De acordo com o documento, a que o Maisfutebol teve acesso, a SAD portista pagou um total de 155,8 milhões de euros em comissões, quando este valor deveria ascender a um máximo de 105,9 milhões, caso fossem respeitados os limites FIFA e valores de mercado: cerca de 10 por cento do valor de transação para entradas/saídas e 3 por cento para renovações.

O documento analisou 879 movimentos relacionados com negócios de jogadores e registou um impacto negativo de 47 por cento de comissões em excesso, nos cinco últimos anos de gestão de Pinto da Costa.

O clube revela que fez uma análise aprofundada de 55 contratações e que, destas, 51 «não foram suportadas por qualquer relatório de scouting ou justificação», tendo 41 «apresentado comissões acima dos referenciais FIFA e/ou dos standards de mercado».

Além deste cenário, foram identificados pagamentos de comissões pendentes relativos a 23 jogadores, representando um total de 15,8 milhões de euros em incumprimento.

Em relação às renovações de contratos, regista-se que 95 por cento dos casos analisados ultrapassaram o limite de 3 por cento do salário bruto, totalizando 11,5 milhões de euros em comissões excessivas. O documento revela ainda que 50 por cento das comissões pagas pelo clube – 80 milhões de euros – foram atribuídas a apenas oito agentes: PP Sports e N1 Carreiras (ambas de Pedro Pinho), BMC Consulting e Yes Sports (ambas de Bruno Macedo), Gestifute (de Jorge Mendes), Bertolucci Assessoria, Passion Sports, Livesoccer, STV Soccer e North Fields.

Foram ainda detetados «16 mandatos de exclusividade atribuídos a intermediários, alguns dos quais sobre jogadores-chave, restringindo a liberdade de negociação».

Para responder a esta situação, desde maio de 2024, quando tomou posse a administração de André Villas-Boas revela ter implementado um limite máximo para comissões (3% do salário bruto e 10% do valor de transação), bem como renegociado mandatos de exclusividade com agentes, além da publicação regular no Portal da Transparência de informações relativas às comissões.

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