Israel garante que o visado era Mohammed Deif, o líder das Brigadas Qassam. Hamas recusa as alegações e fala em "massacre horrível"
Israel diz que teve como alvo o chefe militar do Hamas e suposto mentor dos ataques de 7 de outubro num ataque aéreo no sul de Gaza que, segundo as autoridades locais, matou pelo menos 71 palestinianos.
Mohammed Deif, o líder das Brigadas Qassam, braço militar do Hamas, foi alvo, este sábado, em Al-Mawasi, um campo de deslocados a oeste da cidade de Khan Younis, disse um oficial de segurança israelita à CNN.
Os militares israelitas avançaram com a informação enquanto verifgicam se Deif foi morto no ataque, que foi alvejado juntamente com o chefe da brigada Khan Younis, Rafe Salama.
O ataque deixou um cenário de devastação na área, onde o Ministério da Saúde de Gaza relatou pelo menos 71 pessoas mortas e deixou quase 300 feridas.
De acordo com a mesma fonte, os ataques atingiram uma área onde os deslocados estavam abrigados. Vídeos do local mostram moradores e equipas de resgate a tentarem tirar pessoas ainda presas nos destroços.
Al-Mawasi foi designada por Israel como uma zona segura para os palestinianos que fogem dos combates em Gaza.
Os hospitais Kuwait e Nasser estão agora a lutar para lidar com o elevado número de civis mortos e feridos que chegam, diz ainda o Ministério da Saúde de Gaza.
O Hamas negou as alegações israelitas de que os alvos eram Deif e Salama, chamando as mortes de “massacre horrível”.
“As alegações da ocupação de ter como alvo os líderes são falsas e esta não é a primeira vez que a ocupação afirma ter como alvo os líderes palestinianos, apenas para que as suas mentiras sejam expostas mais tarde”, diz um comunicado.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, recebeu atualizações contínuas sobre o ataque israelita a Deif, de acordo com o Gabinete do primeiro-ministro israelita. Netanyahu realizará ainda neste sábado uma avaliação situacional com as forças de segurança israelitas para discutir novas medidas, adianta ainda o gabinete do primeiro-ministro.
Pouco se sabe sobre Deif. Acredita-se que tenha nascido na década de 1960. Deif será um fabricante de bombas que esteve por trás de uma onda de quatro ataques suicidas em 1996 que mataram 65 pessoas em Jerusalém e Tel Aviv e outras provocações destinados a inviabilizar o processo de paz.
O seu nome completo é Mohammed Diab Ibrahim al-Masri, mas ficou conhecido como El Deif (O Convidado), porque, durante décadas, ficou em casas diferentes todas as noites para evitar ser rastreado e morto por Israel.
Deif já foi alvo de tentativas de assassinato israelitas antes. Um ataque em 2014 matou a sua mulher, o seu filho de sete meses e a sua filha de três anos.
Em maio, o Tribunal Penal Internacional afirmou que estava a solicitar mandados de detenção para Deif e outras figuras importantes do Hamas, afirmando que tinham “motivos razoáveis” para acreditar que eram responsáveis pelos ataques de 7 de Outubro, que causaram a morte de cerca de 1.200 israelitas.