Presidente dos dragões lembra as operações que «salvaram» financeiramente o clube e assume vontade mudar os estatutos
André Villas-Boas esteve presente na Columbia Business School, por altura do Mundial de Clubes, para abordar a experiência enquanto presidente do FC Porto e lembrou como chegou à presidência dos dragões, numa conversa agora disponibilizada.
«Tinha uma sensação de que estava destinado a ser presidente do clube da minha cidade, o FC Porto. Decidi concorrer às eleições contra um presidente fantástico, que era Pinto da Costa. Esteve na presidência por 41 anos e eu ganhei as eleições. Grandes responsabilidades, muitas, de facto, mas estamos a tentar levar o clube em frente, não só em termos desportivos, mas também a nível financeiro, estrutural e operacional. Esperamos dar os passos certos para termos ainda mais sucesso nos próximos anos», disse Villas-Boas, que teve ao lado Michele Montesi, o Chief Strategy Officer do FC Porto.
«Algumas das operações que fizemos salvaram o clube»
Perante as dúvidas dos norte-americanos sobre a saída do antigo presidente após quatro décadas à frente do clube, Villas-Boas explicou os motivos que o levaram a ser candidato.
«Foi um período muito sensível no clube. (…) Falamos de uma pessoa [Pinto da Costa] que transformou o clube e que fez do FC Porto o que é neste momento. Vencemos duas Ligas dos Campeões, duas Taças UEFA e um número incrível de troféus nacionais, não só no futebol, mas também no basquetebol, andebol e hóquei em patins. Somos um clube eclético. Mas senti que era tempo de reestruturarmos o clube, que estava a entrar em ruína financeira. Senti que era tempo de modernizar o clube, levá-lo a outro nível e continuar a expansão internacional, ganhando títulos claro, tendo uma equipa competitiva», frisou, antes de assumir que o clube está mais folgado financeiramente.
«O FC Porto não é campeão nacional há três anos e estamos ainda a apanhar as peças, a tentar construir uma equipa mais forte para a nova época. Finalmente, agora temos as condições financeiras para investir no mercado, porque conseguimos resolver a maior parte das situações financeiras do clube. Algumas das operações que fizemos salvaram o clube e mantiveram-no como clube de sócios. Caso contrário, provavelmente teria de ser vendido a um fundo de investimento ou a um fundo privado», sublinhou.
«Quando entramos só tínhamos 8 mil euros em todas as contas e tínhamos duas semanas para apagar 12 milhões de euros. Conseguimos 15 milhões por empréstimos, através de papéis comerciais. Salvaram as nossas operações nessa altura e permitiu-nos investir um bocado na equipa.»
«Queremos estabelecer um limite de três mandatos»
O presidente do FC Porto abordou também a limitação de mandatos e manifestou a vontade de mudar os estatutos dos azuis e brancos, para que um presidente só se possa manter em funções, no máximo durante um ciclo de três mandatos de quatro anos cada.
«Somos um clube de sócios e os sócios elegem o presidente de quatro em quatro anos. Não temos limite de mandatos, para que isso acontecesse teríamos de levar o tema a Assembleia Geral e mudar os estatutos do clube. É algo que queremos fazer para estabelecer um limite de três mandatos, ou seja, um total de 12 anos, o que segue as práticas comuns em qualquer ambiente político saudável. É um desafio que temos para fazer e, para que aconteça, tem de ser aprovado em Assembleia Geral. Alterar os estatutos do clube é sempre algo muito sensível.»
«As pessoas acreditam muito na minha intuição»
Quanto às decisões que toma sobre os treinadores, Villas-Boas destacou a importância que dá àqueles que trabalham com jovens, como era o caso de Martín Anselmi, naquela altura.
«É uma questão muito difícil. A experiência que ganhas no mundo do desporto permite-te acreditar nas decisões que tomas. Sempre fui muito emotivo e intuitivo. Tento equilibrar com o meu lado racional. As pessoas acreditam muito na minha intuição. Tentamos através de um plano estratégico tomar melhores decisões, sobretudo a nível operacional. Tudo o que é o lado desportivo, é muito difícil. Normalmente, são decisões de frações de segundos. Não a decisão sobre um treinador, essa tem de obedecer sobretudo ao desenvolvimento de talento e, ao mesmo tempo, trabalhar com poucos recursos, mas conquistar títulos. (…) Muitas das decisões que tomo são baseadas em racionalidade, intuição e experiência acumulada», afirmou.