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Hamas anuncia dissolução do governo em Gaza e aumenta pressão sobre Israel

Joana Azevedo Viana , com Lusa
6 jul, 16:06
A palestiniana Asma al-Zawarah, 37 anos, abraça o corpo do seu filho Mohammed na morgue do Hospital Al Shifa, na cidade de Gaza, em 24 de janeiro de 2026 (Omar Al-Qattaa/AFP/Getty Images via CNN Newsource)
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Um dos pontos de maior discórdia tem a ver com o desarmamento do Hamas. Grupo militante que controla a Faixa de Gaza desde 2007 diz que só abdicará das armas no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, uma posição que Israel rejeita

O Hamas anunciou esta segunda-feira que dissolveu o seu governo de facto na Faixa de Gaza, sinalizando que está pronto para entregar o poder a um grupo de tecnocratas palestinianos como previsto no plano de paz que a administração norte-americana de Donald Trump mediou em outubro, e que está paralisado desde então.

A promessa do grupo militante de extinguir o organismo que supervisiona os ministérios do enclave palestiniano, em funcionamento há mais de uma década, era parte fundamental do plano de 12 pontos para a Faixa de Gaza no pós-guerra, estabelecido por Trump após o início de um frágil cessar-fogo implementado a 10 de outubro do ano passado, que desde então foi violado quase diariamente.

Citado pela Reuters, o Hamas diz que os seus próprios ministérios e os funcionários por si nomeados vão continuar nos seus cargos provisoriamente até que o comité tecnocrático palestiniano preconizado pelo Conselho de Paz que Trump estabeleceu possa assumir as rédeas do poder político na Faixa de Gaza. O Hamas também garantiu que vai continuar a supervisionar a segurança e o policiamento nas partes de Gaza que permanecem sob o seu controlo após a trégua mediada pelos EUA.

(Mark Schiefelbein/AP)

O anúncio vem aumentar a pressão sobre Israel para que honre outras partes do plano de 12 pontos para acabar com uma guerra na Faixa de Gaza, que começou em outubro de 2023, na sequência de um ataque sem precedentes do Hamas ao sul de Israel que vitimou cerca de 1.200 pessoas. Desde então, a ofensiva de Israel contra o enclave palestiniano vitimou mais de 73 mil pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, a par de mais de 173 mil feridos, numa guerra que, segundo um comité independente da ONU e organizações não-governamentais (ONG) dentro e fora de Israel, tem correspondido ao genocídio do povo palestiniano.

Após o anúncio da dissolução pelo Hamas, o comité tecnocrático palestiniano disse estar "plenamente preparado" para assumir o poder. "Afirmamos que o Comité Nacional para a Administração de Gaza está plenamente preparado para assumir as suas responsabilidades nacionais assim que estejam reunidos os recursos e as capacidades necessárias", escreveu Ali Shaath, presidente do organismo, na rede social X.

A dissolução do órgão de 15 membros que administrava a Faixa de Gaza sob a autoridade do Hamas há cerca de duas décadas abre caminho à transferência das responsabilidades administrativas no território para o Comité Nacional para a Administração de Gaza, mas que permaneceu congelado e impedido de entrar Gaza durante mais de oito meses.

A iniciativa do Hamas marca uma importante viragem política do movimento islamita, que assumiu o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com a Fatah, à qual pertence o atual presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel há décadas.

"Os movimentos [palestinianos reunidos no Cairo] saúdam a decisão do Hamas, considerando-a um passo importante que permite ao Comité Nacional assumir o seu papel na governação", disse outro representante do Hamas.

Um dos principais pontos de discórdia na aplicação do Plano de Paz acordado em outubro de 2025 continua a ser o desarmamento do Hamas, com o grupo a afirmar que só o fará no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, uma posição que é rejeitada por Israel.

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