A sul, parece não haver norte
Uma crise sem fim à vista. Estão jogadas seis jornadas e o Farense soma… seis derrotas. Zero pontos. Apenas dois golos marcados e 13 sofridos.
Hoje, a jogar em casa, os algarvios voltaram a claudicar perante um Arouca (0-1) que está longe de estar ao nível das outras temporadas.
O Farense até começou melhor, com mais bola e vontade de mandar no jogo.
Não é que fosse uma superioridade hegemónica (longe disso), mas, para o pouco que a equipa tem apresentado este ano, os sinais eram minimamente positivos.
Rafael Barbosa teve o golo nos pés, ao minuto 14, depois de um erro infantil do guarda-redes Mantl, mas falhou; aos 33, Merghem – claramente o melhor dos algarvios – também dispôs de uma boa chance: o livre saiu um pouco ao lado do poste.
Mas o Arouca, sempre matreiro e bem organizado, ia espreitando a oportunidade. Ela acabaria por chegar já perto do intervalo. Curiosamente, tal como no Dragão frente ao FC Porto, o Farense voltou a sofrer um golo nos últimos minutos.
Tudo começou numa desatenção a meio-campo, com Raul Silva a não conseguir dominar uma bola que sobrou para Yalçin. O ponta de lança do Arouca conduziu um contra-ataque rapidíssimo, abriu para Trezza e este rematou cruzado sem hipóteses para Ricardo Velho (45+1’).
O Farense foi para os balneários debaixo de um coro de assobios e não era caso para menos. A jogar em casa, os algarvios, que ainda não tinham somado qualquer ponto, tinham de mostrar mais.
Era o que se esperava também da segunda parte. Mas entre o expectável e a realidade vai um longo caminho.
É que o Farense entrou desconcentrado, sem qualquer ideia de jogo e isso só mudaria já nos últimos 20 minutos.
Aí, galvanizados pelo público, os algarvios atacaram, tiveram mais bola e até podiam ter chegado ao empate naquele remate de Merghem que foi à barra (76m).
Não conseguiram e o futuro do Farense parece ser (cada vez mais) negro. O treinador José Mota aguentará os lenços brancos que vieram das bancadas?
A FIGURA: Trezza
Muito pelo golo marcado, mas também pelo que jogou, Trezza merece ser eleito a figura do jogo. Soube-se desmarcar bem naquele contra-ataque rapidíssimo, conduzido por Yalçin, e não tremeu perante um dos melhores guarda-redes do campeonato: Ricardo Velho. Combinou muito bem no ataque com os parceiros Ivo e Sylla. Sem Cristo González e Mujica, Trezza pode vir a ser uma das figuras deste Arouca versão 2024-2025.
O MOMENTO: Golo a fechar a primeira parte (45+1)
Já se jogava o período de descontos da primeira parte quando o Arouca chegou à vantagem. A partida até estava equilibrada, mas o Farense, apesar do intervalo, sentiu muito o golo sofrido. Tal como acontece com qualquer equipa que passa por um momento de crise.
POSITIVO: Merghem
No meio da mediocridade do Farense – e dos reforços que contratou para este ano -, Merghem foi um dos poucos sinais positivos. É impossível não olhar para ele e recordar Belloumi, até pela posição e pela maneira como joga. Foi dele (de Merghem), a melhor oportunidade do Farense, com um grande remate à barra a meio da segunda parte. O futuro dos algarvios parece muito incerto, mas a aposta em Merghem parece ser uma certeza.
