Um motor, seis países e uma empresa portuguesa: FBI investiga alegada rede de venda de helicópteros para o Irão

CNN Portugal , TFR
10 ago, 07:34
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REVISTA DE IMPRENSA | O caso começou a ser reconstruído a partir de um motor de helicóptero avaliado em 209 mil dólares, cerca de 181 mil euros

Uma investigação do FBI, integrada num processo civil de perda apresentado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, levou à identificação de uma empresa portuguesa numa alegada rede internacional de aquisição de helicópteros e componentes destinados ao Irão, segundo revela o jornal Público. O caso começou a ser reconstruído a partir de um motor de helicóptero avaliado em 209 mil dólares, cerca de 181 mil euros.

Entre as entidades identificadas pelas autoridades norte-americanas está a Business United Unipessoal, Lda., sociedade portuguesa cujo único sócio é o empresário António Filipe Fortio Mira, de 33 anos. Segundo os documentos analisados pelo mesmo jornal, a empresa terá funcionado como intermediária em várias operações, envolvendo contactos e pagamentos com passagem por Portugal, Uruguai, Alemanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos.

A investigação também coloca em evidência a ligação entre António Mira e Miguel Frasquilho, antigo presidente da AICEP e antigo chairman da TAP, que se conhecem desde 2013 ou 2014. Frasquilho surgiu publicamente associado à Business United pelo menos desde janeiro de 2023, sendo então apresentado como “partner da consultora”. 

Os documentos norte-americanos analisados pelo Público não identificam Frasquilho como participante nas operações nem lhe atribuem responsabilidade pelos factos investigados. A Business United destacava, contudo, a experiência do antigo governante na Administração Pública, na AICEP e na TAP, apresentando-a como uma mais-valia para facilitar parcerias estratégicas, apoiar empresas em contextos regulatórios complexos e disponibilizar uma vasta rede de contactos.

A investigação aponta ainda Mehdi Shirazi Shayesteh, diretor executivo da Pasargad Helicopter Company (PHC), como uma figura central da alegada rede. Com sede em Teerão e na ilha de Kish, no Golfo Pérsico, a empresa dedica-se oficialmente à compra, venda, importação, exportação e manutenção de helicópteros.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a PHC desempenhava um papel relevante na obtenção de aeronaves e peças para a Iran Helicopter Support and Renewal Company (PANHA), empresa estatal iraniana ligada à manutenção e modernização da frota militar do país e alvo de sanções norte-americanas desde 2018.

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