SAD do FC Porto apresenta lucro recorde de 39,2 milhões de euros

1 out, 09:26

Exercício financeiro de 2024/25 marcado por grande redução em custos operacionais, embora os proveitos também tenham descido (mas menos) em grande parte pela ausência da Champions. Transações com atletas valem mais de 100 ME. Capitais próprios ainda negativos, mas com grande melhoria. Dívida financeira com ligeira subida

A SAD do FC Porto apresentou um resultado líquido consolidado de 39,240 milhões de euros (ME), relativo ao exercício financeiro da época 2024/25, de acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), na manhã desta quarta-feira.

Anunciado como «o melhor resultado de sempre» da SAD do FC Porto, é invertido o resultado negativo de 21,063 ME registado pela sociedade no final da época 2023/24.

O resultado operacional da SAD, sem negócios que envolvam jogadores, é de 2,441 ME de lucro, contrastando com o resultado negativo de 1,966 ME do exercício financeiro anterior. 

A SAD do FC Porto conseguiu uma redução de mais de 29 milhões de euros (29,366 ME) em custos operacionais, para 147,099 ME (eram 176,465 ME em 2023/24), representando menos 17 por cento face a 2023/24: de destacar a descida de custos de 10,047 ME em «fornecimentos e serviços externos, refletindo o esforço da nova administração na implementação de medidas de maior eficiência, contenção e racionalização de custos», assinala a SAD: este valor passou de 56,782 ME para 46,734 ME. Outros 7,481 ME a menos foram em «custos com pessoal, apesar da integração dos quadros da sociedade FC Porto – Serviços Partilhados, com redução expressiva dos custos com a equipa principal e com o Conselho de Administração»: passaram de 89,419 ME para 81,939 ME.

Já os proveitos operacionais sem transações de atletas foram de 149,540 ME, menos 24.959 ME do que em 2023/24 (exercício com 174,499 ME nestes proveitos), representando cerca de 14 por cento abaixo do exercício anterior. Uma descida para a qual contribuiu a ausência da Liga dos Campeões da UEFA (impacto de 47,853 ME em receitas), ligeiramente atenuada pela participação no Mundial de Clubes. Excluindo o efeito das provas da UEFA, os proveitos operacionais teriam aumentado cerca de cinco por cento.

Já as receitas de bilheteira (lugares anuais e bilhetes vendidos a cada jogo) tiveram uma subida de 1,732 ME face ao período homólogo.

Transações de jogadores valem mais de 100 milhões de euros

Quanto aos resultados com transações de atletas, a SAD do FC Porto alcançou um resultado positivo de 100,436 ME, um valor recorde e que mais do que dobra em relação aos 41,578 ME registados em 2023/24: mais 58,858 ME.

Neste bolo, os proveitos com transferências de atletas (desde definitivas, empréstimos e outras receitas associadas, como mecanismo de solidariedade da FIFA/direitos de formação), a SAD do FC Porto alcançou proveitos de mais de 171 milhões de euros (171,502 ME), valor obtido muito graças a transferências como Nico González (60 ME para o Manchester City), Wenderson Galeno (50 ME para o Al-Ahli) ou Evanilson (37 ME para o Bournemouth).

Há ainda, neste plano, a registar a transferência de David Carmo para o Nottingham Forest (11 ME) «cuja menos-valia foi já reconhecida no exercício anterior, nos termos das normas contabilísticas aplicáveis». Junta-se também o encaixe de 9,5 ME pelo empréstimo de Francisco Conceição à Juventus, cuja venda posterior, concretizada em julho de 2025, refletir-se-á contabilisticamente apenas no próximo exercício financeiro. Há, ainda, 4,7 ME pelo cumprimento de objetivos associados às transferências de Evanilson e de Luis Díaz (Liverpool) e também a mudança de Toni Martínez para o Alavés (2 ME).

Em contraste com os encaixes financeiros, a SAD do FC Porto teve custos totais de 71,067 ME com transações de atletas (entre custos de transferências e empréstimos, comissões de intermediação, encargos com direitos de solidariedade, abate de valores contabilísticos dos ativos e valores pagos por cedências temporárias), atingindo-se assim os tais 100,436 ME.

Capitais próprios ainda negativos, mas com grande melhoria. Dívida financeira líquida sobe

Quanto aos capitais próprios (diferença entre os ativos e passivos), a SAD do FC Porto ainda está “no vermelho”, mas apresenta melhorias significativas no seu património: passou dos 113,761 ME negativos para apenas 10,458 ME negativos (melhoria de 103,303 ME).

Esta evolução resulta de dois fatores principais, como a incorporação do robusto resultado líquido obtido no exercício de 2024/25 e também o impacto da parceria com a Ithaka, que ditou a venda de 30 por cento dos direitos económicos da exploração do Estádio do Dragão, por 65 ME (ainda com potencial chegada aos 100 ME).

O total do ativo (corrente e não corrente) é de 508,745 ME (mais 101,631 ME face ao período homólogo) e o passivo reduziu para 519,203 ME (menos 1,672 ME).

Já a dívida financeira líquida aumentou quatro por cento, sendo de 254,093 ME. De recordar, que o FC Porto concretizou, a 11 de novembro de 2024, através da sua subsidiária Dragon Notes, a emissão de obrigações no valor de 115 ME, com prazo de vencimento de 25 anos. Houve, ainda, em novembro de 2024 e em março de 2025, dois empréstimos obrigacionistas, que totalizaram 71,044 ME (21,044 ME em novembro e 50 ME em março).

O documento é apresentado na manhã desta quarta-feira, a partir das 11 horas, publicamente, no Estádio do Dragão.

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