Liga Europa: FC Porto-Nottingham Forest, 1-1 (destaques)
William constrói, Martim atraiçoa e Nottingham agradece
A Figura: William, o inevitável
Expoente da entrada dominadora do FC Porto, o extremo continua a capitalizar as oportunidades como titular. Desta feita, após construção de Fofana e cruzamento à esquerda de Gabri Veiga, o brasileiro desviou ao segundo poste. De recordar que o jovem de 20 anos leva quatro golos em cinco jogos e é o segundo melhor marcador na época dos portistas, com 13 golos, somente atrás de Samu (20 golos). Nesta noite também acumulou três remates, dois dribles, um cruzamento, dois cortes, quatro recuperações e seis duelos ganhos em 12. Ambiente frenético e exibição de elite. Vai fazer falta ao FC Porto no Estoril.
O Momento: pesadelo de Martim
18 minutos. Foi o tempo que esteve em campo e o suficiente para viver momentos antagónicos com a história do arranque da partida. Depois de o FC Porto se adiantar ao minuto 11, o lateral direito procurou atrasar para Diogo Costa, que estava à entrada da área. Além disso, o passe saiu com força a mais e traiu o guarda-redes, restabelecendo o empate ao minuto 13. Pouco depois, na sequência de uma dividida entre Gabri Veiga e Ndoye, o jogador do Nottingham atingiu o tornozelo direito de Martim Fernandes, deixando o defesa prostrado e obrigando à entrada de Alberto Costa.
Outros destaques.
Moffi: lento, desajeitado, desconectado. Não faz esquecer Samu, nem convence quanto à titularidade em detrimento de Deniz Gül. Apenas surgiu ao primeiro minuto e aos 45+1m, quando cabeceou na pequena área e ameaçou o 2-1. Assim, Sainz, William, Fofana e Gabri Veiga deambularam até ao centro, combinando com laterais, extremos e médios. Nesta quinta-feira, Moffi, Sainz e Martim Fernandes foram o “menos” do FC Porto.
Gabri Veiga: bússola até ao intervalo, o espanhol protagonizou algumas oportunidades, criando dois momentos de potencial golo – num deles assistiu William Gomes (1-0). Esclarecido no último terço, rematou por duas ocasiões e concretizou 26 em 29 passes. E também ajudou atrás, com uma interceção, quatro recuperações de posse e quatro duelos ganhos em sete. Saiu ao minuto 59.
Fofana: apesar de dores musculares na primeira parte, o costa-marfinense foi polvo nos 74 minutos disputados, ganhando cinco duelos e acumulando duas interceções, dois cortes e cinco recuperações de bola. Na frente, pecou no momento de rematar, ora porque os passes não saíram calibrados, ora porque Fofana escorregou. Em suma, exibição consistente do médio “faz-tudo”.
Diogo Costa: azarado no 1-1, o guarda-redes esteve inseguro nas saídas e em posse. Foi ilibado ao minuto 63, quando saiu a medo e deixou a baliza desprotegida. Apesar do golo de Igor Jesus, a análise do VAR livrou o guardião de uma noite terrível.
Zaidu: na mó de cima desde janeiro, fez as delícias dos adeptos ao descartar a pressão ofensiva do Nottingham e lançando contra-ataques. Fez todo o corredor esquerdo e só faltou encontrar espaço para cruzar.
Pepê: lufada de ar fresco face à exibição medíocre de Borja Sainz. Renovou o ímpeto ofensivo do FC Porto, desmontou a defesa inglesa e serviu Froholdt de calcanhar, com o médio a atirar cruzado e ligeiramente ao lado. Uma das várias oportunidades dos dragões, que fizeram o suficiente para descansar em vantagem na eliminatória.
Deniz Gül: entrou bem aos 59 minutos, muito mais combativo do que Moffi. Depois de um par de boas jogadas – com um remate perigoso à mistura – a ansiedade portista apagou o avançado. Ainda assim, soube aproveitar a oportunidade para oferecer algo mais do que o “concorrente”.
Ndoye: o ala serviu de farol aos contra-ataques do Nottingham, ganhando seis duelos em nove e sendo o mais importante na construção. Não foi uma exibição deslumbrante – à imagem do Nottingham – mas suficiente para conter as investidas do FC Porto. Na frente, Chris Wood e Igor Jesus foram anulados por Bednarek e Thiago Silva.
Stefan Ortega: num Nottingham mais preocupado com a manutenção na Premier League, o guarda-redes emprestado pelo Man City foi o espelho de uma equipa inglesa estranhamente a jogar para não perder. Salvo esporádicos contra-ataques, a turma de Vítor Pereira não quis jogar, contentando-se com o empate. Quanto a Ortega, o guarda-redes aproveitou o larguíssimo critério para retardar todas as bolas paradas, terminando a partida sem cartão amarelo, mas com sete defesas – apenas uma apertada, aquando de um arco desferido por William Gomes à direita. A eliminatória decide-se dentro de uma semana no City Ground.
