CAMPEÃO || Equipa quase construída de raiz teve várias apostas acertadas, mas também algumas que não correram tão bem
Diogo Costa, 18: esteio, segurança, liderança. Indiscutivelmente um dos melhores guarda-redes do mundo, chega ao topo com mais uma grande época, acumulando vários jogos sem sofrer golos. A melhor exibição da época acaba por nem ser na Liga, mas sim na Liga Europa, na receção ao Estugarda.
Ainda assim, não comprometeu em nenhum momento e foi sempre uma última barreira quando o resto não funcionava. À parte disso, aumentou ainda mais a preponderância no momento de construção, revelando-se decisivo nas saídas de pressão e na construção de ataques, funcionando muitas vezes como um autêntico líbero.
Cláudio Ramos, 12: cumpridor. Ainda teve de fazer meia parte em casa contra o AFS, depois de Diogo Costa ter saído lesionado ao intervalo. Ciente de que partilha o balneário com o melhor guarda-redes português da atualidade, continua a saber de cor o seu papel e desempenha-o bem, respondendo sempre que é chamado, confirmando que o FC Porto tem um excelente segundo guarda-redes.
João Costa, 12: raça. É provável que ainda se estreie até ao fim do campeonato para coroar o título com minutos, mas a importância de João Costa está bem para lá disso. Uma das primeiras contratações para a nova época, veio ajudar a devolver a mística ao balneário, sendo visivelmente importante nessa tarefa.
Alberto Costa, 15: alta rotação. Não dá para não pensar que o FC Porto enganou a Juventus na troca com João Mário. Apesar de uma época de altos e baixos, Alberto Costa confirmou que é um valor presente e com futuro e espaço para crescer.
Decisivo na vertente física, cumpriu quase sempre defensivamente, sendo várias vezes decisivo nas chegadas à frente, muitas delas com arrancadas poderosas.
Martim Fernandes, 14: sempre a crescer. Só não jogou mais porque teve algumas lesões e Alberto Costa pela frente, mas a época de Martim Fernandes é muito competente. Mais assertivo no momento de decisão, o lateral cresceu a olhos vistos e será peça crucial no futuro, até pela polivalência.
Na retina ficam excelentes jogos no Estádio da Luz, aí como lateral pela esquerda, ou em Braga.
Thiago Silva, 13: experiência. Cumpriu a missão que veio desempenhar, e que passava por garantir profundidade na posição de central. Sabe tudo do jogo e tem legítimas aspirações a estar nos convocados de Carlo Ancelotti para o Mundial de 2026, mesmo que talvez tenha jogado menos do que poderia esperar.
Aos 41 anos acaba por juntar mais um título a uma longa e bem-sucedida carreira.
Jakub Kiwior, 16: pés de veludo. É daqueles jogadores que se estranha sempre. Se fosse bom, porque é que o Arsenal o ia vender? É uma pergunta que fica no ar, mas é mesmo bom, um dos melhores e, em termos de qualidade pura e dura, o melhor do FC Porto.
Sereno e até bastante discreto, limpa a área com facilidade e constrói de forma exímia, passando quase sempre por ele a primeira fase de desbloqueio, como aconteceu em Braga num passe para Oskar Pietuszewski no golo que na altura deu o empate à equipa.
Jan Bednarek, 19: xerife. Seria o jogador do campeonato não fosse um rapaz loiro que joga mais à frente. Praticamente sem erros no campeonato - fica a má abordagem na Liga Europa contra o Nottingham Forest -, foi decisivo na proteção da área, parecendo estar sempre no local certo à hora certa.
Funcionou para Francesco Farioli como Sebastián Coates funcionou para Ruben Amorim no primeiro título. Mesmo sem ser deslumbrante ou rápido, conhece como ninguém as suas próprias limitações, conseguindo sempre fazer vir ao de cima as mais-valias que traz, nomeadamente o jogo posicional.
Foi ainda um capitão sem braçadeira, puxando pela equipa quando era preciso e ajudando sempre os colegas a levantarem-se de maus momentos.
Nehuén Pérez, 9: azarado. Depois de uma época de pesadelo, entrou nesta nova temporada como titular ao lado de Jan Bednarek. Mesmo que a lógica mandasse que passasse a suplente com a chegada de Jakub Kiwior, estava claramente a cumprir e a mostrar porque é que tinha sido contratado. Um jogador com quem Francesco Farioli certamente poderá contar na próxima época.
Dominik Prpic, 10: dúvida. Caso estranho, até para os adeptos, a julgar pelas redes sociais. Ainda algo imberbe em algumas abordagens, tem qualidade óbvia com a bola nos pés - só Jakub Kiwior constrói melhor -, mas a juventude tê-lo-á traído, impedindo que jogasse mais minutos a partir da chegada de Thiago Silva.
