Farense-Boavista, 0-1 (crónica)
Xadrez é fé e é esperança
A sexta-feira é santa, os dias, para quem acredita, rimam com ressurreição e que melhor tempo para se falar daquilo que pode ser um verdadeiro renascimento do Boavista?
O que parecia quase impossível, pode hoje ter ficado um bocadinho mais perto de alcançar. O Boavista já deu ideias de estar morto, praticamente enterrado nesta I Liga, mas eis que conseguiu algo inédito nesta temporada: duas vitórias consecutivas fora de casa.
A segunda foi carimbada hoje, frente ao Farense (0-1), no São Luís: e assim, nasceu a esperança da permanência, uma vez que os axadrezados igualaram os algarvios e estão, à condição, a dois pontos do AVS.
Mas não foi fácil. Longe disso, aliás. O Boavista sofreu – e mesmo muito – para ficar mais perto desse milagre da permanência.
Tozé Marreco apostou no mesmo 11 que venceu o Estrela da Amadora na passada jornada. Quanto ao Boavista, na estreia do novo treinador Stuart Baxter (que, na ficha de jogo, aparecia como delegado…), apresentou três novidades: saíram Bozenik, Lystsov e Vukotic para entradas de Kakay, Van Ginkel e Reisinho.
Durante toda a primeira parte, foram parcas as chances de golo. Na verdade, apenas houve duas oportunidades dignas desse nome: uma para cada lado.
A do Farense foi por intermédio de Rui Costa que, logo ao minuto 6, podia ter marcado se tivesse medido melhor a força do remate já dentro da área.
A do Boavista esteve nos pés de Joel Silva, cujo remate, de meia distância, obrigou Kaique a aplicar-se (40m).
Esperava-se mais do segundo tempo e foi o Farense a voltar a entrar um bocadinho melhor. Mas, lá está, sem grandes verdadeiros momentos de perigo junto da baliza.
Marreco, a meio da segunda parte, terá pensado: que todos os santinhos nos ajudem. Que é como quem diz: lançou mais dois atacantes (Yusupha e Marco Matias).
Mas seria o Boavista a sorrir. E de que maneira. Ao minuto 70, após um lançamento central, Joel Silva apareceu solto e rematou sem hipóteses de defesa para Kaique.
Os algarvios tentaram, mais com a cabeça do que o coração, mas adivinha o que aconteceu? Não criou qualquer lance de grande perigo.
Venceu o Boavista, na estreia do novo treinador. What a way to start, mister Stuart Baker.
A FIGURA: Joel Silva
Foi dele o único golo do jogo e que valeu os três pontos ao Boavista. Curiosamente, as duas verdadeiras oportunidades dos axadrezados estiveram nos pés de Joel Silva. A segunda acabou mesmo no fundo das redes de Kaique. A par de Reisinho, Seba Perez e Reisinho, Joel foi dos melhores do lado da equipa portuense.
O MOMENTO: De um lançamento, vieram os três pontos (68m)
Parece quase mentira, mas a verdade é que o golo do Boavista começou num lance que parecia inócuo: um lançamento de linha lateral. Tomané fez um desvio de cabeça, a bola sobrou para Joel Silva que, solto de marcação, fez o golo. Num jogo com poucos momentos de perigo, este foi, sem dúvida, o que marcou o encontro.
NEGATIVO: S-u-r-r-e-a-l este Farense no São Luís
Faltam os adjetivos para descrever o que tem sido a temporada do Farense a jogar em casa. Outrora conhecido como o Inferno do São Luís, esta época tem sido um verdadeiro pesadelo. Em 14 jogos para a I Liga, só ganhou dois, empatou outros tantos e perdeu… 10. Hoje, em mais uma partida crucial, voltou a ser derrotado em casa. O Farense, para que tenha uma ideia, não marca um golo no São Luís... há seis jornadas. Assim, não há milagres.
