FC Porto-Moreirense, 3-1 (destaques)
Mora, o menino (a prazo) que alumia a esperança
A FIGURA: Pasme-se! Rodrigo Mora.
Quem mais senão o menino que leva e embala, desconstrói e sonha, almeja e conquista. É um mago em construção, quiçá a prazo na Invicta. Numa noite intermitente do coletivo, foi – uma vez mais – motor para vencer. Amado nas bancadas e visado pelos adversários, é inevitável. Esta descrição é, por certo, semelhante a outras tantas, mas Rodrigo Mora – que na segunda-feira completa 18 anos – merece todos os elogios. Mas, claro, com os pés assentes na Terra.
Se acompanhado por elementos mais experientes e audazes, estaria a viver uma época idílica. Em todo o caso, é pilar na estrutura de Anselmi e dos raros aspetos positivos do “ano zero” da era Villas-Boas.
O MOMENTO: Samu acalma as hostes, 70 minutos.
Os assobios foram quase tantos quanto os cânticos nas bancadas do Dragão, uma vez que os resultados estão muito aquém do ansiado há um ano. Apesar do processo de renovação, torna-se difícil justificar a apatia defensiva, as banalidades individuais e o poder de fogo intermitente. Quiçá, alguns jogadores já pensam em destinos paradisíacos, longe de Portugal.
Esta noite, Samu consumou a reviravolta (1-2) e acalmou os adeptos. Pouco depois, aos 79m, resolveu a contenda, para breves momentos de festa. Os golos compensam nova exibição pobre, sempre distante das zonas de construção. Exigiu bola na área, mas raramente ofereceu linhas de passe. Precisa de crescer – emocionalmente, inclusive – e de fazer mais do que rematar, antes de exigir dos outros.
Recorde a crónica desta partida.
Outros destaques.
Cláudio Ramos: impediu o segundo golo do Moreirense em cima do intervalo, continuando a acumular créditos na ausência de Diogo Costa. É uma peça a ter em conta para o futuro. Sempre foi.
Francisco Moura: predisposto a fazer toda a ala e a visitar a área adversária, impôs o empate quando novo abismo parecia se aproximar. Foi determinante na maioria das transições.
Fábio Vieira: a par de Rodrigo Mora, foi um dos irrequietos, na ânsia de servir os colegas mais adiantados. Assistiu Moura para o empate e comandou as operações no miolo, sobretudo quando Rodrigo Mora se adiantava no terreno. Cresceu como extremo, mas continua a acumular experiência como 10 e, até, a 8. Numa fase de escassez de opções de igual calibre, continua a ser crucial. Esta sexta-feira exibiu-se a bom nível, merecendo o abraço dos adeptos.
João Mário: na sequência de uma primeira parte frustrante, a evolução ofensiva permitiu espaço para encontrar correspondência na área. Conquistou o penálti e dominou o respetivo corredor.
Maranhão: oportuno e ágil, aproveitou as escassas oportunidades para continuar a firmar créditos enquanto titular. Ora a meio-campo, ora na área do FC Porto, foi uma seta apontada a Cláudio Ramos.
Frimpong: fez desmoronar a defesa dos dragões na primeira parte, sobretudo ao capitalizar a invejável velocidade. Esteve próximo de marcar em cima do intervalo e protagonizou a maioria dos contra-ataques.
Alanzinho e Ivo Rodrigues: os cérebros da contenção e construção do Moreirense, o primeiro apostado em contra-atacar, o segundo a “cortar pela raiz” as investidas dos anfitriões. São esteios nos cónegos e foram o exemplo de 70 minutos de muita confiança.
Marcelo e Dinis Pinto: lideraram uma linha recuada exemplar até à reviravolta dos dragões. Frustraram a maioria das investidas na primeira parte e “aborreceram” parte da da etapa complementar, de olho, pelo menos, na soma de um ponto.
