De Farioli a Pietuszewski: o título dos dragões tem uma dedicatória especial
Sete figuras, mais uma. Mas poderiam ser muitas mais.
O 31.º título de campeão do FC Porto tem muito dedo de Francesco Farioli, mas também há méritos da estrutura, encabeçada por André Villas-Boas, e, claro está, de um grupo forte de jogadores.
O capitão Diogo Costa merece uma distinção especial, mas foi sobretudo o acerto nos reforços que fez deste FC Porto uma equipa cheia de identidade, em contraste com a época anterior. Froholdt, Bednarek, Kiwior… Mas também Seko Fofana, Pietuszewski, que só chegaram no inverno, e muitos foram peças determinantes para a construção de uma máquina bem oleada, acelerou na liderança da Liga à quarta jornada para não mais perder o controlo.
O título é de todos eles, mas é dedicado em especial a Jorge Costa. Foi com o «Eterno capitão» como diretor para o futebol que esta equipa começou a ganhar forma.
Jorge Costa desapareceu em agosto, mas deixou no Dragão e no Olival a semente de uma equipa ganhadora, com uma determinação e um espírito de conquista inabalável.
Este título é teu, «Bicho».
Parabéns.
Francesco Farioli: o filósofo espantou fantasmas
Italiano, formado em filosofia, o jovem técnico trazia na bagagem o fantasma do título perdido no Ajax nas últimas jornadas da época anterior. Esse desfecho infeliz foi-lhe relembrado uma e outra vez a cada ligeiro tropeção do FC Porto na Liga. A verdade é que no Olival se construiu uma equipa cheia de personalidade, uma muralha em termos de solidez defensiva, que liderou isolada a Liga desde a 4.ª jornada. Pela clareza de ideias com que montou uma equipa à sua imagem, pela meticulosidade com que estuda cada adversário, pela facilidade de comunicação, Farioli fez o FC Porto subir de patamar e conquistar o 31.º título de campeão. E assim se espantou o tal fantasma neerlandês.
Villas-Boas: uma época de acertos
Não joga, já não treina, mas tem muito do mérito pela conquista do seu primeiro campeonato como presidente do FC Porto. Pela escolha que fez de Farioli para timoneiro, pelos acertos nas contratações nos dois mercados – em particular no de inverno, em que contratou jogadores decisivos gastando menos do que os rivais –, pelo profissionalismo com que dotou em pouco tempo a estrutura, depois de uma má primeira época. Depois de se ter sagrado campeão em 2010/11, numa época perfeita com a conquista da dobradinha e da Liga Europa, Villas-Boas mostra ao que vem e ao segundo ano na presidência conduz o FC Porto ao 31.º título de campeão.
Diogo Costa: a parede que alicerça o título
Ter um guarda-redes de classe mundial dá muito jeito na hora de construir os alicerces de um campeão nacional. Diogo Costa é o dono da baliza do FC Porto e da Seleção Nacional e provou ao longo da época como pode ser decisivo em momentos cruciais. O capitão é, naturalmente, uma das grandes referências da equipa, sendo o jogador com mais jogos disputados e mais minutos em campo nesta temporada. Aos 26 anos, sagra-se tricampeão na sua sétima época no plantel principal, onde é o atleta mais longevo.
Bednarek: capitão sem braçadeira
Causou dúvidas no início da época a contratação de um central já muito experiente e sem títulos. A verdade é que Jan Bednarek chegou ao Dragão para se assumir como um líder da defesa do FC Porto, mesmo considerando que a seu lado tem o seu compatriota Jakub Kiwior, mais aprimorado tecnicamente, a constituir a muralha polaca, além do consagrado Thiago Silva como opção de luxo. Bednarek é um dos responsáveis pela solidez defensiva do FC Porto e não demorou a tornar-se num dos líderes da equipa. Uma espécie de capitão sem braçadeira. Um homem de confiança de Farioli, ou não fosse ele o jogador de campo com mais minutos jogados nesta temporada.
Froholdt: o todo-o-terreno dinamarquês
Chegou com 19 anos e com o peso de um investimento de 20 milhões de euros às costas, mas a verdade é que valeu cada cêntimo. O primeiro dinamarquês da história do FC Porto chegou para fazer história e tudo mudou no jogo dos dragões. Box-to-box, todo-o-terreno, o que lhe quiserem chamar, Victor Froholdt é um médio com um pulmão e um raio de ação bem acima da média. Não é por acaso que é o atleta com mais jogos nesta época (48) e tem um registo invejável de participações em golo: oito golos e sete assistências. Provavelmente, o jogador do campeonato.
Seko Fofana: um verdadeiro reforço de inverno
Mercado de inverno quase perfeito – prova n.º 1. O internacional costa-marfinense tornou-se uma espécie de joker para Farioli. O homem dos golos decisivos, que saltou do banco para marcar em momentos cruciais ao Sporting, ao Sp. Braga e ao Famalicão. Não foi dos que jogaram mais minutos, mas teve um impacto decisivo em vários jogos. Emprestado pelo Rennes, sem cláusula de opção, o médio de 30 anos faz muitos adeptos suspirar pela sua contratação em definitivo.
Oskar Pietuszewski: um prodígio descoberto na Polónia
Mercado de inverno quase perfeito – prova n.º 2. Como pode um jovem de 17 anos vindo do modesto Jagiellonia Bialystok ter tanto impacto e uma adaptação quase imediata? Na verdade, tudo fica mais fácil se houver uma certa dose de predestinação. Os adeptos do FC Porto não demoraram a decorar o nome de Pietusewski. Apesar da juventude, o extremo polaco agarrou um lugar na equipa principal e foi o principal desequilibrador da segunda metade da época. Determinante em Guimarães, em Braga, na Reboleira e… na Luz, onde mostrou o seu prodigioso talento com um golo de antologia.
