FC Porto-Boavista, 4-0 (crónica)
Dragão dono do seu destino em 2025
A Invicta pintou-se de azul. Dos Aliados à avenida da Boavista, da Ribeira à Marechal Gomes da Costa. O FC Porto goleou o Boavista no dérbi da cidade (4-0) e isolou-se na liderança da Liga.
Sentados no sofá, os dragões vão assistir ao outro dérbi da jornada 16, o de Lisboa, para saber em que posição vão celebrar a mudança de ano. Quem diria, sobretudo depois de uma fase como não se via há 16 anos (três desaires seguidos) e da contestação de que Vítor Bruno foi alvo.
É nos altos e baixos que reside a beleza do jogo. E também está nos duelos «quentinhos», nos desarmes duros, nas disputas ríspidas e nas pequenas provocações no relvado. São ingredientes que não podem faltar num dérbi como o que se jogou no Dragão.
Entre faltas, protestos, quezílias, assobios e cartões amarelos, foi preciso esperar 26 minutos para assistir à primeira ocasião de golo. Apesar de Samu ter feito a larga maioria dos adeptos portistas levantar-se das cadeiras, a finalização foi desastrada.
Cinco minutos depois, foi, no entanto, diferente. A jogada é de um nível de execução altíssimo (a qualidade dos intérpretes ajuda) com Nico a lançar Martim Fernandes que, com dois toques, arrancou um cruzamento que Samu só teve de encostar.
O talento ajudou a desatar o nó. De resto, Nico teve a companhia de Eustáquio e de Mora (novamente titular) enquanto André Franco ocupou o lugar de Fábio Vieira, de fora por opção.
Embora o Boavista tenha tentado sair em transições, raramente assustou verdadeiramente Diogo Costa. Por outro lado, o FC Porto podia ter dobrado a vantagem até ao intervalo, mas César impediu que Samu (de novo) e Martim marcassem.
A segunda parte foi distinta desde logo porque o FC Porto chegou rapidamente ao 2-0. Nico já tinha falhado de forma incrível na pequena área aos 51 minutos, mas não perdoou pouco depois (55m). Na sequência de um lance estudado, Rodrigo Mora assistiu o espanhol para o golo da tranquilidade.
O tabuleiro ficou do avesso. Os axadrezados estavam como que entregues e conformados e o Dragão, sentindo a pantera debilitada, aplicou o golpe final. Um lançamento longo do Boavista junto à área do FC Porto acabou num golaço de Mora – é um predestinado.
Não faltaram, de resto, ocasiões para os azuis e brancos chegarem à goleada. No entanto, César e a falta de acerto de Iván Jaime evitaram um resultado mais pesado. O guarda-redes do Boavista foi, todavia, impotente para evitar o 4-0 - insaciável, Samu ainda não tinha acabado o repasto do Dragão e perto do apito final, assinou o bis.
Depois do tumulto, a normalidade parece querer regressar ao Dragão. O FC Porto despede-se de 2024 só com vitórias em casa na Liga na era Vítor Bruno e vai dormir na liderança da Liga antes do dérbi Sporting-Benfica.
