FC Porto-Atlético de Madrid, 1-0 (crónica)

Ricardo Jorge Castro , Estádio do Dragão, Porto
3 ago 2025, 21:02

Brisa nórdica dá frescura ao renovado Dragão

Um dia, um italiano – e não foi Francesco Farioli – disse: «O futebol é jogado com a cabeça, os teus pés são só ferramentas».

As palavras pertencem ao antigo internacional Andrea Pirlo e podem bem encaixar na versão 2025/26 do FC Porto que está a arrancar.

De cabeça mais limpa, depois de uma época que não foi de muito boas memórias. E também com energia e crença renovadas para colocar as ferramentas em prática e devolver o FC Porto ao topo. Ao real FC Porto que luta por títulos. Àquele «Porto Sentido», como canta Rui Veloso.

Este domingo, o jogo de apresentação terminou com vitória ante o Atlético de Madrid (1-0). E com uma brisa nórdica a dar cada vez mais frescura ao renovado Dragão.

Victor Froholdt marcou e voltou a brilhar, numa tarde que foi de surpresa com o reforço Luuk de Jong, de homenagem a Diogo Jota e André Silva e ainda dos primeiros minutos de Jan Bednarek perante a plateia azul e branca (dando já para ver que facilmente será o polaco a liderar o eixo defensivo portista).

Froholdt de área a área a comandar o meio-campo

Paulo Futre e Radamel Falcao deram o pontapé de saída simbólico. Com Bednarek e Alberto Costa como novidades em relação ao jogo com o Twente (saíram Prpic e Zaidu) e assente num 4x3x3 já conhecido de Farioli, o FC Porto foi quem mais teve bola e sentido de baliza nos primeiros 45 minutos: foi com frequência com os extremos bem abertos, Froholdt e Gabri Veiga combativos e com grande raio de ação ao meio e os laterais a surgirem em espaços interiores - sobretudo Martim Fernandes - na construção assumida em boa parte pelos pés de Bednarek. E contou-se já bem perto do intervalo, antes do 1-0, a única ocasião do Atlético, num cruzamento-remate de Julián Álvarez ao ferro.

Tirando isso, e numa máquina que ainda está a ser oleada aos novos princípios, sujeita a erros, mas com grande margem de evolução, o FC Porto teve mais bola e quis assumir o jogo. Nem sempre foi fácil contornar a linha defensiva do Atlético de Madrid, com Le Normand e Lenglet atentos à profundidade dada por Samu e ao jogo interior de Froholdt e Gabri Veiga, mas os sinais de ameaça junto da baliza de Oblak foram aparecendo.

Froholdt deu mais uma prova de que é reforço e que pode ser uma das figuras da Liga e comandou o meio-campo, com capacidade de recuperação, condução de bola e chegada à área. Um plus no motor azul e branco para 2025/26, que decidiu o jogo em cima do intervalo (45+1m) numa bela combinação com Pepê pela direita, soltando-se na área para receber o passe do brasileiro e rematar cruzado para o 1-0.

Foi o coroar de uma exibição em que já estava a ser dos melhores em campo, numa primeira parte em que Jan Bednarek e Borja Sainz também deixaram indicadores bons. O espanhol - sobretudo bem numa fase inicial - teve a primeira de duas grandes ocasiões com 0-0, mas Oblak defendeu (13m), antes de fazer a «mancha» a Pepê depois de um grande trabalho de Froholdt (17m).

Lá na frente, Samu foi Samu: lutou, deu-se bem em alguns lances, mas pecou também ao atrapalhar-se na condição e na definição no último terço. Esta definição final é, aliás, algo que o FC Porto tem claramente margem para evoluir. Aquele instinto letal. Será que Luuk de Jong ajudará nisso? Farioli conhece-o bem do futebol neerlandês.

Mora quase levantou o estádio numa segunda parte morna

A segunda parte não foi tão entusiasmante como a primeira e Farioli foi mexendo em várias peças, sobretudo para a última meia-hora de jogo, lançando Prpic, Zaidu, Zé Pedro, Grujic, Eustáquio, Rodrigo Mora, William, Namaso e Gül.

Diogo Costa praticamente não teve trabalho e as duas notas de destaque foram um remate de Alan Varela à malha e um lance de génio de Rodrigo Mora que quase acabou em golo.

O 1-0 não se alterou, mas neste Dragão e perante um adversário exigente, notou-se mais capacidade de controlo e domínio e um romper com o passado recente. Há cabeça. Há ferramentas. E uma brisa nórdica de frescura que permitiu que a plateia acabasse a cantar: «Nós só queremos o FC Porto campeão».

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