Ainda jovem, tem tudo para crescer na próxima época, até porque se mostrou sempre comprometido com a equipa, sendo sempre rosto visível da crença e vontade em alcançar o sucesso.
Zaidu, 14: eterna questão. Apenas um dos três que já sabiam o que era ser campeão nacional em Portugal - os outros são Diogo Costa e Pepê -, o nigeriano começou mais uma época como quase descartável, mas apareceu em momentos importantes, incluindo em Alvalade, onde ajuda a construir o primeiro golo.
Depois desapareceu e parecia que o divórcio com o FC Porto estava mesmo para chegar, mas a partir de fevereiro apareceu como outro jogador e chegou ao seu melhor momento nos dragões. Zaidu parece ter sete vidas.
Francisco Moura, 8: nota negativa. Alvo de comentários menos próprios nas redes sociais, fica ligado a alguns momentos cirúrgicos, mesmo que nem sempre por sua culpa.
Não foi o caso na receção ao Sporting, em que o braço fora da posição natural permitiu um penálti no último minuto e um empate que impediu que o campeonato ficasse logo fechado. Semanas depois ligaram-no ao empate na luz, aí mais injustamente.
Em todo o caso, acabou por se deixar afetar mentalmente, caindo rapidamente nas hipóteses de Francesco Farioli, que até acabou a época a preferir Pablo Rosario para a posição em vez de Francisco Moura.
Alan Varela, 14: época de altos e baixos. Incomparavelmente melhor que na temporada passada, o argentino foi um dos pêndulos do início do campeonato, como se viu em Alvalade, mas teve momentos de maior apagão e até alguns erros incompreensíveis - salta à vista a expulsão contra o Sporting no Dragão na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal.
A construir tem qualidade e até merecia ter marcado um golo com tantos remates perigosos fora da área, mas precisa de algo mais para ser uma certeza total num meio-campo do FC Porto.
Pablo Rosario, 17: surpresa. Aos 28 anos e a custar cerca de quatro milhões de euros, é daqueles jogadores de quem ninguém espera grandes coisas à partida. Totalmente errado. Devagar, devagarinho, Pablo Rosario acaba a época como um dos jogadores mais relevantes do FC Porto, certamente o mais polivalente, um dos mais fiáveis.
Jogou a lateral dos dois lados, jogou a central dos dois lados, jogou a 6, a 8 e até a 10 quando lhe pediram. Não jogou nas alas nem a ponta de lança, mas quase que dá para imaginar que também aí faria um bom trabalho.
Sem ser deslumbrante tecnicamente, é até melhor do que faz pensar, tendo uma inteligência fora do comum a perceber os momentos do jogo e onde estão os espaços, tanto que foi crescendo para ser um dos grandes obreiros da construção do FC Porto a partir de trás - veja-se o jogo com o Tondela.
Victor Froholdt, 20: o melhor. É o jogador do campeonato e isso basta para definir a época do jovem dinamarquês, que certamente terá muitos pretendentes este verão.
Sempre a correr, sempre a correr, virou meme entre os adeptos, que muitas vezes brincaram ao dizer que o viram a ir para casa a correr depois de um jogo acabar, já que enche o campo de uma forma tal que parece nunca mas nunca se cansar.
Humilde, como mostrou logo na chegada, é um jogador quase completo, faltando ainda alguma coisinha na definição. Se e quando a tiver é jogador para topo mundial, uma pérola rara.
No final de época reapareceu em grande com forma física revigorada e ajudou a mascarar a falta de um ponta de lança, aparecendo como terceiro melhor marcador da equipa.
Seko Fofana, 15: decisivo (mas pouco). Havia muitas dúvidas sobre qual o jogador que ia chegar, se o que valeu uma transferência milionária para a Arábia Saudita, ou se o que de lá tinha voltado.
Longe da forma ideal no início, mostrou logo que vinha para ser decisivo. Tê-lo-ia sido ainda mais se a equipa tivesse aguentado as vantagens que ajudou a construir, já que marcou contra o Sporting e ao cair do pano contra o Famalicão, mas em ambos os jogos o FC Porto permitiu o empate. Todavia, marcou o golo decisivo em Braga.
Quando atingiu o nível físico que se lhe conhece mostrou ser mais uma contratação totalmente acertada.
Stephen Eustáquio, 7: fora dela. Foi uma das grandes vítimas da mudança de paradigma do FC Porto e da chegada de mais qualidade. Importante com Sérgio Conceição e até crucial com Vítor Bruno e depois Martín Anselmi, depressa se percebeu que não ia ter andamento para a coisa.
Acabou por sair em janeiro, deixando para trás uma primeira metade de época pobre e afastada da equipa.
Gabri Veiga, 15: de bandeja. A execução de bolas paradas foi onde foi sempre decisivo, permitindo ao FC Porto vários golos dessa forma.
