«Pinto da Costa morreu porque tomava as dores de Madureira»

11 jun 2025, 20:02
Assembleia-Geral do FC Porto

Ex-vice da Mesa da Assembleia Geral do FC Porto acusa Lourenço Pinto de desgoverno na AG e elogiou Fernando Madureira em tribunal

Nuno Cerejeira Namora, antigo vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral [MAG] do FC Porto, afirmou esta quarta-feira, em tribunal, que Pinto da Costa faleceu por ter «tomado as dores» de Fernando Madureira, no âmbito da Operação Pretoriano.

No 18.º dia de julgamento, no Tribunal de São João Novo, no Porto, a testemunha arrolada pela defesa do antigo líder da claque «Super Dragões» e da mulher, Sandra Madureira, descreveu a relação próxima entre Fernando Madureira e o histórico presidente portista.

«Vivi muito mais com Pinto da Costa depois de perder as eleições do que os quatro anos em que trabalhei com ele. Há quem diga que o que o matou foram a operação, o cancro, a auditoria, a derrota nas eleições... Eu digo que Pinto da Costa morreu porque tomava as dores de Fernando Madureira. Sentiu que estava preso por ele», declarou Nuno Namora.

Sobre os incidentes na Assembleia Geral de novembro de 2023, o antigo dirigente apontou o dedo a Lourenço Pinto, então presidente da MAG, acusando-o de ter uma «interpretação egocêntrica e autocrática» do cargo.

«A MAG estava muito preocupada, porque se apercebeu que havia duas tendências, uns do lado de Pinto da Costa e outros de Villas-Boas, com as redes sociais a arder, incendiadas por ambas as partes. A quatro dias, mandei-lhe por e-mail algumas destas comunicações ao Lourenço Pinto, porque admiti que não tivesse redes sociais e não se apercebesse do que estava a acontecer», explicou.

Nuno Namora garantiu que todas as advertências foram ignoradas e que Lourenço Pinto decidiu, sozinho, transferir a AG para o Dragão Arena, sem condições de segurança.

«Tínhamos atrás de nós umas colunas mais fracas do que as de minha casa. Estava constantemente a aproximá-las dos ouvidos do Lourenço Pinto para que ele se apercebesse do que se passava à volta dele», revelou, acrescentando que a MAG se reuniu com Pinto da Costa sem Lourenço Pinto, para o afastar da organização da próxima reunião.

O antigo advogado de Fernando Madureira, elogiou o arguido, admitindo que teve uma «má impressão inicial», mas que esta se alterou com o tempo.

«Quem veio do mesmo lugar do que ele, está morto ou preso. Ele soube aproveitar as oportunidades da vida, apanhou o elevador social. É um rapaz empreendedor, que casou, estudou, teve filhos, que receberam dele uma educação que nunca teve, uma família impecável. Deu a vida pelo clube, é um líder extraordinário da claque. A polícia gostava e precisava muito do Fernando, resolvia muitos problemas. Tem o defeito de ser vaidoso e está a pagar por isso», afirmou, perante a emoção visível de Madureira.

Os 12 arguidos deste processo, incluindo Madureira [o único em prisão preventiva], respondem por 31 crimes, desde coação a ofensas físicas durante jogos.

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