Dragões pedem a Reinaldo Teixeira que seja mais objetivo e assertivo na condução do processo
O FC Porto respondeu com «surpresa e estranheza» à carta enviada pelo Benfica à Liga Portugal e aos clubes profissionais, na qual os encarnados pediram a suspensão do processo de centralização dos direitos televisivos e anunciaram que se retiravam do processo da Liga Centralização.
Em carta enviada a Reinaldo Teixeira, presidente da Liga, e assinada por André Villas-Boas, o clube questiona o timing da posição do Benfica, lembrando que o Rui Costa tinha apoiado o programa eleitoral da Liga Portugal e elogiado publicamente Pedro Proença, ex-presidente da Liga.
Não nos são inteiramente claros os motivos que justificam o momento escolhido para esta tomada de posição. Questionamo-nos se se deve à existência de dados novos, desconhecidos do FC Porto, ou se, internamente, o signatário encontrou razões para alterar e agora verbalizar um novo posicionamento.
FC Porto critica silêncio da maioria dos clubes
O clube portista recorda, de resto, que foi o único a defender publicamente o escrutínio prévio dos candidatos à presidência da Liga, referindo que sempre considerou importante conhecer a visão estratégica para o futebol português e o plano para a criação de valor do futuro presidente da Liga.
Mais do que isso, o FC Porto acrescentou que era fundamental conhecer «o posicionamento relativamente a temas estruturantes como o combate à pirataria, as apostas desportivas, os seguros desportivos, os quadros competitivos e, naturalmente, o projeto da Liga Centralização».
Apesar de tudo, não encontrou apoio no seio da Liga Portugal.
«A maioria dos clubes optou pelo silêncio ou por alinhamentos de interesse próprio, negligenciando a discussão franca e aberta que o momento exigia. Talvez tenham surgido novos elementos. No entanto, também nas mais recentes Cimeiras de Presidentes, já no decurso do seu mandato, e em múltiplos eventos organizados pela Federação Portuguesa de Futebol, o FC Porto foi uma das poucas entidades a assumir posições públicas firmes sobre temas como a centralização, a reformulação dos quadros competitivos o combate à corrupção», sublinha o FC Porto.
Benfica pode causar novo atraso na centralização
André Villas-Boas alerta também que a saída do Benfica da Direção da Liga Centralização representa mais um entrave a um processo considerado essencial para a sustentabilidade do futebol português.
No entanto, e em boa verdade, concorda com a SAD encarnada nas críticas ao processo, que pouco tem avançado nos últimos tempos. É necessário, por isso, fazer acontecer.
«A avaliação da clareza de posições tem sempre uma dimensão subjetiva. Já a sua tradução em ação é uma questão factual. E, de facto, pouco ou nada de substancial tem sido concretizado, apesar da aproximação das metas estabelecidas. Tomemos como exemplo a centralização e a proposta de repartição de receitas a submeter ao Governo. A anunciada saída do Sport Lisboа e Benfica da Direção da Liga Centralização pode representar mais um atraso relevante num processo fundamental para a valorização e estabilidade das Sociedades Desportivas. Solicitamos, por isso, a V. Exa. que assuma uma posição mais assertiva e objetiva sobre esta matéria.»
Refira-se, por fim, que também o Sporting foi visado nesta carta assinada por André Villas-Boas, o qual regista e critica a ausência da SAD leonina na última reunião da Direção da Centralização, realizada esta quarta-feira. «Coincidência ou não», refere o presidente portista.
Por todos os motivos expostos, reafirmamos a nossa total disponibilidade para que estes e outros temas sejam amplamente discutidos em Assembleia Geral da Liga Portugal ou, caso se justifique, em Assembleia Geral Extraordinária, com o devido respaldo estatutário e a concordância dos restantes Clubes e Sociedades Desportivas.