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Hamas acusa enviado especial dos EUA de tentar “embelezar a ocupação” durante visita a Gaza. E avisa: não se desarmará até existir Estado palestiniano (com Jerusalém como capital)

2 ago 2025, 15:31
Multidão aguarda libertação de reféns em Gaza (AP)

A condenação com veemência do Hamas aponta à Casa Branca, “que é cúmplice direta no crime de fome e genocídio que decorre à vista do mundo todo”. Diz ainda este grupo que “a luta violenta irá continuar”, pois trata-se de “um direito consagrado em cartas e normas internacionais”

O Hamas condenou diretamente a visita do enviado especial norte-americano Steve Witkoff a um local gerido pelo Fundo Humanitário para Gaza (GHF). 

Numa declaração pública, citada pela Reuters, o movimento islamista afirmou que Witkoff não passa de um “mero ator numa encenação previamente combinada”, destinada a enganar a opinião pública, a “embelezar a imagem da ocupação” e a dar-lhe cobertura política para continuar a gerir o “congelamento propositado” da ajuda e a morte sistemática de crianças e civis desarmados no território.

“A narrativa enganadora de Witkoff, acompanhada pela difusão de imagens propagandísticas que tentam pintar a distribuição de ajuda como pacífica, contrasta brutalmente com os factos que ocorreram mesmo onde ele esteve — locais onde mais de 1.300 inocentes morreram de fome e foram abatidos pelas balas do exército de ocupação e pelos funcionários desumanos da ‘Gaza Foundation’, uma organização criada para dar continuidade aos capítulos de assassinato e genocídio,” afirmou o Hamas no comunicado.

O movimento sublinha ainda que “a administração americana é cúmplice direta no crime de fome e genocídio que decorre à vista de todo o mundo”.

Israel, por sua vez, rejeitou as acusações, negando que esteja a provocar de forma intencional a fome em Gaza — ou a cometer genocídio no território.

O Hamas, ainda neste comunicado, apelou à administração norte-americana para que “assuma a sua responsabilidade histórica”. “Que levante o véu sobre este crime do século em Gaza e avance para um acordo de cessar-fogo que ponha fim à agressão, à retirada do exército de ocupação e ao levantamento do cerco injusto que sufoca o nosso povo, em vez de alinhar-se com as políticas da ocupação e as suas violações, que envergonham a humanidade e apenas aprofundam o desastre humanitário, perpetuando o conflito na Palestina e na região”, escreveu o movimento. 

Por fim, o Hamas garantiu que não vai desarmar, comprometendo-se a continuar a “luta violenta enquanto a ocupação persistir”. Defende que este direito está “consagrado em cartas e normas internacionais” e só poderá ser abandonado com a “total restituição dos nossos direitos nacionais”, entre os quais sobressai “o estabelecimento de um Estado palestiniano independente, com plena soberania e Jerusalém como sua capital”.

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