Chegado ainda antes de Francesco Farioli, encaixou no sistema, mas teve altos e baixos que não lhe permitiram dar um salto mais convincente na relevância que tem para a equipa, até porque tem qualidade para isso.
Acaba a época em grande nível, também ele a marcar golos decisivos que disfarçam a quase ausência de um ponta de lança.
Rodrigo Mora, 12: vítima ou culpado? Figura da época anterior no FC Porto, houve quem dissesse que a nova equipa tinha de ser construída à sua volta.
O problema é que Rodrigo Mora não encaixa diretamente no jogo de Francesco Farioli, que exige muito mais fisicamente e não privilegia tanto o jeito quase vagabundo que tanto delicia os adeptos.
Acaba a época com alguns momentos interessantes, mas claro que pode dar mais. Fica por perceber se é nesse contexto que isso pode acontecer.
André Miranda, ?: é campeão e por isso tem de entrar na lista, mas não há muito que se possa dizer, até porque esteve apenas seis minutos em campo numa vitória difícil contra o Arouca. No Football Manager é craque, vamos ver na vida real.
Ángel Alarcón, ?: ficou a sensação de que podia ter aproveitado melhor as poucas oportunidades que teve antes de sair para o Utrecht, onde tem brilhado. Dono de qualidades evidentes, tem ainda de dar um salto para ser opção válida.
Borja Sainz, 12: mais a menos. Final de época muito complicado para o jogador, que acusou, naturalmente, a morte da mãe.
Importante na primeira metade da época, fez golos relevantes, como o da vitória na receção ao Sporting de Braga, mas acabou a dar a sensação de que pode não ter tanto espaço como o próprio podia pensar, até porque há uma pérola a nascer por ali.
Oskar Pietuszewski, 16: partir a loiça toda. Quase que ameaçou ser novela de mercado, já que o Jagiellonia Białystok tentou bater o pé, mas não conseguiu aguentar os quase 10 milhões de euros.
Francesco Farioli insistiu que a vinda fosse imediata, e estava certo. Talvez no verão o FC Porto já não chegasse a este jogador, que é uma autêntica pérola. Caso consiga aprimorar a definição, vai ser um caso sério. Tem apenas 17 anos!
Acabou a ser decisivo em vitórias cruciais como em Guimarães, Braga ou, ainda agora, na Amadora.
William Gomes, 14: em arco. A comparação pode não ser feliz, mas tem um quê de Arjen Robben. Todos sabem o que vai fazer, mas muitas vezes não o impedem.
Com tendência para acabar todas as jogadas, adora puxar para o pé esquerdo e rematar em arco, o que lhe valeu vários golos, incluindo o 0-2 em Alvalade.
Acabou por perder fôlego no fim da temporada, mas termina como o segundo melhor marcador da equipa. Ainda muito jovem, é jogador para ter em atenção.
Pepê, 14: revigorado. Não faz a melhor época da carreira, já que não chegou a níveis que mostrou com Sérgio Conceição, mas esteve infinitamente melhor que na época passada.
Com uma aceleração brutal, se tivesse na definição um ponto mais forte seria um dos melhores. Ainda assim, é impossível não destacar o comprometimento defensivo.
Karamoh, 3: erro de casting. De todas as contratações feitas, será a única que falhou mesmo redondamente, estando atualmente à procura de colocação. Jogou pouco e, quando jogou, não mostrou o porquê de merecer oportunidade.
Samu, 12: outro azar. Não estava a ser deslumbrante, mas estava a marcar golos e isso conta muito. A lesão grave no joelho atrasa claramente uma evolução que era notória, já que Samu teve uma evolução notória e notável na ligação com os colegas.
Para ver como regressa aquele que ainda é o melhor marcador dos dragões na Liga.
Luuk de Jong, 10: encosto e enfermaria. Parece que nem nos lembramos, mas marcou o primeiro golo em Alvalade num dos jogos decisivos para este título.
Perfumado a tocar, mais do que qualquer companheiro, teve as lesões a estragarem-lhe a época.
Deniz Gül, 13: honra feita. Dificilmente terá algum dia a capacidade para ser um indiscutível no FC Porto, mas tem de lhe ser reconhecida a utilidade.
Ainda que a espaços, tem momentos decisivos na época, como o bis na Amadora ou o golo ao cair do pano em Moreira de Cónegos. É também ele que desbloqueia a jogada do 0-1 na Luz.
Terem Moffi, 9: poucochinho. Se tivesse o nível que se lhe viu no Nice há uns anos era uma coisa, mas nunca foi isso.
Talvez pela questão física - houve jogos de mãos nas ancas ao 20 minutos -, o avançado nunca foi uma clara mais-valia, mesmo que tenha mostrado pormenores interessantes.