Médio espanhol tem ligação à Invicta e vontade em vestir de azul e branco. Amizade entre Villas-Boas e diretor desportivo do Al Ahli, que vem desde os tempos do Chelsea, também pode ajudar à concretização do negócio
Parecia quase uma ilusão, mas é um negócio cada vez mais realizável. Gabri Veiga vai deixar o Al Ahli e está cada vez mais perto de ser reforço do FC Porto, que lhe pôs em cima da mesa um contrato até 2030.
O médio de 22 anos está mais perto de ser ídolo no Dragão, um estádio que conhece bem e que até foi fundamental para a sua ainda curta carreira.
Surpreendido? Bem, o Maisfutebol revela esta curiosa história.
Quando há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2024, Gabri sofreu uma lesão no tornozelo, que o deixou fora de competição por três meses, a recuperação foi realizada na Clínica do Dragão sob orientação de Niek van Dijk, um dos maiores especialistas mundiais neste tipo de contusões.
Com a família a viver no Porriño, nos arredores de Vigo, o espanhol aproveitou a proximidade com o Porto – cerca de 120 quilómetros – e o prestígio do médico neerlandês, que, entre outros, já operou Cristiano Ronaldo, em 2008, para recorrer à infraestrutura médica localizada no interior do estádio portista e fazer a recuperação conservadora da sua lesão.
Esta ligação à Invicta foi determinante para convencer Veiga a considerar o FC Porto como uma boa opção para cumprir o seu desejo de regressar à Europa, mesmo abdicando de um salário milionário na ordem dos 12 milhões de euros por época.
Villas-Boas e Congerton: amigos de longa data negoceiam espanhol
A vontade do galego Veiga tem um papel decisivo nas negociações, mas não é o único ponto a favor dos dragões.
Outro fator importante é o galês Lee Congerton. O atual diretor desportivo do Al Ahli é amigo de longa data de André Villas-Boas. Mais precisamente desde que ambos integravam o staff técnico do Chelsea, quando José Mourinho deixou o FC Porto campeão europeu para assumir o papel de treinador principal dos londrinos, em 2004.
Além disso, Congerton era responsável pelo scouting do Chelsea, quando, anos mais tarde, em junho de 2011, Villas-Boas foi contratado como técnico também ao FC Porto, tal como havia acontecido com o «Special One».
Há pouco mais de um mês, no início de abril, o dirigente do Al Ahli, que foi determinante para a contratação de Galeno pelos sauditas no último mercado de inverno, esteve no Dragão, quando terá sido levantada a possibilidade de Veiga vir a ser reforço do FC Porto. Aliás, as imagens da conversa informal entre Villas-Boas e Congerton, bem no centro do relvado do estádio portista, foram captadas pelas câmaras de TV.
Estrutura do negócio obriga a jogo de paciência
A vontade do jogador e as boas relações entre dirigentes podem ser, portanto, determinantes para que Gabri Veiga acabe mesmo por vestir de azul e branco.
A dificuldade, neste momento, prende-se com a engenharia financeira que envolve o negócio. Há que recordar que o internacional jovem espanhol surpreendeu o mercado quando há dois anos, depois de ter sido a revelação da Liga, trocou o seu Celta de Vigo – clube do qual é fervoroso adepto – pelo Al Ahli a troco de 30 milhões de euros.
Agora, o FC Porto quer contar com o médio que vê como substituto ideal de Nico González já para o Mundial de Clubes e pôs na mesa uma proposta na ordem dos 17 milhões de euros. Em vias de perder o jogador a custo zero dentro de um ano, o Al Ahli tenta recuperar ao máximo o investimento feito e, desse modo, quer salvaguardar uma fatia de leão no passe do jogador para uma eventual futura transferência.
Veiga tem contrato com os sauditas até junho de 2026, mas está disposto a reduzir drasticamente o seu vencimento, na ordem dos 12 milhões de euros anuais, para relançar a sua carreira na Europa. A determinação em sair é pública na Arábia Saudita, de tal forma que o jogador saiu assobiado pelos adeptos do Al Ahli no jogo da passada quinta-feira.
O FC Porto tenta agora conjugar a vontades e conta com Veiga como aliado para convencer o Al Ahli a aceitar uma estrutura do negócio razoável para os cofres da SAD.
O jogo de paciência segue dentro de momentos.