FC Porto-Benfica (ou como Mourinho foi obrigado a provar o veneno que tantas vezes lançou)

14 jan, 22:48
FC Porto-Benifca (Estela Silva/Lusa)

FC PORTO 1-0 BENFICA || Num jogo com mais quezílias que qualidade, foi na cabeça de Jan Bednarek que se encontrou o necessário para fazer a diferença

Os Clássicos definem-se nos detalhes. Quase sempre é assim e os quartos de final da Taça de Portugal confirmaram-no, num jogo que foi muito mais equilibrado do que alguns poderiam prever, com o Benfica a superiorizar-se por várias vezes ao FC Porto, que entrou no jogo que tanto gosta assim que se apanhou a ganhar.

Numa partida que nada teve que ver com o jogo do campeonato em que dragões e águias se anularam, foi um canto à direita com uma entrada de rompante de Jan Bednarek que ajudou a resolver tudo, colocando o FC Porto nas meias-finais da prova, onde o surpreendente Fafe - tinha eliminado o SC Braga horas antes - e o Torreense já estavam à espera, faltando apenas saber quem passa de Sporting e AVS.

Depois de uma entrada afirmativa do Benfica, que não veio para especular, mas antes para jogar o jogo pelo jogo, a já conhecida bola parada de Gabri Veiga fez toda a diferença.

O espanhol coloca a bola onde quer, e isso acabou por ser completamente decisivo, mesmo que no resto do jogo tenha estado sempre aquém, com decisões erráticas que impediram o FC Porto de, com mais calma, colocar maior tranquilidade no jogo.

Mesmo que a equipa de José Mourinho tenha mostrado saber que desta vez tinha mesmo de haver um vencedor, já que se falava de uma partida a eliminar, o golo do central polaco acabou por dar espaço para Francesco Farioli fazer o que tantas vezes faz: trancar o jogo e deixá-lo correr.

Isso terá sido uma tarefa naturalmente mais fácil quando no eixo estão, além dos habituais Bednarek e Kiwior, o senhor Thiago Silva, que mostrou uma classe e uma limpeza que não saem de nenhum jogador, nem mesmo quando tem 41 anos.

Com o Benfica a tentar reagir, o FC Porto recorreu aos bons lançamentos de Kiwior para confirmar que Samu está a dar passos largos no papel de pivô. Muitas e muitas bolas do espanhol, que conseguiu por várias vezes dar espaço aos colegas para correr, sem que nunca tenha recebido a correspondência que merecia pelo trabalho.

Do outro lado, o Benfica ia continuando a dominar territorialmente, mas com dificuldades claras em criar lances de perigo, salvo um ou outro lance que causaram maior calafrio no Dragão.

Um jogo a fazer lembrar tantos outros do FC Porto. A fazer lembrar a receção ao Estoril, por exemplo, em que o FC Porto deu domínio total ao adversário e foi gerindo como podia.

O Benfica lá foi criando sobressaltos - um remate de Tomás Araújo passou pertinho do poste, por exemplo -, mas a partida pareceu sempre minimamente controlada, com Victor Froholdt a fazer o trabalho incansável de cobrir tudo o que há para cobrir no meio-campo.

Sabendo do caráter decisivo do jogo, José Mourinho até foi buscar Schjelderup, mas já não deu para inventar muito mais do que um lance que deve ter arrepiado o mais empedernido portista, com Pavlidis a não conseguir empurrar uma bola que estava a centímetros da baliza.

No fim do dia, aquele que tantos anos foi um dos mestres da tática e do pragmatismo foi mesmo obrigado a provar do seu próprio veneno. José Mourinho, que liderou aquele Inter que limpou o Barcelona com Eto'o a jogar a lateral em Camp Nou, não conseguiu ultrapassar a barreira erguida por alguém tão pragmático como ele.

Sem jogar bonito, mas também sem precisar de o fazer, o FC Porto conseguiu alcançar aquilo que conseguia, deixando o Benfica com uma época difícil de gerir até ao fim, já que terá dois testes de fogo com Juventus e Real Madrid para tentar ainda seguir na Liga dos Campeões, enquanto que no campeonato continua a 10 pontos do primeiro lugar.

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