O Sporting foi fofo, o FC Porto foi Fofana e depois devolveu a fofura. E assim se decidiu um Clássico

9 fev, 23:00
FC Porto-Sporting (FERNANDO VELUDO/LUSA)

CRÓNICA || Nenhum quis assim muito ganhar, então o empate ajusta-se. Ganha o Benfica, pois, que de mansinho recuperou cinco pontos à liderança em apenas duas jornadas e de repente fica na posição de poder sonhar

Jogo em muito parecido com o da 1.ª volta, menos na espetacularidade, na emoção, que é o que se gosta mais. O Clássico desta segunda-feira foi mal jogado, demasiado especulativo e quase sempre cinzento, sendo que nem precisou do intenso nevoeiro ou do fumo das tochas para tal.

Um jogo sem grandes acontecimentos, portanto, que é o que Francesco Farioli mais gosta. E seja por estrelinha, seja por eficácia, seja por maior capacidade de decisão onde interessa, o FC Porto quase voltava a ganhar assim. Sem jogar bem, é certo, mas com uma defesa de ferro e uma capacidade cirúrgica na frente.

Só que o jogo mostrou as principais caraterísticas recentes de cada uma das equipas. O FC Porto defende bem, o Sporting acredita até ao fim.

Depois de uma primeira parte em que o Sporting apareceu por cima, tal como tinha acontecido em Alvalade, o FC Porto tomou conta do jogo, passando mais tempo com a posse de bola, mas sem criar grande perigo na frente.

A coisa também não era para tal. O objetivo era claramente não perder o jogo, e isso percebeu-se sempre que a decisão entre arriscar ou preservar a posse de bola recaía na segunda opção.

O Sporting acabou por equilibrar e a primeira parte acabou por ser isso mesmo: equilibrada, sem grandes lances de registo e com paragens a mais, fosse por haver jogadores no chão, fosse pelas tochas atiradas pelos Super Dragões que impediram a visibilidade durante cerca de cinco minutos.

Uma dessas paragens acabou por marcar o jogo. Samu lesionou-se no joelho e obrigou o FC Porto a regressar com Deniz Gül para a segunda parte.

De regresso para esse segundo tempo, nenhuma das equipas pareceu ter especial vontade de ganhar a partida. Acabaria por ser nas alterações que o jogo teria fator decisivo, com Francesco Farioli a fazer estrear Seko Fofana, que marcou numa jogada cheia de carambolas o primeiro golo ao serviço do novo clube. E logo na estreia.

Sem tomar propriamente a iniciativa, Rui Borges acabou por ter de reagir, forçando o FC Porto a recuar. Sem grande arte nem engenho, como nenhuma equipa até ali, o Sporting foi-se acercando da área adversária, mas sem lances de grande perigo.

Só que empurrou tanto o FC Porto que acabou por ter essas oportunidades, com Alan Varela - provavelmente o melhor em campo - a aparecer como salvador por duas ocasiões, já depois de um arco de Francisco Trincão ter feito o Estádio do Dragão suar, ainda que Diogo Costa parecesse estar no lance.

O Sporting, que até então tinha sido talvez demasiado fofo, teve a sorte que não tinha tido até então. Isto porque Francisco Moura foi também ele fofo e decidiu abrir o braço, cometendo um penálti infantil no último minuto da partida.

Com Diogo Costa pela frente, Luis Suárez ainda tremeu e permitiu a defesa, mas a recarga sorriu ao colombiano, que deixou tudo empatado e o campeonato praticamente na mesma. Praticamente na mesma porque o Benfica aproveitou e agora está a sete pontos da liderança - recuperou cinco pontos em duas jornadas -, mas, sobretudo, porque o FC Porto sai desta jornada com vantagem no confronto direto, pelo que os quatro pontos que o separam do Sporting são, na realidade, cinco.

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