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O FC Porto encontrou o seu pior adversário da época - e o pior é que vai ter de jogar com ele todas as semanas

9 abr, 21:56
FC Porto-Nottingham (FOTO: José Coelho/EPA)

CRÓNICA || Que azar de Martim Fernandes num golo que tem tanto de caricato como de frustrante. Olhe-se para Nottingham, onde vai ter de ser de outra forma

Quando o FC Porto marcou ao minuto 11 contra o Nottingham Forest dava para sonhar com um jogo tranquilo em que a equipa fosse capaz até de algo mais para chegar a uma vantagem interessante para a segunda mão destes quartos de final da Liga Europa.

O problema veio depois, com o azar dos azares. Apenas dois minutos depois, Martim Fernandes recebeu uma bola e decidiu atrasá-la em modo remate, marcando um dos autogolos mais caricatos da história do FC Porto. Diogo Costa, que estava ali ao lado, ainda tentou correr, mas a bola passou por ele como uma flecha, deixando toda a gente, incluindo os jogadores, de mãos na cabeça.

De mãos na cabeça primeiro e quase de mãos atadas depois. Não que o Nottingham Forest tenha sido muito capaz ou criativo, mas o FC Porto como que se autossabotou, deixando de conseguir jogar ou ligar jogo, completamente ao contrário do que tinha feito até então.

Errática, a equipa de Francesco Farioli permitiu ao adversário o crescimento no jogo, equilibrando o mesmo até final, ainda que o empate saiba a pouco para os dragões, que souberam recompor-se e criaram mais e melhores oportunidades.

Terem Moffi, Victor Froholdt, William Gomes, Deniz Gül ou até Alan Varela. Todos tiveram momentos em que uma melhor decisão tinha dado o golo da vantagem na eliminatória, que assim vai empatada para o City Ground, onde será natural que o Forest tenha outro tipo de pujança.

Neste momento vai faltando essa calma, essa capacidade de definição. Parece que há sempre um toque a menos ou um toque a mais, uma bola que vai para a esquerda quando devia ir para a direita ou uma corrida que não entra no tempo certo.

Só isso explica que, sem que o FC Porto tenha feito um mau jogo, nenhum dos jogadores tenha feito um bom jogo. Nesse ponto, exceção feita a nomes como Zaidu ou William Gomes, mas também a Pepê, que entrou com magia e vontade.

Mais do que a sensação de que o empate é um mau resultado, até pelo que se falhou, ficam dúvidas que pareciam não existir até ao passado sábado, quando o Famalicão visitou este mesmo Estádio do Dragão.

Há jogadores que parecem claramente fora de forma e outros a cometer erros completamente inesperados - Jan Bednarek teve aos 29 minutos deste jogo talvez o maior erro com a camisola azul e branca, ao distrair-se por completo dentro de área, num lance que acabou sem perigo.

Pensando nisso e na imagem dos jogadores completamente cabisbaixos depois do empate na última jornada da Liga, levantam-se dúvidas sobre a capacidade anímica deste FC Porto para reagir às adversidades.

O problema é que não tem grande tempo para pensar nisso, já que o campeonato está já aí e há uma historicamente difícil deslocação ao Estoril para fazer, sabendo-se que desta vez não pode perder e mesmo o empate é a última vida.

Tal como contra o Famalicão, o FC Porto passou demasiado tempo a desconfiar de si mesmo, sobretudo quando as coisas não correram bem - o tal lance de Martim Fernandes. Se não resolver essa desconfiança arrisca-se seriamente nesta ponta final, que é de todas as decisões entre uma época perfeita e a morte na praia.

O maior adversário do FC Porto parece ser, por esta altura, o próprio FC Porto. O problema é que vai ter de entrar em campo todas as vezes, restando saber qual das versões, senão mesmo as duas - como desta vez - vão aparecer.

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