Faixa de Gaza: situação mantém-se calma desde o acordo entre Israel e a Jihad Islâmica. Combustível já chegou à região

8 ago, 10:18
Faixa de Gaza (AP Photo)

Em três dias de ataques de um lado e do outro, morreram 44 palestinianos, incluindo 15 crianças e dois líderes da Jihad Islâmica

O acordo estabelecido no domingo entre Israel e a Jihad Islâmica está a ser cumprido pelas duas partes, tendo sido retomada esta segunda-feira a passagem de camiões com combustível em direção à Faixa de Gaza. A notícia é avançada pela AFP, que adianta que os camiões passaram de Israel, através de Kerem Shalom, para o sul de Gaza, e que a situação na região mantém-se calma desde que o acordo entrou em vigor, pouco antes da meia-noite [hora local].

O grupo da Jihad Islâmica confirmou no domingo à noite a assinatura de uma trégua com Israel, tal como proposto pelo Egito, um intermediário histórico entre as duas partes beligerantes. O acordo, que entrou em vigor pouco antes da meia-noite [hora local], pôs fim a três dias de combates na Faixa de Gaza desencadeados por ataques aéreos israelitas, lançados em plena luz do dia.

O que foi classificado por Israel como uma "ofensiva preventiva" por receio de represálias da Jihad Islâmica após a detenção de Bassem al-Saadi, na Cisjordânia, acabou por desencadear uma escalada de violência como já não se verificava na região desde 2021, uma vez que o Jihad Islâmica respondeu ao ataque com o lançamento de quase 200 rockets para o outro lado da fronteira, contra o centro de Israel e Tel Aviv. 

Em três dias de ataques de um lado e do outro, morreram 44 palestinianos, incluindo 15 crianças e dois líderes da Jihad Islâmica - Jaled Mansul e Tayseer al-Jabari, e 300 pessoas ficaram feridas. Do lado israelita, 13 pessoas foram transportadas para o hospital com ferimentos leves, de acordo com as autoridades locais.

Ainda antes do início das hostilidade, na terça-feira, Israel decidiu bloquear as passagens de fronteira, incluindo a de Kerem Shalom, o que impediu a entrada de combustível no enclave palestiniano. No domingo, o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza emitiu um comunicado no qual alertava para a interrupção dos serviços dos hospitais dentro de 48 horas, por falta de eletricidade. 

Agora, com as tréguas firmadas entre as duas partes, o exército israelita anunciou a reabertura dos postos fronteiriços, tanto para pessoas e bens, como para “fins humanitários”.

O presidente dos Estados Unidos saudou o acordo e apelou às duas partes para que "cumpram o cessar-fogo e garantam a passagem de combustível e bens humanitários em direção a Gaza à medida que os combates diminuem."

Joe Biden lamentou a morte de civis em Gaza, sem especificar, no entanto, em quem recaía a responsabilidade: "Os relatos de mortes entre civis em Gaza são uma tragédia, seja pelos ataques israelitas contra posições da Jihad Islâmica, seja pelas dezenas de rockets lançados pela Jihad Islâmica que alegadamente terão atingido Gaza."

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