Da Ria Formosa até à Foz?
Não teve grande história, não se fez história e, para a memória futura, ficará apenas uma eliminatória fácil para o Benfica que talvez se tenha assustado ali durante 10 minutos. Mas muito levemente.
Não foi preciso deslumbrar, não foi preciso sofrer; bastou cumprir o evidente – os encarnados são muito melhor equipa do que o Farense e a sólida exibição só o comprovou.
A diferença é tão evidente que até lhe posso dizer que, na realidade, os algarvios nem fizeram uma exibição terrível. Acontece que, mesmo o melhor Farense, está mais do que ao alcance de um médio Benfica.
O prometido é devido, cantava Rui Veloso, músico que nem será o mais predileto de muitos benfiquistas se pensarmos na cidade de origem e numa determinada música.
Mas José Mourinho cumpriu essa promessa: e até a dobrou. O treinador tinha falado de três alterações; acabou por fazer seis e em todos os setores. Da baliza ao ataque, com destaque para António Silva, Manu e Ivanovic.
Pensará: é normal que o “grande” gire o 11 inicial frente a um adversário que, em teoria, é mais fraco. Só que não foi só o Benfica a mudar – e muito – a equipa. É que, se os encarnados fizeram seis alterações, o Farense fez… oito!
Silas apostou na juventude, deixou no banco, por exemplo, o experiente Cláudio Falcão – e não terá ficado, de todo, descontente com o que esse “sangue novo” mostrou nos primeiros 10 minutos.
O Farense entrou melhor, conquistou dois cantos nos primeiros dois minutos e até teve a primeira chance, com um cabeceamento, ao primeiro poste, de Ruben Fernandes, defendido por Samuel Soares.
Só que, como também todos sabemos, a lei do mais forte tende sempre a impor-se. E assim aconteceu: no primeiro remate à baliza, o Benfica marcou. Richard Rios apareceu solto, depois de um livre marcado por Sudakov, e, de primeira, inaugurou o marcador (11m).
A partir daí, o caso mudou de figura. O Benfica passou a dominar, a ter mais bola, a ter a iniciativa do jogo perante um Farense que apenas ia espreitando o contra-ataque (e teve em Rafael Teixeira o seu melhor elemento nessa transição esses setores).
O segundo golo parecia o corolário óbvio de uma exibição em que, não deslumbrando, o Benfica ia mostrando o suficiente para ter uma noite tranquila. E a ocasião soberana até apareceu: ao minuto 28, os encarnados tiveram um penálti a favor, a castigar uma falta de D’Agrella sobre Schjelderup.
Otamendi, que já tinha falhado um penálti na última eliminatória da Taça, voltou a repeti-lo: o remate do capitão do Benfica foi defendido por Tannander.
Na segunda parte, já sem Sudakov e Samuel Soares que saíram lesionados (a única má notícia da noite), o Benfica manteve o domínio, com o golo da tranquilidade a surgir naturalmente.
Foi ao minuto 56, por Ivanovic, que só teve de encostar a bola para dentro da baliza, depois de uma defesa de Tannader a remate de Samuel Dahl.
E, sim, a eliminatória ficou decidida aí, apesar de o Farense ainda ter tido um golo anulado – na realidade, pareceu quase sempre estar, tal a diferença de realidades.
Agora, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz (para voltar a Rui Veloso), o caminho deste Benfica na Taça de Portugal poderá cruzar-se com o do FC Porto nos quartos de final.
