Froholdt: é possível ser patrão aos 19 anos
A FIGURA: William Gomes
O extremo brasileiro trouxe alegria ao jogo. De tal forma, que reforça uma questão que já era premente no final da última época. Dada a qualidade técnica e a capacidade de criar desequilíbrios, como pode William Gomes ter tido tão poucas oportunidades com Martín Anselmi?
Esta tarde, Farioli lançou-o para a meia hora final, juntamente com Rodrigo Mora e Eustáquio (ambos ameaçados de perder espaço nesta nova era) e o brasileiro abriu o livro e virou o jogo do avesso. Inventou, ainda que de formas bem diferentes, o primeiro e o segundo golo. Mostrou muito em pouco tempo e conquistou o público do Dragão, como que a prometer uma grande época.
O MOMENTO: minuto 65. uma criação de William consumada por Samu
Depois de uma minibatalha em campo, que deixou as duas equipas reduzidas a dez, e do golo que pôs o Twente em vantagem, Farioli olhou para o banco e fez saltar de lá William Gomes. O jovem ex-São Paulo entrou e mudou por completo a partida. Em poucos minutos em campo, rompeu pela direita, driblou e rematou colocadíssimo, com a bola a embater na barra. Sobrou para Samu, que acabou por emendar para o golo. Um grande momento num jogo mais disputado do que bem jogado no Dragão.
OUTROS DESTAQUES:
Victor Froholdt
O dinamarquês chegou há menos de uma semana e parece que já joga há anos no FC Porto. Victor Froholdt é daqueles jogadores que enche o meio-campo, pela capacidade física, sim, mas também pela qualidade técnica de fazer tudo parecer simples. Aos 19 anos, joga com a tarimba de um veterano que já sabe tudo do jogo. Não se acreditem nele, portanto, quando diz que não é um daqueles «wonderkids». É bem capaz de estar a ser modesto. O FC Porto gastou uma pequena fortuna, mas foi buscar a Copenhaga um patrão para o meio-campo.
Borja Sainz
O extremo espanhol contratado ao Norwich tem nervo e não dá nenhum lance por perdido. Sobre o lado esquerdo do ataque, Borja pediu jogo, lutou muito, mas não teve a tarde mais inspirada. Deixou, ainda assim, boas indicações. A sua velocidade e qualidade técnica prometem criar muitos desequilíbrios.
Dominik Prpic
O eixo defensivo não tremeu, pelo menos tanto quanto havia acontecido nos últimos tempos e isso acaba por ser uma boa notícia. O jovem croata fez dupla com Nehuén Pérez como central do lado esquerdo e teve uma exibição segura. Falta saber se é o suficiente para agarrar um lugar como titular ao longo da época, no setor mais debilitado do FC Porto, que ali mais do que em qualquer outro está a clamar por reforços.
Gabri Veiga
O reforço mais conhecido dos dragões, pelo cartel e por ter sido contratado ainda antes do Mundial de Clubes, não teve a melhor estreia no Dragão. Hoje, exagerou na forma como disputou o lance e entrou em confronto com Unuvar, acabando por ser expulso em cima do intervalo. Antes disso, Gabri mostrou a espaços a qualidade que o fez despontar no Celta e acabou por levá-lo para a Arábia numa transferência milionária. Chegou até a rematar ao poste, na melhor oportunidade do FC Porto na primeira parte. Será, à partida, uma aposta segura de Farioli: o meio-campo é dele e de Froholdt.