Três familiares morrem após comerem bolo na véspera de Natal. Suspeita-se que a nora terá usado arsénico

CNN , Duarte Mendonça, João Scavacin, e Rosa Rahimi
6 jan 2025, 17:18
Bolo envolvido na morte de três membros da mesma família no Brasil (Polícia Civil do estado do Rio Grande do Sul via CNN Newsource)

Foi feita uma detenção no caso de uma família no Brasil que foi envenenada na véspera de Natal depois de comer um bolo com arsénico.

Três pessoas morreram e outras três foram hospitalizadas após o incidente, que ocorreu na cidade de Torres, no estado sulista do Rio Grande do Sul.

Em conferência de imprensa dada esta segunda-feira, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou que a nora de uma das vítimas é a principal suspeita.

Segundo a polícia, havia sete pessoas na sala quando o bolo foi servido.

Uma pessoa não comeu o bolo, mas as outras seis que o comeram foram todas hospitalizadas. Três mulheres, as irmãs Maida e Neuza, e a filha de Neuza, Tatiana, morreram mais tarde.

A suspeita, presa no domingo, é nora de Zeli dos Anjos, 60 anos, que fez o bolo, segundo a CNN Brasil. A polícia disse à CNN que a suspeita tinha desavenças com a família há mais de duas décadas.

Foi acusada de homicídio triplo qualificado e de três tentativas de homicídio.

Segundo a polícia, Dos Anjos está atualmente na unidade de cuidados intensivos, juntamente com o seu sobrinho-neto de 10 anos.

A polícia disse que foram registadas grandes quantidades de arsénico nos corpos das três mulheres que morreram, tendo as perícias revelado níveis elevados nas amostras de urina e estômago.

“Os níveis de arsénico nestas amostras são tão elevados que são considerados tóxicos e letais. E isso explica a causa da morte”, disse Marguet Mittmann, diretora-geral do Instituto Geral de Perícia, um organismo de segurança pública que colabora com a polícia, na conferência de imprensa.

A vítima cujo corpo continha a menor concentração de arsénico registou ainda 80 vezes a quantidade permitida nos alimentos - e a vítima com a maior concentração tinha 350 vezes a quantidade permitida.

“Estas concentrações são tão elevadas que é impossível considerar que se trata de uma contaminação natural”, acrescentou Mittmann.

A polícia confirmou também que o veneno presente no bolo estava misturado na farinha utilizada na sua preparação, excluindo a possibilidade de intoxicação alimentar.

A análise das amostras revelou que a maior quantidade de arsénico encontrada na farinha utilizada para fazer o bolo era 2.700 vezes superior ao limite permitido, o que levou os peritos a concluir que a farinha era a fonte da contaminação.

Michael Rios e Ju Faddul, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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