Turismo, autoestradas e muito dinheiro: o plano de Trump para mudar Gaza

22 jan, 11:36
Cidade de Gaza segundo o Conselho da Paz (Casa Branca)

Mapas divulgados pela Casa Branca mostram o sonho da administração Trump

Turismo balnear, arranha-céus, autoestradas e centro de dados. Tudo reconstruído do zero parece um projeto de sonho, mas fica mais difícil de imaginar quando o destino é a Faixa de Gaza, onde a paz ainda nem é uma certeza total, já que faltam passos para se chegar à paz definitiva com Israel.

Naquele que é um dos primeiros grandes atos do recém-criado Conselho da Paz, o genro do presidente dos Estados Unidos, um dos membros desta nova organização, divulgou várias imagens daquilo que quer que seja a Faixa de Gaza no futuro.

Num pequeno espaço de território onde vivem mais de dois milhões de pessoas, muitas delas sem as condições mínimas de sobrevivência, Donald Trump e Jared Kushner querem construir aquilo que mais parece um empreendimento de luxo.

De acordo com o próprio Jared Kushner e com os mapas apresentados, trata-se de um “plano-mestre” para o futuro do território, com várias fases para aplicar as mudanças.

“As pessoas perguntam-nos qual é o plano B. Não temos plano B, temos um plano. Assinámos um acordo. Estamos todos comprometidos em trabalhar esse acordo”, reiterou Jared Kushner.

“Existe um plano-mestre. Vamos realizá-lo faseadamente no Médio Oriente”, acrescentou, enquanto iam passando imagens hoje difíceis de conceber, incluindo a criação de 500 mil postos de trabalho nas áreas da construção, agricultura, manufatura ou serviços digitais.

Com uma praia idílica e arranha-céus junto à beira-mar - 180, para ser preciso -, a Faixa de Gaza passará a ser um local turístico, de acordo com a ideia. Espera-se também que o PIB do território possa atingir os 10 mil milhões de dólares em 2035.

Tudo começará em Rafah, a zona mais a sul do território. É lá que se implementará a Fase 1A de um plano com seis etapas. Daí segue-se para a reconstrução de Khan Younis, depois os locais dos campos de refugiados e, finalmente, a cidade de Gaza, a maior do território.

“Eles constroem cidades como estas para duas, três milhões de pessoas. Constroem em três anos. Isto é altamente fazível se o fizermos acontecer”, reiterou Jared Kushner.

Olhando para os mapas, e além da faixa costeira, o plano prevê uma Faixa de Gaza em que as cidades são intercaladas por espaços verdes. São jardins e parques, mas também espaços para a agricultura e para atividades desportivas.

O território terá várias áreas residenciais espalhadas, com autoestradas e transportes públicos a fazerem toda a ligação, sendo que a zona junto do mar é, toda ela, destinada ao turismo.

O plano prevê ainda a construção de um complexo industrial, de centros de dados, de um porto e um aeroporto importantes e de um plano ferroviário.

"No fundo, sou uma pessoa do setor imobiliário, e tudo se resume à localização. E eu disse: 'Olha para esta localização junto ao mar. Olha para este belo pedaço de propriedade. O que poderia ser para tantas pessoas. Vai ser tão bom'", completou Donald Trump.

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