Exclusivo: militares de 20 países foram a Israel aprender com a experiência da guerra em Gaza

20 nov, 19:00
Faixa de Gaza sob ataques israelitas (AP)

Ciclo de cinco dias juntou vários países da NATO, incluindo Estados Unidos e Alemanha, numa experiência que serviu para aprender, entre outras coisas, sobre a utilização da Inteligência Artificial em contexto de guerra

Se a guerra na Faixa de Gaza parece ter isolado Israel na política internacional, a cooperação e as exportações militares do país continuam a crescer. O Ministério da Defesa relatou vendas de 14,7 mil milhões de dólares (cerca de 12,7 mil milhões de euros) em 2024, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Mas as parcerias não se resumem aos negócios. A CNN Portugal esteve presente em apresentações de militares israelitas a parceiros de Forças Armadas estrangeiras. Tivemos de deixar o telemóvel do lado de fora do auditório antes de nos juntarmos a palestras de oficiais do exército de Israel diante de uma plateia formada por militares de 20 países. 

De forma organizada, como num evento TED, oficiais israelitas apresentaram os ensinamentos obtidos durante os dois anos da guerra na Faixa de Gaza e também nos confrontos na Síria e no Líbano. 

O evento fez parte de um ciclo realizado durante cinco dias em Israel para 130 oficiais de nações estrangeiras. Entre os países presentes, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Estónia, Finlândia ou Hungria. Duas potências europeias pediram para que não houvesse divulgação da participação dos seus militares. O mesmo aconteceu em relação a militares de países árabes que estiveram presentes - um desses países é Marrocos, onde têm existido uma série de manifestações intensas nas ruas contra Israel.

O exército de Israel não revelou se houve convite a Portugal. A explicação é que não poderia haver confirmação para não prejudicar os governos dos países aliados. A CNN Portugal entrou em contacto com o ministério português dos Negócios Estrangeiros para confirmar a informação. A resposta é que o ministério não recebeu qualquer convite.

Durante o dia em que a CNN Portugal esteve presente no evento, militares estrangeiros aprenderam sobre o uso de Inteligência Artificial por parte de Israel nos campos de batalha, drones para ataques de precisão, como o exército israelita se posicionou diante da possibilidade de sequestros de soldados durante a guerra, e a forma como o país criou um centro de operações logísticas na Faixa de Gaza. Também houve estudo de casos reais da ofensiva no território palestiniano. Os militares estrangeiros assistiam a tudo com atenção, tomavam notas e faziam perguntas no final das apresentações. 

A CNN Portugal questionou por que os dois países europeus não quiseram divulgar a participação no evento, mas não obteve resposta. 

Num dos intervalos, a CNN Portugal conversou com alguns militares estrangeiros que aceitaram falar sob anonimato. 

"A guerra é muito recente e sofisticada. Aprendemos muito", disse um militar do Canadá. 

A CNN Portugal conversou com militares dos Estados Unidos e da Alemanha que disseram estar satisfeitos por "aprender com os aliados". 

Decisão da ONU

Nesta semana, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por 13 votos a favor e duas abstenções (Rússia e China) o plano de 20 pontos elaborado pelos Estados Unidos para estabilizar a Faixa de Gaza. O plano envolve a criação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, em inglês), que deverá substituir a presença do exército de Israel no território. Há metas ambiciosas, como o desarmamento do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza, além de prever a possibilidade da criação de um Estado palestiniano após reformas internas da Autoridade Palestiniana (AP), o governo palestiniano reconhecido pela comunidade internacional. 

Ainda não está claro que exércitos irão ceder soldados para a ISF. O ministro da Defesa da Indonésia, o país com a maior população muçulmana no mundo, revelou que há 20 mil soldados a treinar para participar nesta força internacional. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros de França afirma ter um plano para desarmar o Hamas e impedir que o grupo seja parte de um futuro governo de Gaza.

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